sábado, 18 de janeiro de 2020

Homossexuais influentes na História

No post anterior falámos da homossexualidade ao longo da história. Pode ser visto aqui: https://imagenschistoria.blogspot.com/2020/01/homossexualidade-na-historia.html

No post de hoje falaremos de pessoas homossexuais que foram influentes ao longo da história, quer na causa LGBT ou em outros temas. Com este post pretende-se mostrar que para além de sempre ter havido pessoas homossexuais (como tivemos "provas" no post anterior) mas que são pessoas praticamente normais e aptas para grandes causas.

O conceito de homossexualidade não existia, por milhares de anos, o amor entre duas pessoas do mesmo sexo era natural. Muitos dos deuses de mitologias antigas nem tinham sexo definido, e o sexo para a procriação só surgiu com o Cristianismo.

Com o decorrer dos séculos muitas das personagens que mudaram o rumo da história eram homossexuais. Muitos deles foram aceites pelo seu tempo, outros não foram aceites. E alguns deles não deixaram muito claro a sua orientação sexual.

Vamos então conhecer algumas destas pessoas, que simplesmente eram homossexuais e que foram fundamentais para a História:

Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.)

Sócrates
Fonte: Infopédia
Filósofo grego, viveu na Grécia onde era normal homens mais velhos manterem relações sexuais com homens mais novos.
Chegou a declarar que o sexo anal era a sua melhor fonte de inspiração e que as relações heterossexuais serviam apenas para a procriação.
Defendia a investigação e o diálogo para se chegar à verdade e foi tutor de outro grande filósofo, Platão.

Alexandre, o Grande (356 a.C. - 323 a.C.)

Alexandre, o Grande
Fonte: Infopédia
O conquistador Alexandre, o Grande, também se apaixonou por um homem. O seu amante era Heféstio, o seu braço direito e ocupante de um importante posto no exército. Quando morreu Heféstio, Alexandre entrou em desespero e durante vários dias não comeu nem bebeu nada. Mandou realizar um funeral majestoso, os preparativos foram tantos que a cerimónia só pôde ser realizada seis meses depois da morte, Alexandre conduziu a carruagem fúnebre e decretou luto oficial no seu reino.

Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.)

Júlio César
Fonte: Aventuras na Historia
Aos 19 anos, Júlio César teve um relacionamento com o rei Nicomedes IV da Bitínia.

Ricardo, Coração de Leão (1157-1199)

Ricardo, Coração de Leão
Fonte: Wikipédia
As aventuras homossexuais deste rei inglês eram notórias na altura. Um dos seus casos, quando ele ainda era Duque da Aquitânia foi com outro nobre, rei Filipe II da França.
Uma crónica da altura afirma: "Comiam os dois todos os dias à mesma mesa e no mesmo prato. E à noite as suas camas não os separavam. E o rei da França amava-o como a própria alma".

Outros monarcas europeus como Henrique III da França e Jaime IV da Escócia e I da Inglaterra, também tiveram vários amantes homens.

Leonardo Da Vinci (1452-1519)

Leonardo Da Vinci
Fonte: Wikipédia
Foi dos maiores génios da história da humanidade. A sua versatilidade e talento são incontestáveis. Leonardo Da Vinci foi cientista, engenheiro, anatomista, botânico, inventor, pintor, entre outras coisas.
Com base em registos históricos e escritos pessoais, os biógrafos de Leonardo Da Vinci deduzem que ele teria sido homossexual. Leonardo passou por um tribunal depois de ser acusado de sodomia com um prostituto, mas a acusação não seguiu adiante.

Oscar Wilde (1854-1900)

Oscar Wilde
Fonte: The British Library
O dramaturgo irlandês foi casado e teve dois filhos, mas também teve vários casos homossexuais.
O seu caso mais marcante foi com o Lord Alfred Douglas, com quem tinha o hábito de procurar jovens operários para sexo.
O pai do seu amante, John Douglas, Marquês de Queensberry, acusou Oscar Wilde de sodomia, o escritor processou o Marquês por difamação e arruinou-se, foram três julgamentos e o Marquês tinha provas de sodomia contra ele. Oscar foi condenado a dois anos de trabalhos forçados. Oscar morreu pouco tempo depois de sair da prisão.

Ernst Röhn (1887-1934)

Ernst Röhn
Fonte: History Ireland
Foi um homossexual assumido e um dos braços direitos de Adolf Hitler e um dos responsáveis pelo crescimento do movimento nazi na Alemanha, nos anos 1920/30.
Devido à sua orientação sexual, o Oficial tinha muitos inimigos dentro do Partido, e a relação com o líder nazi, Hitler, também foi afetada quando o líder nazi achou que a relação de ambos podia levantar suspeitas sobre a sua própria orientação sexual, afastou Ernst e matou-o.

Alan Turing (1912-1954)

Alan Turing
Fonte: Wikipédia
Foi um matemático, filósofo e foi considerado o pai da ciência computacional e da inteligência artificial.
Apesar da sua mente e da grande ajuda que deu ao governo britânico ao decifrar a comunicação codificada dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, o seu nome foi ignorado quando se descobriu que ele era homossexual, algo que era considerado crime no país.

Harvey Milk (1930-1978)

Harvey Milk
Fonte: History.com
Era o representante distrital de São Francisco foi o primeiro homossexual assumido a vencer uma eleição nos EUA. Numa sociedade conservadora na década de 60, ele discursava a favor da liberdade e tentava dar esperança aos homossexuais. O seu ativismo foi importante na luta LGBT.
Onze meses após ser eleito conseguiu aprovar uma lei sobre os direitos dos homossexuais de São Francisco. Foi assassinado um ano depois de ser eleito.


Fonte(s):
Canal de Youtube Canal Meia Dúzia

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Homossexualidade na História

Atualmente a questão homossexual tem sido muito falada, seja pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, pelo direito de adotarem crianças, em suma pela luta dos seus direitos.

