quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Não salvem a Rainha da Tailândia

Sunandha Kumariratana
Sunandha  Kumariratana (1860-1880) foi uma rainha consorte do rei Rama V da Tailândia.

Era filha do rei Siamês Mongkut e da princesa Piam.

A rainha morreu em 1880, aos 19 anos, vítima de um decreto real absurdo, que proibia os plebeus de tocar em qualquer membro da monarquia tailandesa.

A rainha viajava de barco em direção ao seu palácio de verão, na companhia da sua pequena filha e grávida do seu segundo filho, quando uma corrente virou a sua embarcação.

Embora muitas testemunhas tenham visto a mulher e a menina a gritarem, pedindo ajuda, ninguém as socorreu, com medo de perder as suas vidas, pois estariam desafiando a ordem de não tocar em nenhum membro da realeza.

O rei Rama V ficou desolado com a perda da sua esposa e dos seus filhos, ergueu um monumento em sua homenagem e mandou anular imediatamente a lei.

Fonte: HistoryPlay

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Criação da Universidade de Stanford

Leland e Jane Stanford com o filho
Amasa Leland Stanford (1824-1893) foi um magnata e político norte-americano.

Amasa Leland casou-se com Jane a 30 de janeiro de 1850, deste casamento nasceu um filho, Leland Stanford, Jr., em 1868.

O seu filho faleceu em 1884, de febre tifóide, em Florença, na Itália, enquanto participava numa viagem pela Europa, em memória do filho, o casal fundou a Leland Stanford Junior University.

Leland terá dito à sua mulher: "Agora, todas as crianças da Califórnia serão nossos filhos".

MZ

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Série Lore: Jack Parsons e as suas Crenças

Fiz um conjunto de post's inspirados na série Lore.

Esta série, que já conta com duas temporadas, fala em cada um dos episódios de algo assustador para nós, comum dos mortais, como vampiros, fantasmas, lobisomens, em resumo, lendas e como é que estas surgiram.

Este será o último post desta série.

Jack Parsons e as suas Crenças

Jack Parsons
Fonte: Boing Boing
Jack Parsons nasceu em Los Angeles a 2 de outubro de 1914.

Filho de uma família rica e influente. Parsons tomou gosto pelas ciências ocultas ainda novo. O divórcio dos pais fez do jovem uma figura solitária e reclusa e extremamente voltada para os seus estudos e interesses ocultos, e que reprimia qualquer tentativa de intromissão nos seus trabalhos, como revelam os diários que Parsons manteve desde os seus nove anos.

Fez as suas primeiras experiências no seu próprio quintal, onde construía foguetes à base de pólvora.

Com apenas 13 anos, invocou uma entidade "com sucesso" pela primeira vez, depois de meses de tentativas frustradas e infrutíferas. Ele fazia uso de trechos do Velho Testamento, do Zohar e do Talmude, como principais fontes de pesquisa para os seus estudos. Na ocasião da primeira aparição, que Jack dizia ter sido Satã, Parsons confessa ter se acovardado diante daquele que ele tanto procurava e quando o encontrou, tremeu de medo.

Embora ele tenha apenas feito o ensino médio, Parsons e o seu amigo de infância, Ed Forman, decidiram aproximar-se de Frank Malina, um estudante de licenciatura do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e formar um pequeno grupo dedicado ao estudo de foguetes que se denominavam "Esquadrão Suícida", dada a natureza perigosa do seu trabalho.

No final da década de 1930, o Esquadrão Suicida começou a conduzir as suas experiências explosivas, a ciência dos foguetes pertencia amplamente à ficção científica.

De facto, quando o engenheiro e professor Robert Goddard disse em 1920 que um foguete poderia um dia ser capaz de alcançar a lua, foi amplamente ridicularizado pela imprensa, incluindo o "The New York Times".

No entanto, o Esquadrão Suicida rapidamente percebeu que Jack Parsons era um génio na criação de combustíveis para foguetes, um processo delicado que envolvia a mistura de produtos químicos nas quantidades exatas, para que fossem explosivos, mas controláveis - versões do combustível que ele desenvolveu foram usadas mais tarde pela NASA.

No início da década de 1940, Malina procurou a Academia Nacional de Ciências para obter financiamento para estudar "propulsão a jato" e, de repente, a ciência de foguetes não era apenas ficção científica estranha.

