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Imagens do incêndio do Museu Nacional do Brasil |
Foi na noite de 2 para 3 de setembro que se soube que um incêndio destruía o Museu Nacional do Brasil.
O incêndio teve início após o horário de visitas e apenas se encontravam no edifício quatro seguranças, que conseguiram sair, não havendo vítimas mortais.
Ainda não se é capaz de apurar o total de perdas, mas fala-se num valor incalculável.
Este Museu era detentor da maior coleção de história natural e antropologia da América Latina.
Possuía mais de 20 milhões de objetos catalogados, divididos em coleções de ciências naturais - geologia, paleontologia, botânica e zoologia - e antropológicas - antropologia biológica, arqueologia e etnologia.
Esta instituição remonta ao Museu Real, fundado por D. João VI de Portugal, em 1818, numa iniciativa para estimular o conhecimento científico no Brasil.
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Rei D. João VI de Portugal |
Inicialmente tinha coleções de materiais botânicos, de animais empalhados, de minerais, de numismática, de obras de arte e de máquinas.
Mais tarde, em 1819 foi anexado ao museu um Jardim Botânico, durante o governo do Imperador D. Pedro I do Brasil (IV de Portugal) e da sua segunda esposa, Imperatriz Leopoldina.
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D. Pedro I do Brasil (IV de Portugal) e D. Leopoldina |
No decorrer do séc. XIX , refletindo tanto as preferências do Imperador D. Pedro II quanto o interesse do público europeu, o Museu Nacional passou a investir nas áreas da antropologia, paleontologia e arqueologia.
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Imperador D. Pedro II do Brasil |
Depois do Imperador D. Pedro II ser deposto, em 1889, os republicanos procuraram apagar os símbolos do Império. Um destes símbolos era o Paço de São Cristóvão, a residência oficial dos imperadores, que se tornou algo que representava o poder imperial.
Então, em 1892, o Museu Nacional, com todo o seu acervo e os seus pesquisadores, foi transferido da Casa dos Pássaros para o Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, onde se encontra atualmente.
Da sua vasta coleção alguns dos principais artigos eram:
Luzia: Era uma das principais peças do museu, trata-se do fóssil humano mais antigo do Brasil. Foi encontrado em 1974, pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire. O fóssil teria 11.300 anos.
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O crânio de Luzia e a sua reconstituição facial |
Maxakalisaurus topai: Encontrava-se na sala dos dinossauros, uma das principais atrações do museu, Maxakalisaurus topai, era o primeiro dinossauro de grande porte a ser montado no Brasil. Em 2017, o dinossauro foi desmontado e guardado em caixas, depois de um ataque de térmitas, mas voltou a estar exposto em julho passado. Não esquecendo que o museu detém de uma das mais importantes coleções paleontológicas da América Latina.
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Maxakalisaurus topai exposto no Museu Nacional do Brasil |
Meteorito Bendegó: Ainda não se sabendo do total de perdas, este poderá ser um dos poucos artigos do museu que poderá ter resistido às chamas, pois trata-se de um objeto metálico pesado, tem mais de 5200 kg. Terá sido encontrado na Bahia, em 1794.
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Meteorito Bendegó exposto no Museu Nacional do Brasil |
Sarcófago de Sha Amun en su: O Museu tem a coleção egípcia maior e mais antiga do continente. Este sarcófago é uma das principais atrações, terá sido um presente que D. Pedro II recebeu, em 1876, aquando da sua segunda visita ao Egito.
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Sarcófago de Sha Amun en su exposto no Museu Nacional do Brasil |
Trono de Daomé: Seria o trono do rei africano do Daomé (atual Benim) Adandozan (1718-1818).
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Trono de Daomé exposto no Museu Nacional do Brasil |
Coleção de arqueologia clássica: Tem 750 peças de civilizações grega, romana e etrusca, é a maior coleção do género na América Latina.
Civilizações ameríndias: A coleção tem cerca de 1800 artefactos da civilização ameríndia da pré-colombiana.
O Presidente do Brasil, Michel Temer, reagiu ao incêndio, em comunicado, considerando a perda "incalculável".
"Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia do nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para a nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros", afirmou.
MZ
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