Quando se fala em direitos é sempre algo controverso, quando há pessoas que dizem "então não somos todos iguais", seja quando se fala em direitos entre homens e mulheres ou entre heterossexuais e homossexuais. Para mim eles são pessoas como outras quaisquer.

Não querendo ofender ninguém para mim, não deveria existir as chamadas paradas gays (LGBT) porque não deveríamos que ter que nos expor, expondo a nossa sexualidade para mostrar que somos pessoas normais, porque eu não sinto essa necessidade enquanto heterossexual de o fazer, no entanto percebo que tenham que fazer realmente para mostrarem que são normais, que não é uma doença, que simplesmente é algo que nasce com eles como nasceu comigo gostar do sexo masculino. (Espero não ter sido muito confusa 😁)

Apesar de haver uma maior aceitação (ridículo alguém ter que procurar aceitação por qualquer coisa que seja, mas é a sociedade que temos, esperemos que mude), ainda nem todos os locais do mundo vêem a homossexualidade como algo natural.

Mas no post de hoje falaremos da história da homossexualidade, porque apesar de dizerem "no meu tempo não havia nada 'disto'" CLARO que sempre houve!
Bandeira LGBT
Fonte: Superinteressante
Na gruta paleolítica de Gorge D'enfer, em Dordonha, na França (12 mil a.C.), conserva-se pinturas e artefactos homo-eróticos entre dildos duplos e outros brinquedos sexuais lésbicos.
1ª Imagem: Gruta Gorge D'enfer
2ª e 3ª Imagens: Artefactos sexuais descobertos na Gruta Gorge D'enfer
Nas tribos das ilhas da Nova Guiné, Fiji e Salomão, no oceano Pacífico, cerca de 10 mil anos atrás já se exercitavam algumas práticas homossexuais como forma de ritual.

Os melanésios acreditavam que o conhecimento sagrado só poderia ser transmitido por meio do coito entre duplas do mesmo sexo. No ritual, um homem vestido de mulher representava um espírito dotado de grande alegria e os seus modos não eram muito diferentes dos de um espetáculo de Drag Queen atual.

A rocha mesolítica Addara, na Sicília, em Itália (5 mil a.C.) sugere uma representação homo-erótica, onde homens e mulheres dançam ao redor de duas figuras masculinas em ereção.

A mais antiga epopeia conhecida, conta a história de amor do rei Gilgamesh da cidade D'uruk e do seu amado Enkidu. O livro contém as mais antigas referências ao dilúvio. Data de 2750 a.C. na Suméria.
Ilustração ao amor do rei Gilgamesh e Enkidu
Fonte: Revista Livros Abertos
Khnumhotep e Niankhkhnum, aios do Faraó Niuserré, são o mais antigo casal egípcio do mesmo sexo conhecido. Os seus nomes conjugados significam "Juntos na Vida, Juntos na Morte". Esta inscrição está no seu túmulo, junto das pirâmides. Data de 2400 a.C. no Egito.
Khnumhotep e Niankhkhnum
Fonte: Tour Egypt
Um dos mais antigos e importantes conjuntos de lei do mundo, feito pelo Imperador Hammurabi na antiga Mesopotâmia, por volta de 1750 a.C., contém alguns privilégios que deveriam ser dados aos prostitutos e prostitutas que participavam em cultos religiosos. Eles eram sagrados e tinham relações com os homens devotos dentro dos templos da Mesopotâmia, Fenícia, Egito, Sicília e Índia, entre outros locais. Herdeiras do Código de Hammurabi, as leis hititas chegam a reconhecer uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Vamos recuar agora até à Antiguidade Clássica. O herói Aquiles e o seu amado Pátroclo terão sido companheiros na Guerra de Tróia. Quando Pátraclo morre, é vingado por Aquiles. Quando Aquiles morre, é enterrado junto de Pátroclo.
Aquiles ata o ferimento no braço de Pátroclo
Fonte: Wikipédia
Na Grécia, por exemplo, o envolvimento entre pessoas do mesmo sexo chegava, em certos casos, a ter uma função pedagógica. Em Atenas, os filósofos envolviam-se sexualmente com os seus aprendizes como instrumento pelo qual se estreitavam as afinidades afetivas e intelectuais de ambos. Para a educação dos jovens atenienses, esperava-se que os adolescentes aceitassem a amizade e os laços de amor com homens mais velhos, para absorverem as suas virtudes e os seus conhecimentos de filosofia. Após os 12 anos, desde que o menino concordasse, transformava-se num parceiro passivo até por volta dos 18 anos, com a aprovação da sua família. Normalmente, aos 25 anos tornava-se um homem e ai esperava-se que assumisse o papel ativo.
Prática de pederastia comum na Grécia Antiga
Fonte: Wikipédia
A este tipo de relação dava-se o nome de Pederastia, que era o relacionamento erótico entre um homem e um menino. Por extensão de sentido, foi um termo bastante utilizado para designar até então a homossexualidade enquanto doença psicológica.

O filósofo grego Sócrates pregava que o coito anal era a melhor forma de inspiração e o sexo heterossexual, por sua vez, apenas servia para procriar.
Filósofo Sócrates
Fonte: Alunos Online
Platão, filósofo grego, defendeu publicamente que apenas o amor homossexual pode conferir ao homem grego a plenitude do seu potencial intelectual.
Filósofo Platão
Fonte: InfoEscola
Invencível durante 40 anos, o Batalhão Sagrado da cidade de Tebas era composto exclusivamente por 150 casais homossexuais. A sua invencibilidade comprovou a filosofia de Platão, que defendia que a fidelidade e bravura em combate seriam tão maiores, quão mais fortes fossem as relações de afecto entre os companheiros guerreiros - Datado de 378 a.C.
Batalhão Sagrado de Tebas
Fonte: A Busca pela Sabedoria
Em 336 a.C. (Grécia) Alexandre, o Grande e o seu amado companheiro de vida e batalhas Heféstio (ambos alunos de Aristóteles) expandem largamente o Império da Macedónia.
Alexandre, o Grande (esquerda) e Heféstio (direita)
Já em Roma, a pederastia era vista com bons olhos, enquanto a relação entre dois homens da mesma idade era motivo de reprovação.