Em 1943, o ex-Esquadrão Suicida, que agora eram conhecidos como Aerojet Engineering Corporation, viu o seu trabalho ser legitimado, pois desempenhava um papel crucial na fundação do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

No entanto, embora o envolvimento com o governo tenha levado a um maior sucesso e mais oportunidades para Jack Parsons, também significou uma maior observação da sua vida pessoal, que continha alguns segredos chocantes.

Ao mesmo tempo que foi pioneiro no desenvolvimento científico, também estava envolvido em atividades que na época o veriam como louco.

Enquanto desenvolvia a própria ciência dos foguetes, Parsons participava em reuniões de Ordo Templi Orientis (OTO), liderado pelo famoso ocultista britânico Aleister Crowley.

Popularmente conhecido como "o homem mais perverso do mundo", Crowley incentivou os seus acólitos a seguirem o seu único mandamento: "Faça o que quiser". Embora muitos dos credos da OTO se baseiem mais na satisfação de desejos individuais, principalmente sexuais. Parsons e outros membros participaram em alguns rituais estranhos, incluindo comer bolos feitos de sangue da menstruação.

E o interesse de Parsons pelo ocultismo não diminui à medida que a sua carreira progredia, muito pelo contrário. Foi nomeado líder da OTO da Costa Oeste no início da década de 1940 e correspondia diretamente com Crowley.

Com o dinheiro das suas investigações com os foguetes comprou uma mansão em Pasadena, que transformou no covil de hedonismo que lhe permitiu explorar aventuras sexuais como dormir com a irmã de 17 anos da namorada e realizar orgias.

A mulher de Frank Malina disse que a mansão era "como entrar num filme de Fellini. As mulheres andavam com togas diáfanas e maquilhagem esquisita, algumas vestidas como animais, como uma festa de fantasia". O seu marido terá-lhe dito que "Jack gosta de todo o tipo de coisa".

O governo dos EUA, no entanto, não foi capaz de "não olhar para as atividades noturnas de Parsons. O FBI começou a vigiá-lo mais de perto e de repente as peculiaridades e comportamentos que sempre marcaram a sua vida tornaram-se ameaça para a segurança nacional e ele foi afastado das suas experiências.

Sem trabalho, o ocultismo consumiu-o ainda mais. Então as coisas pioraram quando o Parsons se familiarizou com o escritor de ficção científica e o futuro fundador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Hubbard incentivou Parsons a tentar convocar uma deusa real para a Terra num ritual estranho que envolvia "cânticos rituais, desenhando símbolos ocultos no ar com espadas, pingando sangue de animais em runas e se masturbando para 'impregnar' tábuas mágicas", levou Crowley a demitir Parsons como um "tolo fraco".

No entanto, Hubbard logo desapareceu com a namorada de Parsans, Sara Northrup, com que se casou e uma quantidade significativa do seu dinheiro.

Durante o início do Red Scare, no final da década 1940, Parsons foi novamente observado pelo governo dos EUA devido ao seu envolvimento com a "perversão sexual" da OTO.

O governo dos EUA também tinha suspeitas sob ele porque ele trabalhou para governos estrangeiros depois do governo dos EUA o ter dispensado. Sob suspeita e sem esperança de voltar a trabalhar para o governo, Parsons acabou por usar a sua experiência com explosivos para trabalhar em efeitos especiais na indústria cinematográfica.

A 17 de junho de 1952, Jack Parsons estava a trabalhar em explosivos para um projeto de filme no seu laboratório em casa quando uma detonação não planeada destruiu o laboratório e o matou.

Aos 37 anos foi encontrado morto com os ossos partidos, faltava o antebraço direito e metade do rosto tinha sido quase arrancada.

As autoridades determinaram que a causa da morte tenha sido acidental, teorizando que Parsons simplesmente tinha deixado escorregar um dos seus produtos químicos e as coisas ficaram foram do controlo.

No entanto, isso não impediu que alguns dos seus amigos disseram que Parsons nunca teria cometido um erro mortal e que o governo dos EUA talvez quisesse se livrar dele.


Fonte: Allthatsinteresting

MZ

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Série Lore: Bruxa Mary Webster

Vou fazer mais um conjunto de post's, inspirados numa série, desta vez a série é Lore.

