quinta-feira, 26 de abril de 2018

Portuguesas Rainhas no Estrangeiro

No post de hoje iremos falar de princesas portuguesas que se tornaram rainhas no estrangeiro.

D. Berengária
D. Berengária, Rainha da Dinamarca
Nascida em 1196/98.
Filha de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão.
Teria uma irmã gémea e nunca terá conhecido a mãe, que morreu no parto.
Casou-se com Valdemar II da Dinamarca, tornando-se Rainha da Dinamarca, seria a segunda esposa de Valdemar, a união terá sido ou a 18 a 24 de maio de 1214.
Berengária encontrou no povo alguma resistência quanto à sua aceitação enquanto rainha, uma vez que a primeira mulher de Valdemar fora muito popular, era loura e com traços físicos nórdicos, aos quais o povo estava mais acostumado. Berengária surge assim com uma beleza de olhos e cabelos escuros.
O casamento coincidiu com uma altura de problemas económicos na Dinamarca, em que o povo foi sobrecarregado com impostos. Beregária teria sido injustamente acusada de causar a ruína do reino pelos seus gastos, embora uma grande parte destes impostos fossem investidos na guerra e não na rainha.
D. Valdemar II da Dinamarca
Do casamento nasceram três rapazes e uma rapariga.
Beregária faleceu no parto, a 27 de março de 1221. Foi enterrada em Ringsted.
Madeixas de Berengária conservadas na Igreja de St. Bendt em Ringsted

D. Leonor
D. Leonor, Rainha de Dinamarca
Nascida em 1211.
Filha de D. Afonso II e de D. Urraca de Castela.
Casou-se com Valdemar, o Jovem, filho mais velho de Valdemar II e seu co-regente, tornando D. Leonor rainha consorte daquele reino, o casamento foi em 1229.
Faleceu no parto em 1231, cujo o bebé não sobreviveu, não dando descendentes.

D. Isabel
D. Isabel, Imperatriz Romano-Germânica
Nascida em Lisboa, a 24 de outubro de 1503.
Filha de D. Manuel I e de D. Maria.
Tinha cabelos loiros arruivados e olhos claros, D. Isabel foi conhecida como "a mulher mais bela do seu tempo". Era uma mulher muito culta, tinha uma vasta e completa biblioteca, composta por obras de cariz espiritual, destinadas à oração e ao enriquecimento pessoal, bem como obras mais mundanas que eram do gosto de D. Isabel, nomeadamente sobre cavalaria.
O seu casamento foi negociado pelo seu pai, que morreu antes de o concluir. A 6 de outubro de 1525 firmou-se em Torres Novas o contrato. A noiva levou um dote de 900 mil cruzados portugueses ou dobras castelhanas.
Casou-se em Almeirim por procuração, a 1 de novembro de 1525, com o seu primo Carlos, representado pelo embaixador Carlos Popeto e partiu em janeiro de 1526 rumo a Elvas com grande e rica comitiva.
O casamento com D. Carlos V terá sido um casamento feliz, já que os noivos se apaixonaram e se isolaram do mundo prolongando uma lua-de-mel que não parecia querer acabar.
Deste casamento nasceram cinco filhos e um bebé nasceu morto.
Carlos V, Imperador Romano-Germânico
Faleceu em consequência do seu último parto, o qual o bebé nasceu morto a 21 de abril. D. Isabel ficou frágil com febre e com uma enorme hemorragia, a febre só acalmou a 29 de abril, prevendo a morte, D. Isabel confessou-se e recebeu a extrema-unção.
Morreria a 1 de maio de 1539. O seu marido sofreu muito com a sua morte, o homem mais poderoso da época não teve coragem de participar no seu cortejo fúnebre, tendo se recolhido num mosteiro, onde ficou horas a sofrer e a contemplar o retrato da sua mulher. Nunca mais voltaria a casar-se e passaria o resto da sua vida a vestir apenas a cor negra, demonstrando o seu eterno luto.
D. Isabel foi sepultada em Granada, em Espanha.