Em 80 a.C (Itália)., aos 20 anos, o Ditador Romano Júlio César ter-se-á enamorado por Nicomedes IV, o rei da Bitínia.
Ditador Romano Júlio César (esquerda) e o seu amante Nicomedes IV, rei da Bitínia (direita)
Augusto, o primeiro Imperador Romano, reconhece oficialmente os primeiros casamentos entre casais do mesmo sexo (27 a.C. - Itália).
Primeiro Imperador Romano, Augusto
No ano de 54 d.C. (Itália), Nero, o quinto Imperador Romano, casa-se com o aio Sporus. O senado romano desaprova a união devido às humildes origens do rapaz.
Imperador Romano Nero
Fonte: Wikipédia
O judaísmo pregava que as relações sexuais tinham como única função a de procriação. Até ao início do séc. IV, essa ideia, foi restrita à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam. Nesta altura o Imperador Romano Constantino converteu-se à religião cristã e, consequentemente, o cristianismo tornou-se obrigatório no maior império do mundo. Como o sexo passou a ser encarado apenas como uma forma de gerar filhos, a homossexualidade tornou-se algo anormal.

Em 342, na Itália, o 59º Imperador Romano, Flávio Constâncio II, retira o direito ao casamento aos casais do mesmo sexo.
Imperador Romano Flávio Constâncio II
Fonte: Wikipédia
Data de 388 o Massacre de Tessalónica, cidade grega, consistiu na morte de 500 gregos, entre filósofos, professores e soldados pagãos homossexuais que se revoltaram contra o 67º Imperador Romano, Teodósio I, que decretou pena de morte a quem praticasse actos homossexuais. A homossexualidade tornou-se então ilegal e levava à fogueira.
Imperador Romano Teodósio I
Fonte: Império Romano
O primeiro texto de lei que proibia sem reservas a homossexualidade foi promulgado mais tarde, em 533, pelo Imperador cristão Justiniano. Este vinculou todas as relações homossexuais como adultério, para o qual se previa a pena de morte.
Imperador cristão Justiniano
Fonte: Wikipédia
Mais tarde, em 538 e 544, outras leis obrigavam os homossexuais a arrependerem-se dos seus pecados e a fazerem penitência.

Em 589, os visigodos conquistaram quase toda a Península Ibérica, converteram-se ao cristianismo e perseguiram homossexuais e judeus. 100 anos depois, o rei visigodo Flávio Égica decreta a castração e o exílio aos homossexuais.

Com o nascimento e expansão do islamismo, a partir do séc. VII, junto com a força cristã, reforçaram a teoria do sexo para procriação.

Em 711, os árabes conquistaram o sul da Península Ibérica e revelaram-se tolerantes à homossexualidade e cultivavam a poesia lésbica e homo-erótica na Andaluzia.

Desta forma, desde o final do Império Romano, várias ações de réis e clérigos tentaram suprimir a homossexualidade.

Em 1069, Al-Mu'tamid, rei árabe nascido em Beja, apaixona-se pelo poeta Ibn Ammar e concede-lhe o cargo de primeiro-ministro, no Reino de Sevilha.
Ibn Ammar
Fonte: Escritas.org
Em 1102 o consílio de Londres confirma a homossexualidade como pecado perante o povo britânico.

Em 1260, na França, no reinado de Luís IX, a França castra e queima os homossexuais. Lésbicas são mutiladas e igualmente executadas.
Rei Luís IX da França
Fonte: Medium
Durante muito tempo, até meados do séc. XIV, no entanto, embora a fé condenasse os prazeres da carne, na prática os costumes permaneciam os mesmos. A Igreja viu-se, a partir daí, diante de uma série de crises. Os católicos assistiram horrorizados à conversão ao protestantismo de diversas pessoas após a Reforma de Lutero. E, com o humanismo renascentista, os valores clássicos, e assim, o gosto dos antigos pela forma masculina, voltaram à tona.

Pintores, escritores, dramaturgos e poetas celebravam o amor entre homens. Além disso, entre a nobreza, que costumava ditar moda, a homossexualidade sempre correu solta. E, o mais importa, sem censura alguma. Ficaram notórios os casos homossexuais de monarcas como o inglês Ricardo, Coração de Leão.
Rei Inglês Ricardo, Coração de Leão
Fonte: Último Segundo
Em 1307, o poeta italiano Dante escreve "A Divina Comédia", onde crítica a visão do mundo da Idade Média e descreve o inferno como sendo o lugar dos homossexuais.

Ainda assim, ao longo da Idade Média, existem vários relatos de representantes da nobreza que tiveram casos com parceiros(as) do mesmo sexo.

Em 1327, o rei inglês, Eduardo II ter-se-à apaixonado pelo Conde Piers Gaveston. Ambos foram assassinados pelo facto do seu amor ser escandaloso aos olhos da nobreza britânica.
Grande Selo do rei Eduardo II de Inglaterra (esquerda) e o Conde Piers Gaveston
No curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra assolou a Europa e matou 25 milhões de pessoas. Como ninguém sabia a causa da doença, a especulação ultrapassava os limites da saúde pública e alcançava os costumes. O "pecado" em que viviam os homens passou a ser apontado como a causa dela e de diversas outras catástrofes, como fomes e guerras. Judeus, hereges e homossexuais tornaram-se a causa dos males da sociedade. Não havia outra solução a não ser a erradicação desses grupos.

Medidas foram tomadas. Em Florença, por exemplo, a sodomia (relação sexual anal entre um homem e outro, e sexo anal entre homens e mulheres) foi proibida em 1432, com a criação dos Ufficiali di Notte (agentes da noite). Resultou em 70 anos de perseguição aos homens que mantinham relação homossexuais. Entre 1432 e 1502, mais de 17 mil pessoas foram incriminados e 3 mil condenados por sodomia, numa população de 40 mil habitantes.