Esta série, que já conta com duas temporadas, fala em cada um dos episódios de algo assustador para nós, comum dos mortais, como vampiros, fantasmas, lobisomens, em resumo, lendas e como é que estas surgiram.

Com estes post's irei de falar mais em pormenor de cada situação ou pessoas retratadas nos episódios. Nos episódios há sempre uma história central e depois outras que vão complementando as principais, ou porque são do mesmo género ou de outra altura.

Bruxa Mary Webster

Personagem de Mary Webster, na série Lore
Mary Webster era uma moradora de Hadley, em Massachusetts, e foi acusada de bruxaria.

Nasceu na Inglaterra por volta de 1624 (dúvidas entre 1617 e 1924). A sua família emigrou para Springfield na Colónia da Baía de Massachusetts.

Mary casou-se com William Webster em 1670 e foi quando se mudou para Hadley, ele tinha 53 anos e ela 46 anos. O casal tinha pouco dinheiro e moravam numa casa pequena e às vezes precisavam da caridade dos vizinhos para sobreviver.

Apesar de precisar do apoio dos vizinhos não "engolia sapos" então passou a ser desprezada e às vezes maltratada, tornou-se amarga com o mundo e rancorosa em relação a alguns dos seus vizinhos, que a começaram a chamar de bruxa.

Mary supostamente colocou um feitiço no gado e cavalos para que eles não pudessem passar pela casa dela. Uma vez Mary entrou numa casa e uma galinha caiu de uma chaminé numa panela com água a ferver.

Mary tinha uma cicatriz, provavelmente de queimadura, mas os seus vizinhos chamavam de marca das bruxas.

A 27 de março de 1683, os magistrados do tribunal do condado de Northampton examinar Mary Webster sob suspeita de bruxaria. Os magistrados decidiram que não podiam lidar com o assunto, então enviaram Mary para Boston, em abril seguinte.

Ficou presa até 22 de maio de 1683, quando as provas contra ela foram ouvidas pelo governador Simon Bradstreet, vice-governador Thomas Danforth e nove assistentes. Eles decidiram indiciá-la. a 1 de junho de 1683, no seu julgamento, o tribunal considerou-a inocente e ela voltou a Hadley.

Quando voltou a casa ainda era alvo de perseguições. Um ano e meio depois de voltar, um importante habitante de Hadley chamado Philip Smith morreu dolorosamente. Então as pessoas não tiveram dúvidas de que Mary Webster assassinou Philip Smith "com uma bruxaria horrenda".

No início de janeiro de 1684-5, Smith tinha sofrido ataques de delírio. Ele estava com muita dor, chamava: "Senhor, fique com a mão, basta, é mais do que o teu servo frágil pode suportar." Smith também conseguiu culpar Mary Webster pela sua terrível condição.

Coisas estranhas aconteciam no leito dele. Garrafas de remédios esvaziaram-se misteriosamente. Quando outros o seguravam durante os seus ataques, ouviram arranhões ao redor da cama e viram fogo em cima dela. Eles também sentiram algo na cama do tamanho de um gato.

Depois que Philip Smith morreu, o seu cadáver estava inchado num dos seios, tinha hematomas nas costas e buracos que pareciam feitos com furadores. E embora ele tenha morrido no sábado de manhã, o seu corpo ainda estava quente no domingo à tarde, embora estivesse frio na rua. Na segunda-feira, o seu rosto estava sem cor, com sangue a escorrer pelo rosto. Por fim, as pessoas ouviram barulhos estranhos na sala onde estava o cadáver.

Os jovens de Hadley acreditavam que perturbar Mary Webster aliviava a dor de Smith. Então eles foram atrás dela. Thomas Hutchinson no seu livro descreve o que fizeram com Mary: "Enquanto (Philip Smith) estava doente, vários rapazes astutos tentaram uma experiência com a velha. Depois de arrastá-la para fora de casa, enforcaram-na numa árvore" Mary terá permanecido lá a noite e sobreviveu e conseguiu escapar e Smith morreu.

Mary viveu mais de 10 anos depois disso. As pessoas da cidade, sem dúvida, continuaram a persegui-la.