D. Catarina de Bragança
D. Catarina de Bragança, Rainha de Inglaterra
Nascida em Vila Viçosa, a 25 de novembro de 1638.
Filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão.
Dois anos depois de subir ao trono, D. João IV quis fortalecer a soberania e a independência, para isso procurava alianças, uma forma de o fazer era o de casar os filhos com príncipes e princesas estrangeiros. D. Catarina não tinha sequer oito anos e já se tinha ideias de casamento com D. João d'Áustria, ou com o Duque de Beaufort, mas as negociações ficaram sem resultado.
Foi mais tarde escolhido o seu futuro marido, que seria D. Carlos II de Inglaterra.
A 18 de agosto de 1661 a rainha declarou o contrato nupcial aprovado pelo Conselho de Estado. Seguiu-se um contrato de paz.
A 28 de abril de 1662 recebeu-se em Lisboa a notícia da realização do contrato, e pouco depois chegou a armada inglesa, que devia conduzir a nova rainha.
A armada chegou a Portsmouth a 14 de maio de 1662 e ali a esperava o Duque de York, irmão de D. Carlos II. A rainha, encontrava-se um pouco indisposta e ficou alguns dias na cidade.
Depois da sua chegada casou-se em duas cerimónias, uma católica em segredo e uma anglicana em público, no dia 21 de maio.
D. Carlos II de Espanha
D. Catarina não foi uma rainha popular por ser católica, o que a impediu de ser coroada. Deixou à Inglaterra a geleia de laranja, o hábito de beber chá, além de ter introduzido o uso dos talheres e do tabaco.
Nunca deu à luz, apesar de ter estado grávida várias vezes, a última das quais em 1669. A sua posição era difícil já que o seu marido continuava a ter filhos com as suas amantes, mas insistia em que ela fosse tratada com respeito e recusou-se divorciar.
Quando ficou viúva a 16 de fevereiro de 1685, D. Catarina permaneceu em Inglaterra durante o reinado do cunhado, D. Jaime II, e regressou a Portugal no reinado conjunto de Guilherme III e D. Maria II, depois da Revolução Gloriosa, instalando-se no Palácio da Bemposta.
Faleceu em Lisboa a 31 de dezembro de 1705, foi sepultada no Convento de Belém ou na Igreja dos Jerónimos, o seu corpo foi transladado para o Panteão dos Braganças em São Vicente de Fora.

D. Maria Isabel
D. Maria Isabel, Rainha de Espanha
O seu nome completo era Maria Isabel Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança e Bourbon.
Nascida em Queluz, a 19 de maio de 1797.
Filha de D. João VI e de D. Carlota Joaquina.
Tinha apenas 10 anos quando o exército francês do Imperador Napoleão Bonaparte invadiu Portugal e toda a família real portuguesa fugiu de Lisboa. A corte mudou-se para o Rio de Janeiro, então capitão do Brasil, a maior e mais rica colónia de Portugal.
Casou-se a 29 de setembro de 1816, em Madrid, com D. Fernando VII da Espanha. Este casamento tinha como objetivo reforçar as relações entre Espanha e França.
Deste casamento nasceram duas filhas.
D. Fernando VII de Espanha
D. Maria Isabel em dezembro de 1818, durante um parto difícil e prolongado, já bastante debilitada pelo seu esforço, teve um ataque de epilepsia entrando em coma. Este facto não foi percebido pelos médicos da corte, que na ânsia de salvarem o bebé fizeram uma cesariana desastrosa. A rainha ficou luzida e gritava de dores, tanto D. Maria Isabel como a criança morreram em poucas horas.
Ainda hoje D. Maria Isabel é recordada como "a rainha que morreu duas vezes". O seu corpo encontra-se sepultado no Mosteiro do Escorial, perto de Madrid.
D. Maria Isabel destacou-se pela sua cultura e gosto pela arte. Foi dela que partiu a iniciativa de reunir obras de arte dos monarcas espanhóis para criar um museu real, o que viria a ser o Museu do Prado, inaugurado a 19 de novembro de 1819, um ano após a sua morte.

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

terça-feira, 24 de abril de 2018

O Autoproclamado Estado Islâmico

(Contem imagens podem ser chocantes para algumas pessoas)

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

Hoje falarei do Estado Islâmico, de realçar que não é um Estado existente apenas na Síria, mas como vai no contexto do tema desta semana.

O Autoproclamado Estado Islâmico

Bandeira do Estado Islâmico
O Estado Islâmico, também conhecido como ISIS, é um califado proclamado, com Abu Bakr al-Baghdadi como califa, ainda que sem o reconhecimento pela comunidade internacional.
Califa do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Bagdadi
Este grupo ocupa de facto um território que abrange grande parte do Iraque e da Síria.

No Iraque a sua presença é particularmente forte em toda a parte ocidental do país, faltando apenas partes da Curdistão iraquiano, no nordeste.

Na Síria o grupo ocupa uma faixa que "corta" o país ao meio. A cidade de Raqqa funciona como capital do autoproclamado Estado.

Fora deste território, há grupos em vários países que juraram fidelidade ao Estado Islâmico.
Objetivos de conquista do Estado Islâmico
O Estado Islâmico afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controlo de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território da região do Levante, que inclui a Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia.

O grupo, no seu formato original, era composto e apoiado por várias organizações terroristas sunitas, incluindo as suas organizações antecessoras, como a Al-Qaeda no Iraque, o Conselho Shura Mujahideen e o Estado Islâmico do Iraque, além de outros grupos.

O objetivo original era estabelecer um califado nas regiões de maioria sunita do Iraque. Após o seu envolvimento na guerra civil síria, este objetivo expandiu-se para incluir o controlo de áreas de maioria sunita da Síria.

Denúncias de discriminação económica e política contra árabes sunitas iraquianos desde a queda do regime de Saddam Hussein também ajudaram a dar impulso ao grupo.

No auge da Guerra do Iraque, os seus antecessores tinham uma presença significativa nas províncias iraquianas de Alambar, Ninaua, Quircuque, maior parte de Saladino e regiões de Babil, Diala e Bagdad, além de terem declarado Bacuba como a sua capital.