Em 1476, Leonardo Da Vinci é acusado de ter cometido atos homossexuais. O seu julgamento não obteve veredito final.
Leonardo Da Vinci
Fonte: CartaCapital
Em 1483, a Inquisição espanhola castra e queima homossexuais. Durante 160 anos mais de 1600 pessoas foram perseguidas, acusadas de atos homossexuais.

Em 1532, o rei de Portugal, D. João III decreta que os atos homossexuais levaram à pena de morte em toda a extensão do Império Português. Também houve a consequente repressão da homossexualidade dos nativos brasileiros e africanos.
Rei D. João III de Portugal
Fonte: História de Portugal
Em 1553, a Inquisição portuguesa queima homossexuais em Portugal e nas colónias. A Ribeira das Naus era o local de encontro entre os homens amantes.

Em 1652, o sacristão algarvio Francisco Correia Neto (de Silves) foi denunciado por escrever cartas de amor dirigidas a homens. O padre António Antas Barreto (de Barcelos) escrevia e dormia com um jovem frade de Guimarães.

Em 1791 com a Revolução Francesa, a França despenaliza os atos homossexuais. Em 1811, a Holanda despenaliza os atos homossexuais, antecedida pelo Luxemburgo.

Leis duras foram feitas em vários países europeus. Na Inglaterra, no séc. XIX começou com o enforcamento de vários cidadãos acusados de sodomia. E entre 1800 e 1834, 80 homens foram mortos. Apenas em 1861, o país aboliu a pena de morte para os atos de sodomia, substituindo-a por uma pena dez anos de trabalhos forçados.

Em 1871 a homossexualidade era considerada crime através do famoso "Parágrafo 175", na Alemanha, assim como na Rússia e na Polónia.

Em 1895, o escritor Oscar Wilde é condenado a dois anos de prisão por atos homossexuais. Antes de morrer definiu a homossexualidade, como a forma mais perfeita de amor e afeto.
Oscar Wilde
Fonte: Encyclopedia Britannica
Em 1897, o alemão Magnus Hirschfeld funda o primeiro grupo de reivindicação dos direitos dos homossexuais, tal como na Inglaterra por George Cecil Ives.
Magnus Hirschfeld
Fonte: The Gender Speaker
George Cecil Ives
Fonte: Wikipédia
Ainda no séc. XIX, com a efervescência das teorias biológicas e o auge da razão como verdade absoluta, teorias queriam dar uma explicação científica para a homossexualidade.

A preocupação científica com os homossexuais começou no séc. XIX. A expressão "homossexual" foi criada em 1848, pelo psicólogo alemão Karoly Maria Benkert. A definição dada foi "além do impulso sexual normal dos homens e das mulheres, a natureza, do seu modo soberano, dotou à nascença certos indivíduos masculinos e femininos do impulso homossexual (...). Esse impulso cria de antemão uma aversão direta ao sexo oposto".
Psicólogo Karoly Maria Benkert
Em 1897, o inglês Havelock Ellis publicou o primeiro livro médico sobre a homossexualidade em inglês, "Sexual Inversion" (PT: "Inversão Sexual"). Como muitos da sua época, Havelock defendia a ideia de que a homossexualidade era congénita e hereditária. A opinião científica, médica e psiquiátrica vigente era de que a homossexualidade era uma doença resultante de anormalidade genética associada a problemas mentais na família.
Havelock Ellis (esquerda) e o seu livro "Sexual Inversion" (direita)
Já no séc. XX, em 1907, na Alemanha, aconteceu um escândalo militar, o caso amoroso entre o príncipe Filipe D'eulenburg e o General Kuno Graf von Moltke. O processo jurídico por atos homossexuais quebrou o secretismo militar e desvendou uma série de outras figuras homossexuais próximas do Imperador alemão Guilherme II da Prússia.
Príncipe Filipe D'eulenburg (esquerda) e o General Kuno Graf von Moltke
No séc. XX, a lobotomia cerebral foi declarada como uma solução cirúrgica para que quisessem se "livrar" da homossexualidade. A lobotomia desenvolvida pelo neurocirurgião português António Egas Moniz, que chegou a ganhar o Prémio Nobel da Medicina em 1949, consistia numa técnica cirúrgica que cortava um pedaço do cérebro dos doentes psiquiátricos, mais precisamente nervos do córtex pré-frontal.
António Egas Moniz e Lobotomia
Fonte: A mente é maravilhosa
Na Suécia, 3 mil homossexuais foram lobotomizados. Na Dinamarca foram 3500 pessoas, cuja última cirurgia foi feita em 1981. Nos EUA, cidadãos portadores de "disfunções sexuais" lobotomizados chegaram às dezenas de milhares. O tratamento médico era feito porque a homossexualidade passou a ser vista como uma doença, uma espécie de defeito genético.

Vários grupos lutavam pelo fim da discriminação e a abolição da classificação científica que classificava a homossexualidade como doença.

Em 1923, o governador civil de Lisboa apreende obras homo-eróticas dos poetas:
- António Botto - "Canções"
- Judite Teixeira - "Decadência"
- Raul Leal - "Sodoma Divinizada"
Poetas António Botto (esquerda), Judite Teixeira (centro) e Raul Leal (direita)
Em 1924, em Chicago, nos EUA, funda-se a primeira organização norte-americana de reivindicação dos direitos dos homossexuais.

Em 1925, o 7º Presidente da República Portuguesa, Manuel Teixeira Gomes, demite-se por ser acusado de escrever obras literárias de cariz homo-erótico.
7º Presidente da República Portuguesa, Manuel Teixeira Gomes
Fonte: Wikipédia
Em 1933, na época da Ditadura do Estado Novo em Portugal, tortura-se homossexuais, foram cerca de 12 mil pessoas durante 18 anos.