A romancista e poeta canadiana Margaret Atwood acredita que é descendente de Mary Webster. Em 1995, escreveu um poema "Half-Hanged Mary", sobre Mary Webster, sua ancestral. O seu romance "The Handmaid's Tale", é também dedicado a Mary Webster.

MZ

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domingo, 6 de outubro de 2019

Série Lore: A Maldição do Orloj

Vou fazer mais um conjunto de post's, inspirados numa série, desta vez a série é Lore.

Esta série, que já conta com duas temporadas, fala em cada um dos episódios de algo assustador para nós, comum dos mortais, como vampiros, fantasmas, lobisomens, em resumo, lendas e como é que estas surgiram.

Com estes post's irei de falar mais em pormenor de cada situação ou pessoas retratadas nos episódios. Nos episódios há sempre uma história central e depois outras que vão complementando as principais, ou porque são do mesmo género ou de outra altura.

A Maldição do Orloj

Relógio Astronómico de Praga (República Checa)
Fonte: Azwanderlust.com
O Orloj é um relógio do estilo gótico, do séc. XIV, que se encontra na torre da Prefeitura da Cidade Velha, a torre tem 70 metros de altura, e dali é possível ter uma vista maravilhosa do centro histórico de Praga.

O Orloj tem três componentes principais: uma esfera astronómica, que indica a hora e a posição do sol e da lua; uma esfera com medalhões, que representam os signos do Zodíaco; e um mecanismo que mostra aos espectadores,  cada hora, a procissão dos Doze Apóstolos.

Foi feito pelo relojoeiro Mikulas de Kadan e Jan Sindel, mais tarde professor de matemática e astronomia da Universidade de Charles, em 1410.

Este relógio é o terceiro do seu género, o primeiro foi construído em Pádua (Itália), em 1334.

Por volta de 1500 o relógio foi alterado e modernizado pelo Mestre Hanuz de Ruze, que inseriu os componentes astronómicos que tornariam o relógio numa obra sem igual em toda a Europa. Naturalmente os conselheiros da cidade estavam muito satisfeitos com o trabalho de Hanuz, considerado um génio pela sua habilidade e criatividade. Pessoas viajavam grandes distâncias para conhecer o relógio e logo o centro de Praga tornou-se uma paragem obrigatória para viajantes.

O orgulho dos cidadãos era enorme. Praga tinha o mais belo relógio da Europa, um facto que ninguém contestava. Foi então que começou a circular um rumor de que o Mestre Hanuz tinha recebido uma proposta para construir um relógio ainda mais belo noutra cidade. Diziam que Hanuz passava horas a desenhar e a fazer cálculos para a construção de uma obra ainda mais grandiosa.

Então os conselheiros decidiram reunir-se e pensar numa solução para o assunto. Planearam oferecer dinheiro ao mestre para que ele não fizesse outro relógio tão ou mais grandioso. Cogitaram apelar para o senso de patriotismo do Mestre, mas concluíram que a proposta que lhe tinham feito de outro relógio era irrecusável. Sabia-se então que mais cedo ou mais tarde Hunuz faria outro relógio.

Então, um dos conselheiros da cidade, um homem conhecido pelo seu coração perverso e marcado pela crueldade, ofereceu uma solução que a princípio chocou os outros. Era um plano sinistro, mas um conselheiro depois do outro foi gradualmente percebendo que aquela seria a única opção para garantir que o Relógio de Praga continuasse exclusivo.

Uma noite, Mestre Hanus estava sentado na sua oficina, vendo alguns dos seus planos e esquemas. Como já era tarde os seus ajudantes e criados já tinham saído e Hanuz encontrava-se sozinho. Do lado de fora, estava a chover, mas Hanus encontrava-se dentro da sua casa com a lareira acesa com os seus pensamentos dentro dos seus cálculos.

De repente ouviu-se uma batida seca na porta da frente e disseram "Abra, estamos com pressa!"

O Mestre correu até à porta e espreitou para fora. Percebeu que estavam lá três homens grandes vestidos com máscaras. Antes que pudesse perguntar o que queriam, empurraram a porta e forçaram a entrada arrastando o relojoeiro para a oficina. Lá amordaçaram o Mestre e amarraram as suas mãos com uma corda.

