sábado, 14 de agosto de 2021

União Soviética - O Primeiro País a Legalizar o Aborto

Mulheres soviéticas, durante a Segunda Guerra Mundial
Fonte: Esquerda Online

No fim da Guerra Civil Russa, que resultou na instauração do socialismo russo e na criação da União Soviética, as leis que permitiam o aborto foram aprovadas pelo governo.

A legalização desta prática já era defendida por Lenin, desde 1913. No entanto, só a 8 de novembro de 1920, as leis soviéticas descriminalizaram o aborto.

Na altura, as mulheres estavam envolvidas no processo revolucionário que resultou na criação da União Soviética. Portanto, a assembleia russa via a gravidez como um fator que poderia complicar os esforços de guerra e atrapalhar no mercado de trabalho.

Com os avanços da grande guerra civil, o ambiente tornou-se cada vez mais hostil e a fome e a pobreza passaram a fazer parte da vida da população.

Desta forma, durante o processo de criação da União Soviética, o país tornou-se a primeira nação do primeiro no mundo a legalizar formalmente o aborto. Como as leis soviéticas não reconheciam o feto como detentor de direitos, isto permitiu que a gravidez fosse interrompida em qualquer momento da gestação.

Pouco tempo depois, os abortos tornaram-se gratuitos, mas só poderiam ser realizados até ao primeiro trimestre de gravidez.

Já em 1936, Stalin decretou que a prática voltaria a ser crime. No entanto, o país voltou atrás em 1955 e o governo optou por legalizá-lo novamente.

Sabe-se que o direito ao aborto no início do séc. XX foi considerado uma das maiores conquistas feitas pelas mulheres e um importante avanço para a época.

Segundo dados publicados em 2019, pela ONU, atualmente, a Rússia é o país que mais realiza abortos no mundo. O relatório aponta que cerca de 1,3 milhões de abortos são realizados por ano no país. No entanto, desde a década de 1990, com a extinção da União Soviética, os números têm caído drasticamente.

Muitos dos países que formavam a União Soviética, como Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Turquemenistão, Tajiquistão e Azerbaijão, ainda hoje têm legislações flexíveis sobre este assunto.



Fonte: Aventuras na História


MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Mafalda de Sabóia - Princesa no Campo de Concentração

Princesa Mafalda de Sabóia
Fonte: Wikipédia

Mafalda nasceu em Roma, na Itália, a 2 de novembro de 1902. Foi a segunda filha do Rei Victor Emanuel II da Itália e da sua mulher Helena de Montenegro.

Casou-se a 23 de setembro de 1925 com o Príncipe Filipe de Hesse-Cassel no Castelo de Racconigi.
Casamento de Mafalda de Sabóia e o Príncipe Filipe de Hesse-Cassel
Fonte: Sábado

O Príncipe Filipe era um membro leal do Partido Nazi. Era também um grande admirador do ditador italiano Benito Mussolini e dos ideais fascistas.

Filipe era bissexual e o seu casamento só aconteceu como parte de uma aliança para colocar a Itália de Benito Mussolini numa posição privilegiada nas negociações entre o governo nazi alemão.

Mafalda era contra aos ideias do Partido Nazi. Durante a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler acreditava que a Princesa Mafalda estava a trabalhar contra a guerra e chamou-a se "o membro mais podre da casa real italiana".

No início de setembro de 1943, a Princesa Mafalda foi até à Bulgária para estar presente no funeral do seu cunhado, o Czar Boris III. Enquanto lá estava, foi informada da rendição italiana às forças aliadas, que o seu marido estava em prisão domiciliária na Baviera e que os seus filhos tinham sido enviados para o Vaticano.

A Gestapo deu a Mafalda uma ordem de prisão, e no dia 23 de setembro, recebeu uma chamada do hauptsturmführer Karl Hass, do alto comando alemão. Este informou-a que tinha em sua posse uma mensagem importante do seu marido. Quando Mafalda chegou à embaixada alemã, foi presa, supostamente por estar envolvida em atividades subversivas, mas acredita-se que ela tenha sido feito refém para impedir o seu pai, Rei da Itália, se opusesse aos interesses alemães na guerra.

Mafalda foi levada para Munique para ser interrogada, depois para Berlim e finalmente para o campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha.