Em 1937, os homossexuais eram capturados pelas forças alemães nazis, eram identificados com triângulos rosa e enviados para os campos de concentração.
Homossexuais presos em campos de concentração nazis, durante a Segunda Guerra Mundial
Fonte: Esquerda Diário
A situação só começou a mudar no fim do séc. XX, quando a discussão passou a se libertar de estigmas. Em 1979, a Associação Americana de Psiquiatria finalmente tirou a homossexualidade da sua lista oficial de doenças mentais.

Na mesma altura, com o surgimento da SIDA houve novamente uma ligação negativa aos homossexuais. Já que esta doença era associada aos homossexuais, cresceu novamente o preconceito.

Em 1951, a homossexualidade é despenalizada na Grécia, tal como aconteceu até aos anos 90 na Dinamarca, Suíça, Suécia, Islândia, Uruguai, Filipinas, Panamá, Paraguai e Peru.

Em 1961, no Vaticano, todos os que sentissem homossexuais eram convidados a não se dedicarem à vida religiosa dentro da igreja romana católica.

Em 1962, Júlio Fogaça, dirigente do PCP é torturado pela PIDE (Polícia Política Portuguesa) e condenado por atos homossexuais. Foi deportado pela PIDE e expulso pelo próprio Partido Comunista Português.
Júlio Fogaça
Fonte: Diário de Notícias
Em 1969, o Bar "Stonewall Inn" em Nova Iorque (EUA) é palco de confrontos entre a polícia e LGBT's que se revoltaram contra os maus tratos policiais. Este acontecimento, marca o início do movimento de reivindicação dos direitos LGBT e inspira as marchas do Orgulho LGBT em todo o mundo, que servem tanto para celebrar a diversidade como para reivindicar a igualdade de direitos como o casamento civil e a adoção.
Bar Stonewall Inn - em setembro de 1969. Está uma placa na janela que diz: "Nós, homossexuais, advogamos, com nossa comunidade, a manutenção da conduta pacífica e calma nas ruas do Village - Mattachine
Fonte: Wikipédia - Diana Davies
Em 1972 a homossexualidade é totalmente despenalizada na Noruega, tal como aconteceu em anos anteriores no Canadá, na Hungria na Checoslováquia e em alguns estados norte-americanos.

Em 1974, em Portugal com o fim da ditadura, surgem os primeiros movimentos de reivindicação dos direitos LGBT, ainda com pouco impacto.

Em 1978, o político e ativista dos direitos LGBT Harvey Milk é assassinado. Harvey Milk foi o primeiro homem abertamente gay a ser eleito a um cargo político em São Francisco, nos EUA.
Harvey Milk
Fonte: Liberation School
Em 1979, a homossexualidade é despenalizada em Espanha. No mesmo ano é feita a Primeira Marcha Nacional Norte Americana do Orgulho LGBT em Washington D.C., nos EUA.

O primeiro país a aceitar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi a Dinamarca, em 1989. Hoje, o casamento homossexual está na lei de cerca de 30 países.
Fonte: Anajure
A Suécia é o primeiro país a legalizar as operações de mudança de sexo e o tratamento hormonal.

É despenalizada a homossexualidade em Portugal em 1982. Em 1991, o Partido Socialista Revolucionário (atual Bloco de Esquerda) formaliza o "Grupo de Trabalho Homossexual" para a luta contra o machismo, a homofobia e a discriminação.
Boletins do Grupo de Trabalho Homossexual do Partido Socialista Revolucionário "Sem Medos!"
Em 1992, a Organização Mundial de Saúde retira a homossexualidade de categoria das doença, permitindo aos homossexuais o serviço militar.

Em 1994, é descriminaliza por completo a homossexualidade, acabando com o famoso "Parágrafo 175" nazi.

Em 1995, é fundada a Associação ILGA Portugal, que luta pela melhoria da qualidade de vida e integração de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trangéneros na sociedade portuguesa.
Fonte: ILGA Portugal
Em 1997 surge o Centro Comunitário LGBT de Lisboa. É um espaço a cargo da associação ILGA Portugal que proporciona a existência de tertúlias, workshops, ciclos de cinema, atividades musicais, discussões, festas, encontros e reuniões dos vários movimentos LGBT de Portugal.

Em 1998, é assassinado nos EUA Matthew Shepard, um jovem de 21 anos, por dois rapazes que tinham ódio aos homossexuais. Matthew tornou-se um símbolo na busca da igualdade e do fim dos pré-conceitos e discriminação LGBT.
Matthew Shepard
Fonte: Kickstarter
Em 2000 é realizada em Lisboa a primeira Marcha Nacional do Orgulho LGBT.

Em 2004, o Supremo Tribunal dos EUA invalidou todas as leis estaduais que ainda proibissem a sodomia. Em Portugal proíbe-se a discriminação do indivíduo com base na orientação sexual. E em Cabo Verde despenaliza a homossexualidade.

Em 2005, Canadá e Espanha reconhecem o direito ao casamento entre casais do mesmo sexo e a possibilidade da adoção de crianças.

Uma sondagem realizada pelo Jornal Expresso revela que um milhão de portugueses é homossexual (9,9%).

Em 2006, África do Sul torna-se o primeiro país africano a legalizar o casamento homossexual.

Em 2006, uma transexual, Gisberta, é assassinada na cidade do Porto, em Portugal. E um casal de mulheres é impedido de se casar civilmente em Portugal.
Transexual Gisberta
Em 2007, na Hungria um casal de homens é vítima de agressões homofóbicas em Budapeste. Um dos homens foi baleado e a foto tirada no momento foi premiada pelo World Press Photo em 2008.

Em 2008 o Parlamento português recusa o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Partido Socialista proíbe os seus deputados (que eram mais de 50%) de votar a favor.