No decorrer da Guerra Civil Síria, o Estado Islâmico teve uma grande presença nas províncias de Raca, Idlibe, Alepo e Deir Zor. No entanto, a partir de 2016, o grupo começou a perder força considerável, cedendo grandes porções de territórios no leste da Síria e no norte e oeste do Iraque.

Em 2017, o Estado Islâmico sob o peso da intervenção estrangeira e ações mais organizadas de grupos opostos e governos locais, foi forçado a se reorganizar, enquanto perdia cidades chave como Ramadi, Faluja, Mossul e Raca, sofrendo também com privações e deserções nas suas fileiras.

O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla a converterem-se ao islamismo, além de viverem de acordo cm a interpretação sunita da religião e sob a lei islâmica.

Aqueles que se recusam podem sofrer torturas e mutilações, ou serem condenados a pena de morte. O grupo é particularmente violento contra muçulmanos xiitas, assírios, cristãos arménios, yazidis, drusos, shabaks e mandeanos.
Mulheres da etnia yazidis são vendidas pelo Estado Islâmico
Quando conquista as localidades, o Estado Islâmico pendura uma bandeira negra no topo do prédio mais alto, inicia uma campanha para conquistar corações e mentes, por meio da prestação de serviços sociais, em locais devastados pela guerra, distribui pen-drives com cânticos e vídeos que mostram as operações militares do grupo e folhetos que pregam contra a democracia, sobre a necessidade de permanecer em silêncio e excomungar os alauitas. E começa a impor gradualmente a sua interpretação da lei islâmica.

O grupo segue uma interpretação antiocidental extrema do Islamismo, promove a violência religiosa e considera aqueles que não concordam com a sua interpretação como infiéis e apóstatas.

O principal meio de comunicação do grupo é a "I'tisaam Media Foundation", que foi formada em março de 2013 e distribui através do "Global Islamic Media Front". Em 2014, estabeleceu o "al-Hayat Media Center", que tem como alvo o público ocidental e produz materiais em inglês, alemão, russo e francês.
"Global Islamic Media Front"
Em 2014, a RAND Corporation realizou um estudo de cartas que tinham sido capturadas do Estado Islâmico do Iraque. Descobriram que, entre 2005 e 2010, doações externas responderam por apenas 5% do orçamento de financiamento do grupo, sendo que o restante era levantado dentro do próprio Iraque.

No período de tempo estudado, as células eram obrigadas a enviar até 20% da renda gerada a partir de sequestros, extorsões e outras atividades para o próximo nível de liderança do grupo

Depois do Estado Islâmico autoproclamar a captura de cidades no Iraque, divulgou orientações sobre como os civis dominados devem usar roupas e véus. Alertaram as mulheres na cidade de Mossul para usar o véu de rosto inteiro ou sofreriam punições severas.

O Estado Islâmico também proibiu manequins nus e ordenou que os rostos de manequins de ambos os sexos fossem cobertos. O grupo lançou 16 notas intituladas "Contrato da Cidade", sendo um conjunto de regras destinadas a civis em Ninaua. Uma regra estipulava que as mulheres devem ficar em casa e não sair, a menos que seja necessário. Outra regra diz que o rouba seria punido com a amputação.
Amputação feita pelo Estado Islâmico
Além da proibição da venda e uso de álcool, os militantes proibiram a venda e uso de cigarros e narguilés. Os cristãos que vivem nas áreas controladas pelo Estado Islâmico que queiram permanecer no território tem apenas três opções: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso (o jizya) ou morrer.

Em meados de 2014, a inteligência iraquiana obteve informações de um agente do Estado Islâmico, que revelou que a organização tinha um património de 2 biliões de dólares, o que a tornaria o mais rico grupo jiadista do mundo.

A exportação de petróleo dos campos petrolíferos capturados já rendeu ao Estado Islâmico, dezenas de milhões de dólares. Grande parte do petróleo é vendido ilegalmente na Turquia.

De acordo com um relatório, a captura de cidades iraquianas pelo Estado Islâmico, em junho de 2014 foi acompanhada por um aumento nos crimes contra as mulheres, incluindo sequestro e violações.

No início de setembro de 2014, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas concordou em enviar uma equipa ao Iraque e à Síria para investigar os abusos e assassinatos realizados pelo Estado Islâmico numa "escala inimaginável".

Os militantes do Estado Islâmico são na maioria árabes, das comunidades sunitas do Iraque e da Síria. Mas há muitos estrangeiros nas fileiras, incluindo cerca de três mil tunisinos. Estima-se que haja cerca de 180 cidadãos americanos, bem como 600 britânicos. Só europeus serão perto de 2500, sem incluir os cerca de mil turcos. Existem ainda um importante contingente de homens de expressão russa, de países como a Chechénia e Cazaquistão.