No dia 24 de agosto de 1944, os aliados bombardearam uma fábrica de munições dentro de Buchenwald. Cerca de 400 prisioneiros foram mortos e Mafalda ficou gravemente ferida.

A Princesa estava alojada numa casa numa unidade subjacente à fábrica bombardeada e quando o ataque aconteceu, foi enterrada até ao pescoço com entulho e sofreu várias queimaduras no braço.

As condições no campo de trabalho fizeram com que o braço ficasse infetado e os médicos amputaram-no, fazendo com que sangrasse profundamente durante a operação.

Depois do bombardeamento do dia 24 de agosto, diz-se que Mafalda, perto da morte, terá dito a duas prisioneiras italianas: "Lembrem-se de mim não como uma princesa italiana, mas como uma irmã italiana".

Apesar de ter sido humilhada e ter vivido sob condições sub-humanas, a Princesa ainda teve direito a alguns privilégios, em comparação com outros prisioneiros, como podia comer pão com manteiga e sopa.

Mafalda de Sabóia morreu entre o dia 26 e 28 de agosto de 1944, aos 42 anos. Foi enterrada numa vala comum.

A família real de Hesse não foi informada da morte de Mafalda, apesar dos rumores sobre a mesma terem começado a circular no final de 1944. A sua morte só foi confirmada depois dos alemães se renderem aos aliados em 1945. Então o seu corpo foi enterrado no Castelo de Kronberg, em Hesse, na Alemanha.


Fonte: Wikipédia | Sábado 

MZ

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terça-feira, 10 de agosto de 2021

Garrafa Espanta Bruxas

 

Fonte: Aventuras na História

Numa fortaleza construída em 1861, durante a Guerra Civil Americana, arqueólogos encontraram, durante uma escavação, uma garrafa que continha um curioso talismã contra bruxas e maus espíritos.

Localizada no Condado de York, no estado da Virgínia, a estrutura tinha sido ocupada pelas tropas confederadas e, mais tarde, pelas forças da União.

A garrafa foi descoberta pela equipa do Centro William & Mary de Pesquisa Arqueológica, mede cerca de 13 cm de altura e 8 cm de largura. Continha uma grande quantidade de unhas e pregos. Estava partida, mas ainda assim, em bom estado de conservação.

Os arqueólogos sugerem a hipótese de que a garrafa de vidro fazia parte de um ritual raro para afastar bruxas.

Joe Jones, membro do Centro de Pesquisa, explica que o achado "é realmente uma cápsula do tempo representando a experiência das tropas da Guerra Civil".

Os arqueológos apontam que a garrafa foi deixada por um soldado da União, acrescentando que o medo e a morte eram algo que estava sempre presente.

A prática da utilização de objetos para quebrar ou evitar alguma maldição foi comum entre os séculos XVI e XVII, principalmente na Inglaterra. Agora, com esta descoberta, os estudiosos pretendem compreender mais sobre as superstições que também chegaram aos EUA.



Fonte: Aventuras na História


MZ

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domingo, 8 de agosto de 2021

Incidente de Mayerling

Imperial Pavilhão de Caça, em Mayerling, com a legenda: "Mayerling, antigo pavilhão de caça do príncipe herdeiro Rodolfo antes de 1889."
Fonte: Wikipédia

O Incidente de Mayerling refere-se a uma série de eventos que levaram à controversa morte do Arquiduque Rodolfo da Áustria e da sua amante, a Baronesa Maria Vetsera.
Rodolfo, Príncipe Herdeiro da Áustria
Fonte: Wikipédia

Baronesa Maria Vetsera
Fonte: Wikipédia

Rodolfo era o único filho varão do Imperador Francisco José I da Áustria e da Imperatriz Isabel, e herdeiro ao trono do Império Austro-Húngaro.
Imperador Francisco José I da Áustria, pai de Rodolfo
Fonte: Wikipédia

Os corpos de ambos foram descobertos no Imperial Pavilhão de Caça em Mayerling, nos Bosques de Viena, a cerca de 25 km a sudoeste da capital, na manhã de 30 de janeiro de 1889.