Em 2009, Noruega e Suécia reconhecem casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Finlândia estende o direito à adoção a casais do mesmo sexo.
Seis dos 50 estados norte-americanos legalizam o casamento homossexual.
E na Islândia elege-se a primeira chefe de governo abertamente homossexual.

Em 2010, em Portugal, Islândia e Argentina passam a permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
Primeiro casamento homossexual em Portugal. a 7 de junho de 2010, entre Teresa Pires e Helena Paixão
Fonte: TVI 24 - IOL
Reportagem da SIC Notícias (7 de junho de 2005) quando fez cinco anos de da legalização do casamento homossexual em Portugal: https://sicnoticias.pt/pais/2015-06-07-Primeiro-casamento-gay-em-Portugal-foi-ha-cinco-anos

Em 2013, o casamento passa a ser permitido no Brasil, França e Nova Zelândia.

Na Inglaterra, Escócia e País de Gales o casamento é legalizado em 2014.

Em 2017, torna-se legal na Colômbia e na Gronelândia. Em 2017, na Austrália, Malta e Ilhas Faroé.


No próximo post iremos apresentar várias pessoas LGBT que marcaram a história da humanidade.

Fonte(s):
História do mundo
Mania de história
Canal Youtube Safe Light

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Incêndio do Gran Circo

Destroços do incêndio no Gran Circo Norte-Americano
Fonte: Aventuras na História
O dia 17 de dezembro de 1961 estava quente em Niterói. Instalado na Praça do Expedicionário, o Gran Circo Norte-Americano, autoproclamado maior da América Latina, recebia mais de três mil visitantes.

No panfleto anunciaram orgulhosamente terem uma tenda do mais moderno material, o nylon, coberto por parafina para impermeabilizar.

Parafina, a matéria-prima das velas. Estava para começar o pior desastre circense de toda a História, em todo o mundo, e o pior incêndio do Brasil, com mais do dobro das vítimas do Edifício Joelma, em 1974 e da Boate Kiss, em 2013.

Dois dias antes do acidente, havia um trabalhador do circo, de nome Adilson Marcelino Alves, mais conhecido por Dequinha. Foi um dos 50 trabalhadores que o dono, Danilo Stevanovich, tinha contratado para a montagem da estrutura, mas Adilson tinha cadastro por roubo, apresentava problemas mentais e acabou por ser despedido após dois dias de trabalho.
Adilson Marcelino Alves, conhecido como Dequinha
Fonte: Wikipédia
Na véspera do incêndio, Adilson foi agredido por Maciel Felizardo, um funcionário do circo, após estes discutirem por Adilson culpar Maciel pelo seu despedimento.

Na fatídica tarde do incêndio, o ódio de Adilson acabou multiplicado ao ser barrado à entrada após tentar entrar de borla no circo.

O circo conseguiu atingir a sua lotação máxima. Três mil pessoas estavam a assistir ao espetáculo. Faltava apenas 20 minutos para o fim quando o pânico se instalou, quando a lona incendiou-se ruidosamente e os seus pedaços começaram a cair sobre as pessoas, que se empurraram em desespero, até que algumas delas não conseguissem respirar pelo aperto. A elefanta saiu disparada, atropelando quem estivesse à sua frente.

Em pouco mais de cinco minutos, a lona foi totalmente consumida pelo fogo. De imediato, 372 pessoas perderam a vida. As outras, num total oficial de 503 vítimas, morreriam depois.

Os médicos estimaram que 70% dos mortos eram crianças. Na ocasião, o episódio foi definido como "a maior tragédia circense da história" pela agência internacional de notícias Associated Press.

O que poderia ser considerado um acidente foi declarado homicídio pela polícia. Após ser barrado na entrada, Adilson juntou-se a dois amigos, José dos Santos, conhecido como Pardal e Walter Rosa dos Santos, conhecido como Bigode, para começarem a vingança.

A vingança resumiu-se a atirarem gasolina sobre a lona e acenderam o fogo.

Todos foram presos até ao final do mês de dezembro. Em outubro de 1962, Adilson foi condenado a 16 anos de prisão. Acabou por ser assassinado ao tentar fugir, em 1973, nunca ficou claro porque e quem o matou.

Pardal foi condenado a 14 anos de prisão e Bigode a 16 anos.

O então presidente, João Goulart, foi imediatamente para Niterói para acompanhar a situação. Muitas pessoas se voluntariaram para doar sangue. O caso causou uma comoção mundial, com doações vindas desde os EUA até ao Vaticano.

O cirurgião Ivo Pintaguy tornou-se numa celebridade, ao atender centenas de vítimas e mostrar que a cirurgia plástica não era apenas usada para vaidade. Com as técnicas por ele desenvolvidas, a cirurgia plástica no Brasil muito deveria a esta tragédia.

Caso a tenda não fosse feita de nylon e parafina, o incidente não teria tomado as proporções que teve. Mas a polícia, a imprensa e o governo, considerando a origem criminosa, não responsabilizaram Stevanovich.

Fonte: Aventuras na História

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Irmãs Assassinas Papin

Irmãs Papin
Christine Papin (1905-1937) e Léa Papin (1911-2001) eram irmãs que nasceram em Le Mans, na França.

A sua família tinha um histórico turbulento. Dizia-se que enquanto a sua mãe namorava com o seu pai, estava a ter um caso ao mesmo tempo com o seu patrão. O casal casou-se quando a mãe das irmãs, Clémence, engravidou, e cinco meses depois nasceria Emilia, a filha mais velha do Casal. Mas o marido de Clémence acreditando que ela tinha um caso com o patrão, mudou de emprego e de cidade, obrigando a família a mudar-se. Clémence disse que preferia cometer suicídio a deixar Le Mans. O casamento então começou a ter problemas.

Quando Emília tinha entre 9 e 10 anos de idade, a mãe a mandou para um orfanato católico, onde se descobriu que era vítima de abusos, então foi depois enviada para um convento onde se tornou freira.