Há relato de cerca de uma dúzia de portugueses no grupo, incluindo algumas mulheres. Pelo menos quatro portugueses ou luso-descendentes já terão morrido ao serviço do Estado Islâmico. Sandro "Funa" e Mikael Batista foram alegadamente mortos durante a luta por Kobani e José Parente morreu num atentado suicida no Iraque. Em março de 2015 foi anunciada a morte de um português conhecido como Abu Jawayria Portughali.
Os portugueses Sandro "Funa" (esquerda) e o Mikael Batista (direita) que se converteram em militantes do Estado Islâmico 
Irina Bokova, a diretora-geral da UNESCO, alertou que o Estado Islâmico estaria a destruir o património cultural do Iraque, no que ela chamou de "limpeza cultural". "Não temos tempo a perder, porque os extremistas estão a tentar apagar a identidade, porque eles sabem que, se não há identidade, não há memória, não há história", disse ela.

Para financiar as suas atividades o Estado Islâmico rouba artefactos históricos e culturais da Síria e do Iraque e envia-os para a Europa para serem vendidos. Estima-se que com este negócio sujo tenha arrecadado 200 milhões de dólares por ano.

A UNESCO pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que controle a venda de antiguidades, semelhante ao que foi imposto após a guerra do Iraque em 2003.

A UNESCO trabalha também com a Interpol, as autoridades aduaneiras nacionais, museus e grandes casas de leilão, na tentativa de impedir que os objetos roubados sejam vendidos.

O Estado Islâmico ocupou o Museu de Mossul, o segundo mais importante museu do Iraque, quando o local estava prestes a ser reaberto depois de anos de reconstrução dos danos causados após a guerra do Iraque. O grupo então destruiu todo o acervo da instituição cultural alegando que as estátuas da antiguidade eram contra o islamismo.
Militantes do Estado Islâmico a destruir o Museu de Mossul, no Iraque
O grupo usou escavadoras para esmagar edifícios e sítios arqueológicos. Em março de 2015, o grupo destruiu a cidade antiga assíria de Nimrud, datada do séc. XIII a.C.
Militante do Estado Islâmico a destruir a cidade antiga assíria de Nimrud
A 7 de março de 2015, destruíram as ruínas de Hatra, um Património da Humanidade localizado em Ninaua, região dominada pelos terroristas. "A destruição de Hatra marca um momento decisivo na lamentável estratégia de limpeza cultural no Iraque", afirmou Bokova.
Militante do Estado Islâmico a destruir as ruínas de Hatra
Todos os crimes do Estado Islâmico são regularmente filmados e divulgados nas redes sociais. Num caso que mereceu bastante atenção, foi a execução de dois alegados espiões que é levada a cabo por uma criança que aparenta não ter mais de 12 anos de idade.
Imagem de um video do Estado Islâmico de prisioneiros a serem executados por crianças
Houveram vários massacres de cristãos, mas os yazidis poderão mesmo ter sofrido mais. Cercados numa montanha, houve relatos de crianças a morrer de fome e de sede. As mulheres capturadas foram transformadas em escravas e violadas, por vezes dezenas de vezes por dia. Quem conseguiu escapar procurou refúgio na capital do Curdistão iraquiano.

Em fevereiro de 2015 a filial líbia do Estado Islâmico divulgou a execução, por decapitação, de 21 cristãos egípcios que tinham sido raptados no final de 2014.
Decapitação de 21 pescadores egípcios cristãos raptados em 2014, pelo Estado Islâmico, em fevereiro de 2015
Mas os crimes deste grupo terrorista não são apenas contra pessoas e populações. O património arqueológico do Iraque e da Síria tem sofrido muito com a intolerância dos jihadistas, que destruíram irremediavelmente as antigas cidades de Nimrud, no Iraque e de Palmira, na Síria, considerando heréticas as imagens.
Imagem de um video do Estado Islâmico onde mostra a destruição de um templo em Palmira, na Síria
Mais de 60 países ou Estados uniram-se numa coligação para combater o Estado Islâmico. A maioria, incluindo Portugal, pouco mais fornecem do que apoio moral ou logístico.

Os EUA fornecem a maioria do material e do pessoal bélico, juntamente com a França e a Holanda, mas vários países árabes também participam, incluindo o Bahrein, Jordânia, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O Reino Unido e a França intensificaram a sua participação após os atentados de Paris.

Em fevereiro de 2015, o Egito iniciou bombardeamentos contra alvos do Estado Islâmico, sobretudo da sua filial na Líbia, após o martírio de 21 cristãos egípcios, que tinham sido raptados no final de 2014.

Em outubro de 2015, a Rússia anunciou que iria começar a intervir mais diretamente no conflito sírio, bombardeando posições rebeldes. Mas os russos não fazem parte da coligação internacional, uma vez que apoiam abertamente o regime de Bashar al-Assad e atacam não só o Estado Islâmico como outros grupos rebeldes.

O Irão é outra força regional que está envolvida no conflito sírio. A grande potência xiita do Médio Oriente apoia o regime e por isso combate também o Estado Islâmico e outros grupos rebeldes na Síria.