Em 1889, muitas pessoas da Corte Austríaca, incluído os pais de Rodolfo e a sua mulher Estefânia, sabiam do seu envolvimento amoroso com a jovem Maria.
Mulher de Rudolfo, Estefânia da Bélgica
Fonte: Wikipédia

O casamento de Rodolfo e Estefânia não era particularmente feliz e resultou no nascimento apenas de uma filha, Elisabeth, conhecida como Erszi.

A 29 de janeiro de 1889, os pais de Rodolfo ofereceram um jantar para a família antes de partirem para Buda, na Hungria, no dia 31. Rodolfo recusou o convite, alegando uma indisposição.

Rodolfo organizou uma caçada em Mayerling para a manhã do dia 30 mas, quando o seu criado Loschek foi chamá-lo aos seus aposentos, não obteve resposta. Depois o Conde José Hoyos, companheiro de caça do Arquiduque, também tentou falar com ele mas sem sucesso. Eles então tentaram forçar a porta mas esta estava trancada.

Loschek, então, arrombou a porta com um machado e encontrou o quarto às escuras. Rodolfo encontrava-se sentado imóvel ao lado da cama, inclinado para a frente e sangrava pela boca.

Na mesa de cabeceira havia um copo, que levou Loschek a acreditar que Rodolfo tinha ingerido veneno, pois sabia que a estricinina provocava sangramento.

Na cama estava o corpo sem vida de Maria Vetsera, pálida, fria e já bastante rígida.

O Conde José Hoyos não viu os corpos de perto, e foi rapidamente para a estação e apanhou um comboio para Viena. Quando chegou, procurou o Conde Paar, secretário do Imperador, e pediu-lhe para transmitir a terrível notícia.

Mas como havia um rígido protocolo em Hofburg, apenas poderia ser a Imperatriz a dar a notícia ao Imperador. O Barão Nopcsa, camareiro da Imperatriz, foi encarregado da tarefa, mas este preferiu entender-se antes com  a Condessa Ida von Ferenczy, dama-de-companhia favorita de Isabel, para determinar como Sua Majestade deveria ser informada do ocorrido.

Depois de informada, teve que dar a notícia ao marido que ficou completamente devastado.

O chefe da polícia foi convocado e os serviços de segurança nacional isolaram o pavilhão de caça e toda a área ao redor.

O corpo de Maria Vetsera foi enterrado o mais rápido possível, sem inquérito e em segredo, nem mesmo a sua mãe teve permissão de participar no enterro.

Como Rodolfo não tinha filhos varões, a sucessão passou do trono passou para o seu tio, o Arquiduque Carlos Luís, irmão do seu pai, no entanto, este renunciou aos seus direitos a favor do seu filho, o Arquiduque Francisco Fernando.

MZ

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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Rússia Futurista na visão de 1914

Postal da Rússia Futurista na visão de 1914
Fonte: Aventuras na História

Antes da queda do Czar Nicolau II da Rússia, o Czarismo acreditava que governaria uma das maiores nações do mundo para sempre.

Este pensamento fazia com que os apoiantes do regime imaginassem um futuro tecnológico. Tudo isto, claro, convivendo com a tradicionalidade do país

Então, em 1914, quando os russos entraram na Primeira Guerra Mundial, vários artistas da época demonstraram nas suas pinturas como era a sua visão do país em 2259.

Estas pinturas de cenários futurísticos ficaram desconhecidos por muito tempo, até que a marca russa de chocolates Eyinem decidiu reimprimir estas obras nas suas embalagens.



Fonte: Aventuras na História


MZ

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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Esqueleto com Nanismo

Esqueleto encontrado com nanismo
Fonte: Aventuras na História

Durante uma escavação perto do rio Amarelo, na China, investigadores encontraram um esqueleto humano que teria sofrido de uma forma rara de nanismo, com mais de cinco mil anos.

Foram também encontrados outros corpos que viveram entre aproximadamente 3300 e 2900 a.C. Ao perceberem que um dos esqueletos era menor e mais frágil que os outros, os investigadores iniciaram uma investigação aprofundada, e descobriram ser um corpo de um jovem adulto que sofria de nanismo.

Em arquivos, existem apenas 40 casos de pessoas que tinham esta condição.