Dois dos homens o seguraram com força enquanto o terceiro atiçou o fogo, colocando em meio às chamas uma adaga que trazia presa ao cinto. Ele a deixou lá até que o calor a fizesse brilhar vermelha. Percebendo o que os homens pretendiam, o Mestre Hanuz tentou lutar, mas eles o agrediram até que ele perdeu os sentidos.

Hanuz acordou horas mais tarde, em agonia insuportável. Percebeu que estava deitado na sua própria cama, podia ouvir a voz do seu assistente e os lamentos dos seus criados e amigos, mas via apenas escuridão. Os homens tinham-lhe arrancado os olhos.

Por muito tempo o brilhante relojoeiro permaneceu deitado, doente e delirante, passava dias e noites num estado miserável. A sua visão estava perdida para sempre. Quando melhorava um pouco, sentava-se no estúdio e pensava consigo mesmo: "Quem poderia ter feito uma coisa tão terrível comigo e porque?".

Ele não tinha inimigos e todos o admiravam pelas suas obras que tinham trazido tanto orgulho ao povo de Praga. As pessoas o visitavam e lamentavam o acontecido, vinham os mais pobres e os mais ricos, os mais próximos e os mais afastados e todos lamentavam a tragédia.

Num dia, vieram dois conselheiros da cidade que lamentaram o triste destino do Mestre Hanuz que disseram: "Uma tragédia, uma tragédia sem sentido".

Mas quando deixaram a casa, o jovem assistente do relojoeiro ouviu a dupla se congratulando pelo serviço bem feito. O rapaz ouviu quando um disse ao outro que agora não existia mais o risco de que o Mestre Hanuz criasse um relógio astronómico para outra cidade além de Praga. Devastado o rapaz procurou o seu Mestre e contou o que tinha ouvido.

E assim o brilhante relojoeiro descobriu quem tinha ordenado que os seus olhos fossem arrancados. Ele não sentia mais dor, apenas uma amargura profunda e um desejo de desaparecer de uma vez por todas. Depois da amargura veio a raiva e então o desejo de vingança. O Mestre pensou numa forma de extrair a vingança daqueles homens terríveis e planeou o que ia fazer.

Um dia disse ao seu fiel assistente que gostaria de ir até ao Prédio da Prefeitura para ao menos ouvir o som do seu amado relógio e sentir as delicadas engrenagens a trabalhar. Os conselheiros ficaram intrigados quando ele chegou, mas acabaram concordando em dar-lhe acesso à sua obra.

Quando Hanuz ficou diante do gigantesco mecanismo, pôs-se a escutar o funcionamento da perfeita máquina de metal e madeira que conhecia tão bem. Apesar de cego, ele conseguia sentir todos os complexos mecanismos em que tinha trabalhado, cada pequena parte, cada disco, mola e conexão.

E então, sem nenhum aviso, o Mestre saltou para dentro do delicado mecanismo, grande como um grande órgão de igreja. Imediatamente o seu corpo foi esmagado pelas engrenagens que começaram a partir-se e arrebentar.

O relógio começou a arranhar e a abanar, até que lentamente os sons foram desaparecendo até restar apenas um ensurdecedor silêncio. O último som do relógio calou-se com o coração de Hanuz.

No bolso do Mestre descobriram uma carta onde ele relatava o que tinha acontecido e o povo escandalizado com a crueldade dos conselheiros revoltou-se exigindo que fossem presos e punidos.

Os nobres, acatara esse pedido e cada um dos conspiradores foi lançado na masmorra onde jamais veriam o sol brilhar. Além da prisão, derramaram chumbo derretido nos seus ouvidos para que jamais ouvissem novamente. E ao longo dos anos que viveram, o aterrorizante silêncio foi uma lembrança contínua do crime que tinham cometido.

O famoso relógio parecia estar partido para sempre. Foram necessários muitos séculos para que surgisse alguém que fosse capaz de entender a complexidade do mecanismo e devolver o seu antigo brilhantismo.

Na série retrata-se a época em que a Peste Negra atacou a Europa e acreditava-se que a Peste Negra era uma maldição para com a cidade de Praga porque o relógio estava partido, depois de que Mestre Hanuz tinha lançado uma maldição ao relógio e consequentemente à cidade de Praga.