Ataques Terroristas do Estado Islâmico na Europa

2010
- 11 de dezembro - duas bombas explodiram numa área comercial bastante movimentada da capital da Suécia, Estocolmo. Duas pessoas ficaram feridas. O autor do atentado, um iraquiano de 28 anos, matou-se. Durante muito tempo ele foi considerado o único responsável pelo crime, no entanto, há informações de que mais pessoas teriam sido cúmplices.
Local da segunda explosão - dezembro de 2010 - Estocolmo

2011
- Novembro - Um coquetel molotov foi arremessado para dentro da redação do semanário Charlie Hebdo, que já tinha sido alvo de ataques há quase quatro anos, neste atentado ninguém ficou ferido. A pessoa que cometeu o atentado nunca foi identificada. O motivo do ataque, supostamente, foram as publicações críticas ao Islamismo. O periódico está há bastante tempo sob proteção policial.
Edição, do Charlie Hebdo, que causou controvérsia com entidades Islâmicas, por entre outros desenhos, na capa está uma representação de Maomé a dizer "100 chibatadas se não morrer a rir!" - 2011

2012
- 11 a 19 de março - Mohamed Merah, de 23 anos, simpatizante do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, matou três militares a tiro em Toulouse e Montauban, no sul da França, e dias depois, matou três crianças e um professor numa escola judaica de Toulouse. Merah foi morto pela polícia a 22 de março, quando as forças de segurança lançaram um assalto ao apartamento onde estava refugiado há 32 horas.
Mohamed Merah

2013
- 22 de maio - dois britânicos, Michael Adebolajo e Michael Adebowale, de ascendência nigeriana convertidos ao islamismo assassinaram o soldado Lee Rigby, de 25 anos, num ataque inspirado na Al-Qaeda numa rua do sul de Londres, na Inglaterra. Os dois suspeitos, que se apresentaram como "soldados de Alá", foram detidos e condenados a prisão perpétua.
Michael Adebolajo (esquerda) e Michael Adebowale (direita)
Soldado Lee Rigby

2014
- 24 de maio - um homem disparou na entrada do museu judeu de Bruxelas, na Bélgica, matando quatro pessoas. O atacante, franco-argelino Mehdi Nemmouche, foi detido no sul da França e extraditado para a Bélgica. Mehdi teria combatido pelo Estado Islâmico na Síria e terá sido o primeiro jihadista a regressar à Europa para cometer um atentado terrorista.
Mehdi Nemmouche
- Setembro - foi evitado um ataque ao prédio da Comissão Europeia, em Bruxelas, na Bélgica.

2015
- 7 a 9 de janeiro - uma série de ataques foi perpetrada em França contra o semanário satírico Charlie Hebdo, onde houve 12 mortos, um supermercado de produtos "kosher", onde ocorreram quatro mortes e uma agente da polícia municipal foi morta. Três jihadistas, abatidos pelas forças de segurança pertenciam à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.
Situação no local após ataque à sede do Charlie Hebdo, em Paris, em 2015
- 14 de fevereiro - um dinamarquês de origem palestiniana abriu fogo num centro cultural de Copenhaga durante uma conferência sobre "Arte, blasfémia e liberdade", matando o cineasta Finn Norgaard e ferindo três polícias.
Horas depois, o mesmo homem matou um judeu em frente a uma sinagoga e feriu outros dois polícias. O suspeito, que os serviços de informações consideravam "extremamente religioso", acabou por ser morto horas depois num tiroteio com a polícia.
Cineasta Finn Norgaard - vítima no ataque terrorista, em fevereiro de 2015, em Copenhaga 
- 13 de novembro - atentados na sala de concertos Bataclan, em vários bares e restaurantes no centro de Paris e perto do Estádio de França, em Saint-Denis, causaram 130 mortos e mais de 350 feridos. O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou os ataques.
Imagem após o massacre na sala de espetáculos Bataclan, em Paria, novembro de 2015

2016
- 13 de março - um carro-bomba matou 37 pessoas e deixou 125 feridos em Ancara, na Turquia. A Turquia tem sofrido atentados desde junho de 2015, Istambul e Ancara são as cidades mais afetadas.
Situação após a explosão do carro-bomba, em Ancara, em março de 2016
- 22 de março - três atentados coordenados foram cometidos no aeroporto internacional e numa estação de metro de Bruxelas, na Bélgica, fazendo 33 mortos e mais de 300 feridos. Os autores do ataque, reivindicado pelo Estado Islâmico, pertenciam a uma célula terrorista envolvida nos ataques de novembro de 2015 em França.
Duas pessoas feridas após o atentado em Bruxelas, em março de 2016
- 28 de junho - três homens-bomba atacaram o Aeroporto Atatürk de Istambul, na Turquia, o terceiro maior da Europa. Mais de 40 pessoas morreram e mais de 230 ficaram feridas. Chama a atenção o facto de o ataque ter ocorrido dois dias antes do segundo aniversário da proclamação do califado do Estado Islâmico, o que sugere uma nova fase do grupo na sua estratégia na Turquia.
Situação após o atentado no aeroporto de Istambul, junho de 2016
- 14 de julho - um camião entrou em alta velocidade na marginal de Nice, no sul da França, após as comemorações do Dia da Bastilha, matou 86 pessoas e feriu 434. O autor do ataque, reivindicado pelo Estado Islâmico, um tunisino residente em França, foi morto a tiro num tiroteio com a polícia.
Camião utilizado para atropelar e matar em Nice, em julho de 2016
- 18 de julho - um jovem de 17 anos atacou passageiros de um comboio em Würzburg, no sul da Alemanha. Com um machado e uma faca, deixou cinco feridos. O agressor entrou na Alemanha, em junho de 2015, como um refugiado afegão, e foi morto pela polícia durante a fuga. O Estado Islâmico reivindicou o ataque.
Situação após o atentado num comboio de Würzburg, em julho de 2016
- 26 de julho - dois jovens armados degolaram um padre e sequestraram várias pessoas numa igreja em Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, norte da França. Os autores eram dois rapazes de 19 anos, um dos quais tinha estado na Síria a combater ao lado dos jihadistas, que tinham jurado lealdade ao Estado Islâmico. Ambos foram mortos pela polícia.
Padre Jacques Hamel assassinado durante o atentado em  Saint-Etienne-du-Rouvray, em julho de 2016
- 19 de dezembro - 12 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas num mercado de Natal em Berlim, na Alemanha, ao serem atropeladas por um camião, conduzido deliberadamente a alta velocidade contra a multidão. O condutor, um tunisino cujo pedido de asilo tinha sido recusado, recebeu instruções do Estado Islâmico, que divulgou um video em que o atacante jurava lealdade ao grupo.
Situação após o atentado durante o mercado de Natal em Berlim, em dezembro de 2016, onde é visível o camião utilizado para atropelar as pessoas