Segundo o co-autor da pesquisa e arqueólogo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia: "Eu acho que é importante reconhecer que a deficiência e a diferença podem ser encontradas no passado, mas não são necessariamente conotações negativas social ou culturalmente. Os textos históricos antigos mostram que eles podem, de facto, ter sido reverenciados em algumas situações."

Descobriram que o jovem tinha membros curtos e o tronco e a cabeça eram pequenos, sendo diagnosticado como nanismo proporcional, o que é raro nos registos arqueológicos de seres humanos vivos.

Nas formas mais comuns desta condição, os membros acabam por crescer desproporcionalmente menores que o tronco e a cabeça.

De acordo com os arqueológos, a baixa estatura pode ter sido causada pelo mau funcionamento de glândulas como a tiróide e a hipófise.

O facto teria prejudicado os seus níveis hormonais, afetando o crescimento ósseo, o funcionamento dos órgãos e o desenvolvimento cognitivo.


MZ

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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Kursk - Submarino Russo que Afundou

 
Submarino Russo Kursk
Fonte: Wikipédia

O Kursk foi um submarino nuclear da Classe Oscar II, que pertencia à Marinha Russa, que afundou no Mar de Barents a 12 de agosto de 2000, com uma tripulação de 118 homens.

Kursk foi uma das primeiras embarcações concluídas, logo após a queda da União Soviética. A sua função principal seria compor a Frota do Mar do Norte, cuja sede localiza-se em Severomorsk.

As obras da sua construção começaram em 1990 em Severodvinsk, perto de Arkhangelsk, sendo lançado em dezembro de 1994.

Tinha 154 metros de comprimento, 18 metros de largura, e o equivalente a quatro andares de altura, sendo considerado o maior submarino de ataque já construído.

Era considerado indestrutível pelos marinheiros russos, devido ao seu tamanho e aos seus recursos tecnológicos.

De acordo com informações do serviço de sismologia da Noruega, teria acontecido duas explosões detetadas, durante a manhã de 12 de agosto de 2000. A primeira explosão foi às 11:29:34, hora de Moscovo, e teve uma magnitude de 1,5 na escala de Richter, seguido de um segundo de 3,5, às 11:31:48.

Dados semelhantes foram registados por estações sísmicas no Canadá e no Alasca. Além disso, dois submarinos americanos, que estavam a acompanhar os exercícios, registaram duas explosões submarinas às 11h38. Um submarino russo e o cruzador pesado PETR Velikiy, que também acompanhavam as manobras, detetaram essas explosões também.

O Ministro da Defesa da Rússia disse que o submarino russo de apoio, recebeu também o som de uma terceira explosão às 11h44. O submarino americano alega ter detetado um ruído durante o intervalo entre explosões, que reconheceu como tanques de lastro de sopro a explodirem ou o aumento da velocidade da hélice.

O acidente só foi tornado público a 14 de agosto. Este acidente com o submarino provocou uma enorme reação mundial, pois tratando-se de um submarino nuclear, temia-se um acidente parecido com o de Chernobyl.

Durante a noite de 14 de agosto das nações da França, Alemanha, Grã-Bretanha, Israel, Itália, Noruega, EUA e outros países ofereceram a sua ajuda. No entanto, como o submarino continha os reatores atómicos, uma vez lacrados, apenas poderiam ser abertos do lado de dentro.

Esta ação foi de enorme importância para evitar que explodissem devido à alta temperatura que estava a acumular-se no submarino. Investigações após o resgate, indicam que a temperatura dentro do submarino após a série de explosões tinha atingido os 8000 ºC.

O submarino afundou em águas relativamente rasas a uma profundidade de 108 metros, cerca de 135 km de Severomorsk.

Nenhuma autoridade russa admitiu que 23 marinheiros tinham conseguido sobreviver durante dois dias após o acidente. Depois da explosão na câmara de mísseis, os tripulantes foram para o compartimento número 9 do submarino, localizado na popa, e emitiram sinais de socorro durante 48 horas.

As autoridades russas só aceitaram a ajuda dos noruegueses e britânicos quatro dias após o acidente. O facto mais constrangedor para o Governo Russo foi ver os homens-rãs ocidentais, com roupas especiais e descendo em "sinos" (equipamentos de resgate), a realizarem a operação de descida e abertura das escotilhas em menos de um dia.