Então dois irmãos, supostamente relojoeiros foram contratados para concertar o relógio antes que a maldição matasse toda a cidade, estes eram Jan e Dirvick.


Fonte: Mundotentacular

MZ

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Série Lore: Assassino Fantasma na Fazenda Hinterkaifeck

Vou fazer mais um conjunto de post's, inspirados numa série, desta vez a série é Lore.

Esta série, que já conta com duas temporadas, fala em cada um dos episódios de algo assustador para nós, comum dos mortais, como vampiros, fantasmas, lobisomens, em resumo, lendas e como é que estas surgiram.

Com estes post's irei de falar mais em pormenor de cada situação ou pessoas retratadas nos episódios. Nos episódios há sempre uma história central e depois outras que vão complementando as principais, ou porque são do mesmo género ou de outra altura.

Post relacionado anterior: https://imagenschistoria.blogspot.com/2019/10/serie-lore-erzsebet-bathory.html

Assassino Fantasma na Fazenda Hinterkaifeck

Fazenda Hinterkaifeck
Fonte: Tricurioso
A fazenda Hinterkaifeck foi sempre um lugar solitário, localizada entre as cidades bávaras de Ingolstadt e Schrobenhausen.

A fazenda foi palco de um dos crimes mais chocantes e não solucionado da Alemanha.

Aqui vivia a viúva Viktoria Gabril, de 35 anos, os seus dois filhos, Cazilia e Josef, 7 e 2 anos respetivamente, e os seus pais Andreas Gruber, de 63 anos e a sua mãe Czilia Gruber, de 72 anos. Além da família vivia ainda na casa a empregada Maria Baumgartner, de 44 anos.

A família era conhecida por ser bastante reservada. Mas mesmo assim, os vizinhos ficaram preocupados quando a 1 de abril de 1922, a pequena Cazilia não foi à escola e a família não tinha ido à igreja, onde Viktoria fazia parte do coro.

Desde essa altura, as cartas começaram-se a acumular no correio local e a 4 de abril, os vizinhos da família decidiram investigar. Lorenz Schlittenbauer, um agricultor que morava perto, liderou o grupo de busca.

No celeiro da fazenda, encontraram quatro corpos brutalmente agredidos cobertos por feno. Dentro da casa, encontraram os corpos de Josef e da empregada Maria Baumgartner.
Corpos da família no celeiro
Fonte: Tricurioso
Maria morreu no seu primeiro dia de trabalho na casa. A empregada anterior tinha abandonado o emprego um dia antes do massacre, alegando que a casa era assombrada.

Os relatórios das autópsias da família foram conduzidos pelo médico Dr. Johann Baptist Aumüller, estes mostravam um cenário aterrorizante. A família foi assassinada na noite de 31 de março de 1922.

A senhora Cazilia mostrava sinais de estrangulamento e sete golpes na cabeça, o que a deixou com o crânio rachado. O rosto do seu marido, Andreas, estava coberto de sangue e as maçãs do rosto estavam dilaceradas. O crânio de Viktoria também foi esmagado, a sua cabeça apresentava nove feridas "em formato de estrela" e o lado direito do seu rosto tinha sido atingido por um objeto não-pontiagudo. O maxilar inferior da pequena Cazilia tinha sido despedaçado e o seu rosto coberto de feridas abertas e circulares.

Enquanto os avós e a mãe provavelmente tiveram uma morte instantânea com golpes de picareta, a autópsia descobriu que a pequena Cazilia provavelmente ficou viva, agonizando por horas após o ataque.

Dentro da casa, o fim do pequeno Josef e da empregada Maria foi idêntico. Maria foi morta com golpes cruzados na cabeça no seu quarto e Josef foi com uma forte pancada no rosto enquanto estava no seu berço no quarto da sua mãe. Assim como os corpos do celeiro, Josef e Maria também foram cobertos, Maria com os lençóis e Josef com um dos vestidos da sua mãe.
Quarto onde Maria se encontra no chão
Fonte: Medium
Quarto de Viktoria onde estava Josef no seu berço
Fonte: Medium
Os animais da fazenda e um cão de guarda permaneceram ilesos. Um dos factos mais estranhos foi que os animais foram tratados e alimentados nos dias que se seguiram aos assassinatos e antes da descoberta dos corpos.

