sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Descendente de Auschwitz contra a Manifestação Neonazi

Danuta Danielsson ataca um neonazi, em 1985
Foto: "A Mulher com a Mala" de Hans Runesson
Fonte: Medium

Uns quantos neonazis do Partido Nórdico do Reich marcharam pelas ruas da pequena cidade sueca Växjö. Quem passava na rua parou para ver o que se passava, com olhar de desconfiança e de reprovação.

Subitamente mesmo no meio de uma praça, Damuta Danielsson, de 38 anos e de origem judaico-polaca, avança resolutamente e, com a sua mala, desfere um golpe na cabeça de um dos neonazis.

Isto aconteceu a 3 de abril de 1985 e o momento ficou registado para a posteridade graças ao fotógrafo Hans Runesson.

O neonazi atingido, Seppo Seluska, acabou um ano depois por ser condenado por homicídio e tortura de um judeu homossexual.

O Partido Nórdico do Reich foi fundado em 1956 e chegou a concorrer a eleições legislativas, mas teve poucos votos, ficando de fora do órgão legislativo sueco. Em 2009, o partido dissolveu-se.

A mãe de Danuta tinha sido prisioneira de um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial e o ódio, ainda tão presente, ao nacional-socialismo não permitia marchas deste género nas ruas europeias.

A mãe de Danuta sobreviveu ao campo de Auschwitz, mas o que sofreu perdurou na vida familiar.

Danuta acabou deprimida e isolada em casa, onde suicidou-se em 1988, aos 41 anos de idade. Diz-se que Danuta não conseguiu lidar com o escrutínio público e publicidade que a fotografia causou.

O fotógrafo Hans Runesson chegou a afirmar que a mulher se terá imediatamente arrependido da sua ação, mas ninguém o conseguiu confirmar. A verdade, no entanto, é que Danuta Danielsson nunca comentou publicamente o que fez.

A sua imagem tornou-se internacionalmente conhecida e gerou o debate sobre se a violência nas ruas era justificada contra os neonazis.

Em 2014, a escultora sueca Susanna Arwin fez uma pequena estátua de Danuta Danielsson a bater no neonazi e queria fazer uma versão em tamanho real para colocar na praça. No entanto, a Câmara Municipal da vila recusou colocá-la na praça onde tudo aconteceu, declarando que a estátua pudesse ser interpretada como a glorificação da violência


Fonte: Medium

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

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