2017
- 3 de fevereiro - um egípcio de 29 anos armado com facas atacou quatro soldados que patrulhavam o Museu do Louvre, em Paris, na França, aos gritos de "Allahu Akbar" (PT: "Alá é grande"). O atacante foi ferido e detido.

- 18 de março - um homem de 29 anos foi morto no aeroporto de Orly, Paris, na França, depois de tentar tirar a arma a um soldado enquanto dizia "preparado para morrer por Alá".

- 22 de março - cinco pessoas morreram e 31 ficaram feridas num ataque terrorista junto ao Parlamento britânico, em Londres, na Inglaterra, quando um homem ao volante de uma viatura atropelou várias pessoas na ponte de Westminster e, depois de sair da viatura, apunhalou um polícia no Palácio de Westminster. O atacante, abatido a tiro pela polícia no local, foi identificado pelas autoridades como simpatizante do jihadismo.
Situação após o atentado em Londres, em março de 2017
- 7 de abril - cinco pessoas foram mortas e várias ficaram feridas quando um camião entrou a alta velocidade pela principal rua pedonal de Estocolmo, na Suécia, Drottninggatan. O condutor, um cidadão uzbeque com ligações jihadistas, foi detido e aguarda julgamento.
Situação após o atentado em Estocolmo, em abril de 2017, onde é visível o camião utilizado para atropelar e matar as pessoas
- 20 de abril - um polícia foi morto a tiro na Avenida dos Campos Elísios, em Paris, por um homem posteriormente abatido pela polícia. O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o ataque.
Situação após o atentado em Paris, em abril de 2017
- 22 de maio - 22 pessoas, além do atacante, morreram e 59 ficaram feridas, em Manchester, no noroeste de Inglaterra, no final de um concerto de Ariana Grande. O ataque foi cometido por um homem identificado como Salman ABedi, que se fez explodir junto de uma das saídas do Manchester Arena, onde terminava o concerto ao qual assistiam muitas crianças e jovens. O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico.
Salman ABedi (esquerda) o autor do atentado durante o concerto de Ariana Grande em Manchester, maio de 2017 - Imagens do atentado e o após (lado direito)
- 3 de junho - três homens numa carrinha avançou contra os pedestres na Ponte de Londres, na região central da capital britânica, atropelando dezenas de pessoas antes de se dirigir ao Borough Market, um local cheio de bares e restaurantes e esfaquearem diversas vítimas. O ataque deixou sete mortos e 48 feridos. Os suspeitos, que vestiam coletes com explosivos falsos, foram mortos pela policia.
Situação após o atentado em Londres, em junho de 2017
- 19 de junho - uma carrinha avançou contra fiéis que saíam da mesquita de Finsbury Park, em Londres, na Inglaterra, deixando um morto e dez feridos. O motorista, um homem de 48 anos, foi detido pelas pessoas que estavam no local antes de ser preso pela polícia. Relatos de testemunhas indicam que o atropelamento foi propositado.

- 17 de agosto - uma camionete atropelou pedestres nas Las Ramblas, no centro da capital catalã, Barcelona, em Espanha, 13 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas. O ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico e três pessoas foram detidas. Horas mais tarde, um atentado semelhante ocorreu na cidade costeira de Cambrils, deixando um morto, mas os cinco envolvidos foram mortos a tiros pela polícia.
Situação após o atentado em Barcelona, em agosto de 2017
- 18 de agosto - duas pessoas morreram e outras oito ficaram feridas no atentado no centro de Turku, na Finlândia. O autor do ataque, um marroquino de 18 anos e requerente de asilo, foi baleado na perna e preso pela polícia.
Situação após o atentado em Turku, em agosto de 2017
- 1 de outubro - Ahmed H. esfaqueou e matou duas mulheres na estação de comboios de Marselha, na França, antes de ser morto a tiro pela polícia. O Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque, referindo-se a Ahmed H. como um dos seus "soldados". Dois funcionários do Ministério do Interior renunciaram após a revelação de que Ahmed H. era um imigrante ilegal que lhes escapou das mãos.