Christine nasceu a 8 de março de 1905 e foi entregue a um casal de tios logo após o nascimento, com quem viveu até aos sete anos, quando entrou para um orfanato católico, onde acreditava ter recebido o chamado para ser freira. Clémence proibiu, obrigando a filha a procurar um emprego. Quem a conheceu descrevia Christine como uma mulher trabalhadora, boa cozinheira, mas em alguns momentos insubordinada.

Léa nasceu a 15 de setembro de 1911, foi entregue a um tio materno após o nascimento, com quem viveu até à morte do tio. Depois foi viver num orfanato católico até aos 15 anos, momento em que poderia procurar um emprego. Léa era descrita como quieta e introvertida, no entanto, muito obediente. Era considerada menos inteligente que a irmã Christine.

As irmãs tornaram-se empregadas domésticas em várias casas da cidade de Le Mans e preferiam trabalhar juntas sempre que possível.

Em 1926, arranjaram um emprego como empregadas no nº6 da rua Bruyére, na casa da família Lancelin, onde moravam René Lancelin, um procurador reformado, a sua mulher Léonie e a sua filha mais nova, Genevieve.

Alguns anos depois das irmãs começarem a trabalhar para a família Lancelin, Léonie entrou em depressão e as irmãs tornaram-se o alvo preferido das crises da patroa, ainda que fossem elogiadas pelo trabalho duro e pela limpeza. Os abusos pioraram a ponto de Léonie bater com a cabeça das raparigas contra a parede.

Na noite de 2 de fevereiro de 1933, uma quinta-feira, René Lancelin iria levar Léonie e Genevieve para jantar na casa de uns amigos. Mãe e filha saíram para fazer compras naquele dia e quando voltaram para casa à tarde, encontraram a casa às escuras. As irmãs Papin explicaram que a eletricidade tinha ido abaixo porque Christine tinha usado o ferro de passar.

Léonie ficou furiosa e atacou as irmãs no primeiro andar. Christine então acertou Léonie na cabeça com um jarro pesado. Genevieve atacou as irmãs para proteger a sua mãe. Christine reagiu atacando os olhos da jovem. E em algum momento, Christine ordenou a Léa que arrancasse os olhos de Léonie, o que ela obedeceu.

Christina foi até à cozinha e pegou numa faca e num martelo. Ao voltar para onde estavam as vítimas, o ataque continuou por cerca de meia hora.

Quando o senhor Lancelin voltou para casa, encontrou tudo às escuras. Achou que a mulher e a filha tinha já saído para o jantar e assim seguiu para a casa dos amigos sozinho. Ao chegar à residência, percebeu que a sua família ainda não tinha chegado. Voltou então a casa com o seu cunhado por volta das 19 horas, descobrindo que apenas o quarto das irmãs tinha luz. Suspeitando que algo estava errado, foram até à esquadra da polícia mais próxima e voltaram na companhia de polícias, que quando entraram na casa descobriram os corpos de Léonie e da filha.

As vítimas foram agredidas ao ponto de ficarem irreconhecíveis. Léonie teve os seus olhos arrancados e a sua écharpe estava amarrada em volta do pescoço.
Cena do crime das irmãs Papin
Um dos olhos de Genevieve foi encontrado debaixo do seu corpo e o outro perto da escada.

Inicialmente achavam que as irmãs Papin também pudessem ter sofrido o mesmo destino, o polícia continuou pelas escadas até encontrar a porta do quarto das irmãs trancada. Depois de bater e não receber resposta, arrombaram a porta. Lá dentro encontraram as irmãs nuas, abraçadas na cama, enquanto um martelo ensanguentado, com alguns fios de cabelo, estava numa cadeira ao lado delas.

Perguntadas sobre os assassinatos, elas admitiram, ainda que não soubessem dar um motivo para os terem cometido.

O facto de terem sido encontradas nuas e abraçadas na cama levou a opinião pública e a polícia acreditar que as irmãs mantinham um relacionamento lésbico e incestuoso.

Na prisão as irmãs ficaram separadas uma da outra. Christine ficou bastante irritada por não poder ver nem falar com a irmã, o que levou os polícias da prisão a permitir que as irmãs se vissem.

Em julho de 1933, Christine teria sofrido um surto onde tentou arrancar os próprios olhos, e foi colocada com um colete de forças. No julgamento, Christine admitiu ao juiz que passou por um episódio semelhante no dia dos crimes e que teria sido isso o que levou aos crimes.

O tribunal indicou três médicos para lhe fazerem testes psicológicos nas irmãs para determinar o seu estado mental. Eles concluíram que as irmãs não tinham problemas mentais e foram consideradas sãs, ainda que um relatório médico dado em setembro de 1933 indicasse um histórico de doenças mentais na família. Também acreditavam que o afeto de Christine por Léa era baseado em laços familiares e não num relacionamento incestuoso.

O júri levou apenas 40 minutos para considerarem as irmãs Papin eram ou não culpadas pelo crime. Acreditando que Léa estava sob influência da irmã no momento dos assassinatos, Léa foi sentenciada a 10 anos de prisão. Christine foi inicialmente sentenciada à morte pela guilhotina, porém a pena foi reduzida para prisão perpétua.

As irmãs foram colocadas em prisões diferentes, porém a separação de Léa levou o estado mental de Christine a deteriorar-se rapidamente. Christine tinha episódios de depressão profunda e greve de fome e assim ela foi transferida para um manicómio judiciário em Rennes, na França, onde poderia ter ajuda profissional. Continuou incapaz de comer ou beber e morreu de inanição a 18 de maio de 1937, aos 32 anos.

Léa foi libertada depois de cumprir oito anos de prisão, por bom comportamento. Após a sua liberdade, em 1941, foi morar com a mãe em Nantes, onde assumiu uma nova identidade e passou o resto da sua vida a trabalhar num hotel, como camareira.

Alguns relatos indicam que Léa teria morrido em 1982. No entanto, o cineasta Claude Ventura teria descoberto que Léa vivia num lar na França em 2000 enquanto produzia o seu filme baseado no caso. A mulher alegava ser Léa e estava parcialmente paralisada e sem condições de falar devido a um AVC. A idosa morreu em 2001.