Além dos corpos no feno e dos lençóis usados para cobri-los, nada mais foi mexido no local, embora o assassino claramente permaneceu na casa por vários dias, tratando dos animais, fazendo as suas refeições e acendendo a lareira.

Quando a polícia questionou a antiga empregada sobre a sua suspeita de que a propriedade era assombrada, ela disse que tinha chegado a essa conclusão depois de constantemente ouvir sons do sótão e sentir uma sensação inquietante de estar a ser observada.

Andreas não acreditava na teoria da então sua empregada, mas contou aos vizinhos dias antes da tragédia que tinha descoberto pegadas na neve que vinham da floresta em direção à sua casa e nenhuma das pegadas aparecia no sentido contrário (voltando para a floresta). Andreas também afirmou ter ouvido alguns barulhos de passos no sótão e ter encontrado um jornal desconhecido dentro da sua propriedade.

Uma das duas chaves da família desapareceu pouco antes do assassinato. Isto juntando às pegadas, aos sons no sótão e da chaminé a funcionar nos dias seguintes ao crime, sugere que o intruso impiedoso poderia estar a viver na casa.

A polícia inicialmente suspeitou que se tratava de um roubo cometido por alguns viajantes de má reputação na região, mas a teoria foi logo posta de lado depois que grandes quantias de dinheiro foram encontradas dentro da casa.

Outro suspeito foi Karl Gabriel, o marido de Viktoria, que tinha sido dado como morto em 1914 durante a Primeira Guerra Mundial. A morte dele foi colocada em dúvida porque o seu corpo nunca foi encontrado. Os oficiais acreditavam que ele poderia ter sobrevivido e que, após regressar a casa, tivesse algum motivo para assassinar a família. Alguns vizinhos acreditavam na teoria de que o menino Josef era fruto de uma suposta relação incestuosa entre Viktoria e o seu pai. Isso poderia ter motivado Karl a cometer os assassinatos, mas como o soldado nunca mais foi visto depois da sua ida para a batalha nas trincheiras francesas, essa suspeita pouco avançou.

Apenas uma coisa poderia ser declarada com algum grau de certeza, os crimes tinham sido cometidos por alguém que conhecia o caminho em volta da fazenda Hinterkaifeck. A brutalidade dos assassinatos sugeria que o crime tinha sido cometido por alguém com um desejo de vingança pessoal contra um ou vários dos Grubers. Mas a polícia na época não conseguiu respostas e acabou encerrando o caso.

Nos últimos 95 anos, o caso foi reaberto várias vezes, mas sem grandes avanços. Em 1923, a fazenda foi demolida e a família foi enterrada num terreno em Waidhofen.
Caixões da família e da empregada
Fonte: Tricurioso
Devido às técnicas forenses relativamente básicas usadas na altura da investigação original e as mortes posteriores de alguns suspeitos, não se conseguiu identificar conclusivamente o assassino. É um dos mais famosos mistérios não resolvidos do mundo.

Em 2007, alunos da Polizeifachhochschule (Academia de Polícia) em Fürstenfeldbruck, afirmaram terem solucionado o caso. Mas mantiveram os resultados em sigilo, em respeito aos familiares das vítimas ainda vivos.

Fonte: Tricurioso

MZ

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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Série Lore: Erzsébet Báthory

Vou fazer mais um conjunto de post's, inspirados numa série, desta vez a série é Lore.

Esta série, que já conta com duas temporadas, fala em cada um dos episódios de algo assustador para nós, comum dos mortais, como vampiros, fantasmas, lobisomens, em resumo, lendas e como é que estas surgiram.

Com estes post's irei de falar mais em pormenor de cada situação ou pessoas retratadas nos episódios. Nos episódios há sempre uma história central e depois outras que vão complementando as principais, ou porque são do mesmo género ou de outra altura.

Post relacionado anterior: https://imagenschistoria.blogspot.com/2019/09/serie-lore-venda-de-corpos-pela-ciencia.html

Erzsébet Báthory


O tema do segundo episódio da segunda temporada é Erzsébet Báthory.
Erzsébet Báthory
Fonte: Amino Apps
Já escrevi sobre ela no blog, podem ver neste post:
https://imagenschistoria.blogspot.com/2018/09/erzsebet-bathory.html


MZ

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