2018
- 23 de março - um homem armado roubou um carro em Carcassonne, no sul da França, e seguiu para a terra vizinha Trèbes, onde fez diversas pessoas reféns dentro de um supermercado. Lá, o atirador, marroquino, teria gritado "Deus é grande" em árabe e dito ser um soldado do "Estado Islâmico". Após horas de impasse, ele foi morto, deixou três mortos e um polícia faleceu no dia seguinte.
Situação após o atentado em Trèbes, em março de 2018

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A Síria - A Intervenção de Outros Países

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje falarei de como os outros países, reagem à situação vivida na Síria.

A Intervenção de Outros Países


O governo da Turquia é o que fornece maior apoio aos refugiados sírios, sendo uma grande percentagem dos mais de dois milhões de refugiados a encontrarem-se em território turco.
Refugiados Sírios a fugir para a Turquia
Muitos opositores sírios usaram a cidade de Istambul (capital da Turquia) como centro para comandar a luta pela mudança de regime no seu país, e a Turquia também refugiou o líder do Exército Livre da Síria, o Coronel Riad al-Asaad.
Coronel Riad al-Asaad, Líder do Exército Livre da Síria
O principal apoio material e financeiro dispensado à oposição vem de Estados sunitas no Médio Oriente, principalmente o Qatar, Turquia e Arábia Saudita, que enviavam enormes quantidades de armas, munições e outros mantimentos aos rebeldes.

No ocidente, boa parte do apoio à oposição vem, principalmente, dos EUA, da França e do Reino Unido.

A 11 de novembro de 2012, em Doha, o chamado Conselho Nacional e outros grupos de oposição juntaram-se para formar a “Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias”, unificando assim a maioria dos grupos anti-Assad (Presidente Bashar al-Assad da Síria). Nos dias seguintes, muitos Estados árabes do golfo e várias potências ocidentais reconheceram a nova coalizão como legítimos representantes do povo sírio.

Entre os delegados que compõem este novo conselho, estão mulheres e representantes de minorias étnicas e religiosas, como os alauitas.

No fim de 2013, alguns países ocidentais, como EUA e Inglaterra, anunciaram cortes na ajuda à oposição síria. Acontecia que os grupos moderados tinham vindo a perder espaço no cenário político e militar no conflito, enquanto os extremistas e fundamentalistas crescem em poder e influência.

No entanto, em julho de 2015, os EUA começaram um projeto para armar e treinar membros de fações consideradas moderadas da oposição síria. O objetivo deste programa de apoio era preparar os rebeldes para enfrentar o avanço do autoproclamado Estado Islâmico em território sírio. A eficácia deste plano foi muito questionada.

A 19 de julho de 2017, foi reportado que o então presidente dos EUA, Donald Trump, tinham decidido interromper todos os programas de treino e apoio em termos de armas a grupos rebeldes anti governo na Síria, algo muito requisitado pela Rússia, uma importante aliada do regime Assad.
Donald Trump, Presidente dos EUA
O governo do presidente Bashar al-Assad recebe um vasto apoio vindo de países e organizações xiitas, como o Irão e o Hezbollah, respetivamente.

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, anunciou apoio ao governo sírio, abertamente. O jornal britânico The Guardian reportou que o Irão apoiava Assad com equipamentos, informações e treino.
Ali Khamenei, Líder Supremo Iraniano
A 25 de maio de 2013, num discurso, o líder da milícia Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou que a organização estava “comprometida em ajudar Assad a se manter no poder”. Segundo fontes ocidentais, mais de cinco mil combatentes do grupo estão atualmente na Síria a lutar ao lado das forças do governo.
Hassan Nasrallah, Líder da Milícia Hezbollah
A Rússia é a maior aliada do regime sírio no conflito. Em janeiro de 2012, a Human Rights Watch (é uma ONG que defende e realiza pesquisas sobre os direitos humanos) criticou o governo russo por “repetir os mesmos erros dos países ocidentais” ao apoiar “disfarçadamente” o lado que simpatiza.

Um dos principais interesses da Rússia no conflito é a manutenção da base naval no porto de Tartus, que Moscovo considera essencial para a manutenção da influência do país no Mediterrâneo.
Presidente da Síria, Bashar al-Assad e o Presidente Russo, Vladimir Putin
Em apoio ao regime sírio, o governo russo teria enviado enormes quantidades de armas pequenas e pesadas e até helicópteros de combate para reforçar as forças de Bashar al-Assad. Os russos também dariam apoio técnico, logístico e financeiro ao regime.

Em setembro de 2015, foi anunciado que as forças armadas russas estavam a montar uma base militar na Síria, com pessoal e equipamento, com o propósito de apoiar melhor e até lutar ao lado das forças do presidente Assad.