A justificação da Marinha Russa era a necessidade de se preservarem os segredos militares do submarino nuclear.

O governador da província de Kursk, Alexander Rutskoi, disse que a razão pela qual os russos não queriam ninguém no fundo do mar era o teste de um novo tipo de missil, que segundo informações ainda permanecia no submarino.

No dia 21 de agosto, às 7h45 da manhã, quatro mergulhadores noruegueses da empresa Stolt Comex Seaway conseguiram abrir a primeira escotilha do submarino. Os homens-rãs depararam-se com o cenário mais temido: "Todos os compartimentos estão inundados e nenhum membro da tripulação sobreviveu", declarou o vice-almirante russo Mikhail Motsak.

Terão sido encontradas duas cartas a 25 de outubro no cadáver do oficial da marinha Dmitri Kolesnikov, tendo sido apenas uma divulgada.

Na carta mantida em segredo, Kolesnikov descreve exatamente o que aconteceu e afirma que, na sequência da morte do comandante do Kursk, assumiu o comando do submarino, entre outras informações não divulgadas.

Na carta divulgada, Kolesnikov referia que pelo menos 23 homens, dos 118 que estavam a bordo, sobreviveram ao acidente e se refugiaram num compartimento da popa do submarino. A nota, divulgada pelas autoridades russas, não continha qualquer indicação sobre as causas do naufrágio.

Uma carta descoberta no corpo do tenente Andrei  Borisov, em outubro, dizia: "Minha querida Natasha e meu filho Sasha!!! Se receberem esta carta, isso significa que estou morto. Amo-vos muito".

Mas o que teria afundado o navio considerado "inafundável"? Algumas autoridades russas insistiam na teoria de que a explosão terá sido causada por uma colisão. Um oficial sénior da Frota do Norte da Rússia chegou a culpar um submarino nuclear da Marinha Real do Reino Unido. No entanto, um engenheiro especialista em tornedos (projéteis explosivos que operam debaixo de água) rejeitou a teoria de colisão, disse: "Com a robustez do casco, é muito improvável que uma colisão cause tanto dano ao Kursk".

Vladimir Putin, Presidente russo, tinha chegado à presidência da Rússia há poucos meses quando este acidente se deu. Foi criticado pelos familiares das vítimas e pelos media pela resposta tardia.

Putin, um ex-agente secreto russo que um ano antes tinha sido nomeado Primeiro-Ministro e que na passagem de ano tinha assumido a presidência após a demissão-surpresa de Boris Ieltsin, não interrompeu as suas férias em Sochi, no mar Negro, o que gerou críticas da imprensa e dos familiares dos marinheiros.

Lia-se: "A catástrofe deveria ser uma obsessão para o Estado, começando pelo Presidente", no jornal Izvestia.

Putin só foi alertado para o acidente quase 24 horas depois, descobrir-se-ia mais tarde que a maioria dos marinheiros tiveram morte imediata, e que os 23 que sobreviveram ficaram à espera de ajuda no fundo do mar até ficarem sem oxigénio.

Só quatro dias depois do acidente é que Putin fez uma primeira declaração, vestido casualmente, para dizer que a situação era "crítica", mas que a Rússia tinha "os meios de resposta necessários"
Primeiras declarações do Presidente Putin sobre o acidente
Fonte: Diário de Notícias

O Presidente, que detinha uma popularidade de 73%, foi acusado de ser um cínico sem emoções.

No dia 23 de agosto, foi declarado dia de luto, Putin assumiu as responsabilidades na forma como se lidou com o caso e pediu desculpas numa declaração transmitida na televisão. Mas também acusou os media de perseguição, alegando que queriam destruir a sua presidência.

Em relação ao acidente, nunca ninguém foi considerado responsável. O comandante da Marinha, o almirante Vladimir Kuroyedov, apresentou a sua demissão, mas esta foi rejeitada e ele reformou-se em 2005.

Putin afastou 13 altos oficiais, incluindo o comandante dos submarinos da Frota do Norte, o vice-almirante Olef Bursov, mas todos acabaram por receber cargos no governo ou em empresas controladas pelo Estado.



Fonte: Wikipédia | Observador | Diário de Notícias

MZ

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