Ainda que tenham sido declaradas sãs para o julgamento, psicólogos ainda se debatem sobre o diagnóstico. Acredita-se que as irmãs sofriam de algum tipo de desordem paranóica ou até mesmo de esquizofrenia paranóica, onde pessoas em grupo ou duplas se isolam do mundo e de outras pessoas, desenvolvendo uma paranóia compartilhada onde a personalidade dominante contra a mais fraca.

Os crimes causaram um grande impacto na França, sendo ainda hoje muito discutida pela comunidade cientifica e pela média. Alguns intelectuais chegaram a sugerir que o crime fora motivado pela luta de classes, devido à exploração das irmãs em longos períodos de trabalho, cerca de 14 horas por dia, com quase ou nenhuma folga semanal.

MZ

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Papa João Paulo II com os óculos de Bono



Papa João Paulo II a experimentar os óculos de Bono Vox, vocalista da banda irlandesa U2.

MZ

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sábado, 4 de janeiro de 2020

Máquinas de Banho

Máquinas de Banho
Fonte: Aventuras na História
No séc. XIX, durante a Era Vitoriana no Reino Unido, as etiquetas exigidas na sociedade inglesa formavam uma longa lista.

Ir à praia, o comportamento pedido às mulheres "adequadas" e de "família" era ainda mais rígido.

Nos dias de praia, as raparigas que queriam tomar banho no mar deveriam usar uma "invenção" que tinha como objetivo conter os olhares de outras pessoas, principalmente dos homens, e também para lhes dar mais privacidade.

As chamadas máquinas de banho passaram a ser muito usadas na época. Consistiam em caixas de madeira sobre altas rodas. As máquinas tinham portas na frente e a atrás, permitindo que as mulheres entrassem e saíssem da cabine. Ela também era carregada ou por um empregado ou por um cavalo.

Toda esta "ginástica" era feita para se manterem discretas. Enquanto os homens poderiam andar de forma livre na praia. Elas eram obrigadas a entrar na cabine, trocar de roupa, sair por pouco tempo e bem próxima da máquina, para depois voltar a entrar, vestir-se e sair para sua casa.

Com a lei de 1832, exigindo que homens e mulheres deveriam permanecer a pelo menos 15 metros um do outro, as máquinas foram a solução encontrada pelos banhistas. Mesmo assim, elas não funcionavam totalmente, visto que nenhuma parede separava as mulheres que estavam na "água dos homens".

Esta regra terminou oficialmente em 1901 e o uso da máquina de banho parou de ser tão frequente pelas raparigas. As cabines passariam a servir apenas como uma espécie de vestuário, desta vez para homens e mulheres que quisessem trocar de roupa nas praias britânicas.

MZ

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Monstro do Lago Ness

Monstro do Lago Ness
Fonte: Olhar Digital
Há cerca de 1500 anos a história do Monstro do Lago Ness fascina a humanidade.

Seria uma criatura gigantesca com pescoço comprido, cabeça pequena e uma ou mais "corcovas" saindo da água.

Trataria-se de uma criatura que viveria no lago localizado nas terras altas da Escócia

Apesar da longevidade da lenda, nunca houve provas da existência de Nessie, como é tratado localmente, mesmo após expedições que varreram o fundo do lago.

Várias teorias tentam explicar as aparições: uma delas supõe que a criatura seria um Plessiosauro (um réptil marinho, extinto há milhares de anos).

Para outros seria um Esturjão, peixe que pode chegar a mais de cinco metros de comprimento e duas toneladas.

Há também quem acredite que há um Tubarão na Gronelândia, que chega a medir mais de seis metros de comprimento, perdido no lago.

Mas segundo Neil Gemmell, pesquisador da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, a resposta é outra. A sua equipa recolheu e analisou amostras da água do lago à procura de restos de ADN, e relatou os resultados numa entrevista à BBC.

Nenhum ADN de Plessiosauro, ou qualquer outro réptil, esturjões ou tubarões foi encontrado. Na verdade, o que encontraram foi muito ADN de enguias, que são comuns no lago.

Segundo Gemmell: "a grande quantidade de material não nos permite descartar a possibilidade de que hajam enguias gigantes no Lago Ness. Portanto, não podemos descartar a possibilidade de que os que as pessoas vêem e acreditam ser o Monstro do Lago Ness seja uma enguia gigante".

Com ou sem monstro, o lago continua a ser uma atração turística e muito ficou a dever-se à famosa fotografia que surgiu na década de 1930 e viria a consolidar a história de quem acreditava no monstro.

O monstro teria sido fotografado pelo doutor britânico Robert Wilson, em abril de 1934.

Mas, na realidade, a foto trata-se de uma farsa de um diretor de cinema chamado Marmaduke Wetherell.

O cineasta foi enviado à Escócia pelo Daily Mail de Londres para capturar o Nessie (como o monstro é conhecido). No entanto, depois de não ter encontrado a criatura, Wetherell, que também foi ator, forjou as supostas fotografias de pegadas.

Como consequência, a mentira foi rapidamente desmascarada pelo próprio jornal, que descobriu que se tratava de pegadas de hipopótamos. Então o nome do cineasta ficou manchado.

Como vingança, o cineasta contou com a ajuda do seu filho e mais dois amigos para forjar a famosa fotografia que circula até hoje em diversos meios de comunicação.

A foto passou por várias pessoas até chegar ao ginecologista Robert Wilson, que afirmava gostar de "uma boa piada prática". 

A imagem foi vendida ao Daily Mail que afirmou ter capturado o monstro marinho.

Por melhor que tenha sido a vingança, a verdade é que o jornal ainda hoje é um jornal com alguma relevância enquanto o nome do cineasta não tem grande importância.

Fonte: Aventuras na História e Olhar Digital

MZ

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