Esta foi a primeira vez que tinha sido confirmado a presença de militares da Rússia na frente de combate sírio. O objetivo desta tropa seria apoiar o governo sírio na luta contra os militantes do autoproclamado Estado Islâmico e da oposição, que tinham ganhado terreno até aquele momento. Apenas nos primeiros seis meses da campanha aérea e naval, mais de 4500 pessoas morreram, a maioria combatentes islamitas.

A Liga Árabe, a União Europeia, as Nações Unidas e vários governos ocidentais condenaram a violência no país e a repressão do regime sírio, apoiando o direito de liberdade de expressão do povo.

Vários governos ocidentais, em especial os EUA e membros da União Europeia, impuseram pesadas sanções económicas unilaterais contra a Síria num esforço para enfraquecer o governo da Síria. O efeito deste obstáculo financeiro das potências é inconclusivo, com países como o Irão a doar bilhões de dólares ao governo sírio.

A China e a Rússia também demonstram apoio financeiro ao governo de Assad e se posicionam oficialmente contra qualquer tipo de imposição de sanções internacionais ao país.

Em meados de agosto de 2016, o governo da Turquia anunciou que, em resposta, a uma série de atentados contra o seu território, lançaria operações militares para livrar a região de fronteira síria-turca da presença de militantes do Estado Islâmico.

A 24 de agosto, apoiados por aviões dos EUA e rebeldes sírios, as forças armadas turcas lançaram uma grande operação na área da cidade de Jarablos, no norte da província de Alepo. Dezenas de veículos blindados e meios aéreos atacaram posições de terroristas islâmicos na região, segundo autoridades da Turquia. Vários militandes do Estado Islâmico foram mortos. Isto marcou a primeira ação militar turca direta na Síria desde novembro de 2015.

No começo de 2017, os EUA intensificaram os seus bombardeamentos na Síria. Foi reportado também um aumento do número de civis mortos. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou uma mudança de estratégia e disse ter pedido ao Pentágono que apresentasse, em 30 dias, um novo plano de batalha para derrotar o Estado Islâmico mais rápido.

A 4 de abril de 2017, um grande ataque com armas químicas aconteceu na cidade de Khan Shaykhun, no sul da província de Idlib. Entre 70 a 100 pessoas terão morrido, e outras 500 ficaram feridas. Uma investigação feita sugeriu que, provavelmente, o gás Sarin tenha sido utilizado, principalmente devido aos sintomas apresentados pelas vítimas. A Comunidade Internacional e a oposição síria culparam o regime de Bashar al-Assad pelo incidente.

O governo sírio, por sua vez, apoiado pela Rússia, acusou a oposição pelo mesmo crime. Três dias depois, seguindo ordens do presidente dos EUA, dois navios da marinha dos EUA, estacionados na costa do Mediterrâneo, dispararam entre 50 a 60 mísseis BGM-190 Tomahawl contra uma base da força aérea síria na cidade de Shayrat, na província de Homs.

O objetivo do bombardeamento teria sido atingir alvos de importância militar do regime sírio, principalmente plataformas de defesa aérea, hangares e depósitos de combustível. Este foi o primeiro ataque intencional na guerra lançado pelos EUA contra o governo sírio.

A França e os EUA estão em sintonia quanto ao envolvimento militar na Síria, que só terminará “no dia em que a guerra contra o Daesh for concluída”, declarou o presidente francês, Emmanuel Macron.
Emmanuel Macron, Presidente da França
“Temos um único objetivo militar: a guerra contra o ISIS (Estado Islâmico)”, afirmou Macron.

“Tenho motivos para dizr que os EUA, porque decidiram connosco essa intervenção, perceberam inteiramente que a nossa responsabilidade ia além da luta contra o Daesh e que também era uma responsabilidade humanitária e uma responsabilidade de longo prazo para construir a paz”, acrescentou Macron.

A Casa Branca anunciou, em abril de 2018, num comunicado, que as tropas norte-americanas na Síria deveriam regressar o “mais rápido possível”, algumas horas depois do presidente francês afirmar que tinha convencido o homólogo dos EUA “a permanecer” na Síria, na sequência dos ataques dos EUA, da França e do Reino Unido na madrugada de sábado (14 de abril).

Em comunicado, a Casa Branca disse estar “determinada a esmagar completamente” o grupo extremista Estado Islâmico e a criar condições que “impeçam o seu regresso”.

Os EUA, a França e o Reino Unido, realizaram a 14 de abril de 2018, uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo sírio.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.


O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à “ação monstruosa” realizada pelo regime de Damasco contra a oposição, numa referência ao alegado ataque com armas químicas contra a cidade rebelde de Douma, ocorrido no dia 7 de abril e que terá provocado 40 mortos e afetado outras 500 pessoas.


Outros post's relacionados com a Síria:
- A Síria - Enquanto País: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-enquanto-pais.html
- A Síria - O Presidente: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-o-presidente.html
- A Síria - A Primeira-Dama: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-primeira-dama.html
- A Síria - A Guerra Civil: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-guerra-civil.html
- A Síria - Os Refugiados: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/siria-os-refugiados.html


MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.