 |
| Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima - Fátima |
O Santuário de Fátima tem oficialmente o nome de Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Trata-se de um santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de Fátima, localizado na Cova da Iria, na cidade de Fátima.
 |
| Ilustração da Aparição de Nossa Senhora de Fátima aos Três Pastorinhos |
Segundo a Igreja Católica, entre março e julho de 1916 duas aparições de uma figura resplandecente aconteceu, que viria a ser denominada como o Anjo da Paz ou Anjo de Portugal.
Este Anjo apareceu a três crianças, conhecidas como "Os Três Pastorinhos", Lúcia a mais velha, e os seus dois primos, Francisco e Jacinta. As crianças teriam voltado a ver o Anjo em setembro/outubro do mesmo ano.
 |
| Três Pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta |
No ano seguinte, em 1917, os Três Pastorinhos afirmaram ter visto seis aparições de Nossa Senhora, nos dias 13 de maio, 13 de junho, 13 de julho, 13 de setembro e 13 de outubro na Cova da Iria, sendo que em agosto a aparição terá acontecido no dia 19 nos Valinhos.
A Virgem Maria ter-lhes-à pedido que se rezasse o terço todos os dias, pela conversão dos pecadores e que fosse feita penitência. Pediu também que se construiu-se uma capela em sua honra.
Na época este acontecimento teve grande repercussão, e antes mesmo da última aparição, o local já era alvo de peregrinações.
Inicialmente, o Patriarcado de Lisboa mostrou-se cauteloso na apreciação dos eventos e não autorizou de imediato a organização de um centro de culto. Apesar disso, a Capelinha das Aparições foi construída entre 28 de abril e 15 de junho de 1919.
A 6 de março de 1922, a Capelinha das Aparições foi alvo de uma explosão praticada por desconhecidos e ficou parcialmente destruída. Embora tenham sido colocados explosivos em cada canto da pequena capela, em todas as cargas detonaram, contribuindo para a ideia popular de que o local estaria protegido. A capela foi reconstruída no mesmo ano e protegida por um muro em torno do recinto.
O local original era isolado e a autoridade eclesiástica iniciou a construção de locais na área destinados a facilitar o acesso e promover o conforto dos peregrinos, como tendas para venda de água e alimentos e alguns artigos religiosos.
Foram feitos planos para a urbanização da zona envolvente da capela, incluindo a construção de um albergue para peregrinos doentes, uma fonte coberta por uma abóbada e uma avenida desde a entrada do recinto, ladeada por uma Via Sacra. Ao mesmo tempo iniciou a organização das romarias, surgindo as procissões das velas e do adeus.
A 13 de maio de 1928 é lançada a primeira pedra para a construção da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, seguindo um projeto de Gerardus Samuel van Krieken.
A 26 de junho de 1928, o Bispo de Leiria preside pela primeira vez a uma cerimónia oficial na Cova da Iria.
Prevendo-se a futura ampliação do complexo, iniciam-se esboços mais consistentes de um ordenamento urbanístico e arquitetónico da área, elaborados por Luís Cristino da Silva e Ernesto Korrodi, que criaram uma planta urbanística geral baseada na forma da cruz.
Para a Cova da Iria, António de Aguiar e José de Lima Franco criaram outro projeto, mas também esses planos não foram implementados na sua totalidade, continuando o santuário a crescer desorganizadamente.
Surge uma capela para missas e equipamentos de assistência hospitalar e apoio a retiros.
A 13 de outubro de 1930, o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, após o encerramento do processo canónico iniciado em 1922, declarou as aparições da Virgem Maria em Fátima como dignas de crédito e aprovou o culto mariano sob a invocação de "Nossa Senhora do Rosário de Fátima".
 |
| Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva |
Em 1942, o 25.º Aniversário das Aparições é celebrado com uma grande peregrinação.
A 13 de maio de 1982, o Papa João Paulo II faz a sua primeira visita ao santuário para agradecer à Virgem ter sobrevivido à tentativa de assassinato a 13 de maio de 1981. A 13 de maio de 2000, o Papa João Paulo II faz a sua última visita a Fátima para a cerimónia de beatificação dos Pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Aí se encontra pela última vez com a Pastorinha e agora Irmã Lúcia.
 |
| Papa João Paulo II e a Irmã Lúcia |
O último dos Pastorinhos vivos, a Irmã Lúcia morre a 13 de fevereiro de 2005, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra. A 19 de fevereiro do ano seguinte os seus restos mortais são transladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, onde é sepultada junto dos seus primos.
Na altura do 90.º Aniversário das Aparições, a 12 de outubro de 2007, é inaugurada a Basílica da Santíssima Trindade pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone.
A 12 e 13 de maio de 2010, o Papa Bento XVI visita o Santuário de Fátima por ocasião do 10.º Aniversário da Beatificação dos Pastorinhos Jacinta e Francisco.
Em 2014 o Vaticano autorizou o Santuário a expor ao público pela primeira vez a carta manuscrita de Lúcia em que revela a terceira parte do Segredo de Fátima.
Segundo a Irmã Lúcia, a 13 de julho de 1917 Nossa Senhora teria revelado um segredo constituído por três partes, de carácter profético. As duas primeiras foram reveladas em 1941, num documento manuscrito por Lúcia. A terceira parte foi escrita também por Lúcia a 3 de janeiro de 1944, por ordem do Bispo de Leiria, José Alves Correia da Silva, que o guardou, em envelope selado, no seu arquivo. A 4 de abril de 1957, o envelope foi entregue ao Arquivo Secreto do Santo Ofício, onde ficou guardado. Quando a Irmã Lúcia entregou o envelope selado ao Bispo de Leiria, tinha escrito no envelope exterior que podia ser aberto apenas em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.
Este texto foi lido pelos Papas João XXIII e Paulo VI, que decidiram não publicar. O Papa João Paulo II, pediu o envelope com a terceira parte do segredo após o atentado que sofreu a 13 de maio de 1981. Finalmente a 13 de maio de 2000, durante a sua visita a Portugal, o Papa João Paulo II, por meio de seu Secretário de Estado, Cardeal Angelo Sodano, divulgou no Santuário de Fátima parte do conteúdo da terceira parte do Segredo.
O Santuário de Fátima conta com o Museu do Santuário de Fátima, fundado em 1955. Através das exposições permanentes do Museu - Fátima Luz e Paz e Casa-Museu de Aljustrel, e das exposições temporárias, o Santuário de Fátima oferece aos peregrinos e outros visitantes uma interpretação dos testemunhos materiais relacionados com a mensagem de Fátima, com o desenvolvimento do próprio Santuário e com a difusão do Culto de Nossa Senhora de Fátima no Mundo.
A Casa-Museu de Aljustrel foi inaugurada em 1992 com o intuito de mostrar a vivência da aldeia de Aljustrel ao tempo das aparições, a Casa-Museu de Aljustrel está ao lado da casa da família da Irmã Lúcia.