terça-feira, 16 de abril de 2019

Incêndios que destruíram a História

Depois do trágico incêndio que aconteceu na Catedral Notre Dame, ontem dia 15 de abril, neste post falarei de outros momentos em que incêndios destruíram a História.

- Museu Nacional do Rio de Janeiro

Não foi há muito tempo, há pouco mais de seis meses que um incêndio destruiu este museu e também aqui no blog falamos sobre o assunto: https://imagenschistoria.blogspot.com/2018/09/incendio-que-matou-historia-no-brasil.html

Foi na noite de 2 de setembro de 2018, que um incêndio destruiu este museu causado por um curto-circuito num aparelho de ar condicionado.

Era considerado o maior museu de história natural e antropologia da América Latina com mais de 20 milhões de peças.

Museu Nacional do Rio de Janeiro

- Catedral de Turim

Na noite de 11 para 12 de abril de 1997, a Catedral de São João Batista e o Palácio Real de Turim, na Itália, foram devastados por um incêndio.

Um bombeiro conseguiu salvar o Santo Sudário, uma das relíquias veneradas pelos católicos, tendo destruído com um martelo o vidro à prova de bala em que se encontrava. Trata-se do manto em que se acredita que Jesus Cristo foi envolvido depois de ter sido crucificado.

Assim como a Catedral  Notre Dame, a Catedral de Turim, estava a ser restaurado. Nesse dia tinha acontecido um jantar com vários dignitários da cidade de Turim com o então secretário-geral da ONU Kofi Annan, no Palácio Real.

A capela Guarini, que abrigava o Sudário, ficou totalmente destruída durante o incêndio. A capela foi uma encomenda feita pelo duque Carlos Manuel I de Saboia a Carlos de Castellamonte para manter conservado o Sudário, então o maior tesouro da Casa de Saboia.

O projeto da capela foi posteriormente herdado por Amedeo de Castellamonte, filho de Carlos, e depois pelo suíço Bernardino Quadri. Só, em 1667, a construção foi confiada ao arquiteto Guarino Guarini, que depois de deixar Paris, se estabeleceu na então capital da Saboia.

Uma das principais obras da arquitetura barroca, a capela Guarini da catedral de Turim voltou a abrir ao público, recuperada, a 27 de setembro de 2018, ou seja, 21 anos depois de ter ardido.
Catedral de Turim

- Biblioteca de Alexandria

Foi construída durante o período helénico, em Alexandria, no Egito. Foi patrocinada por Ptolemeu II, que, sendo um apreciador da filosofia grega, apoiou a criação de diversas escolas sediadas na Biblioteca, além de museus e coleções permanentes.

Esta biblioteca foi uma das mais célebres bibliotecas da história e um dos maiores centros de saber da Antiguidade, divulgando o saber grego clássico para o Oriente.

Teria entre 400 mil a 700 mil livros.

A sua destruição é um acontecimento que divide os historiadores. Uma versão dá ao fogo origem acidental atribuído aos árabes durante toda a era medieval.

Outra das versões conta que Júlio César, passando por Alexandria ao perseguir o seu rival Pompeu, não só foi presenteado com a cabeça do seu inimigo, mas também com o amor de Cleópatra. Envolvido pela paixão, toma o trono pela força, entrega-o à Rainha e aniquila todos os tutores do antigo rei, com exceção de um, que foge. Determinado a não deixar sobreviventes, manda incendiar todos os navios, incluindo os seus, para que ele não pudesse escapar por mar. O fogo teria ganho proporções e atingido uma parte da biblioteca.

O governo do Egito, no tempo de Hosni Mubarak, construiu uma nova biblioteca em Alexandria, em 2002, perto do local da antiga. Custou 65 milhões de dólares. Além de livros, tem, igualmente, museus, auditórios, laboratórios e planetário. Possui a maior coleção de livros de África.

Também esta nova biblioteca sofreu um incêndio, em 2003, devido a um curto-circuito. As chamas fora extintas depois de 45 minutos, 40 pessoas foram feridas.
Ilustração da Biblioteca de Alexandria

- Museu da Língua Portuguesa em São Paulo

Este museu sofreu um incêndio a 21 de dezembro de 2015, uma segunda-feira que estava fechado ao público. Ficou tudo em cinzas.

Um bombeiro morreu ao abrir uma porta enquanto o edifício estava a pegar fogo.

Tinha sido inaugurado em março de 2006 e era um dos museus mais visitados do Brasil e da América do Sul, tendo sido o primeiro do mundo dedicado exclusivamente à língua portuguesa.

Atualmente, a estrutura ainda está a ser reconstruída e a previsão é que fique pronta até ao final deste ano.
Museu da Língua Portuguesa

- Ópera de Veneza

O Teatro La Fenice (PT: "A Fénix") é o principal teatro lírico de Veneza, na Itália. Já foi destruído duas vezes pelas chamas e reconstruído. E tem o seu nome em consequência desses dois acontecimentos.

Este teatro inaugurado a 16 de maio de 1792, sofreu o seu primeiro incêndio a 13 de dezembro de 1836, tendo sido reconstruído logo de seguida, seguindo o mesmo projeto.

A segunda vez foi a 29 de janeiro de 1996, quando o teatro ficou totalmente destruído num incêndio que foi provocado. Os autores do crime foram dois eletricistas que tentaram, por essa via, evitar punições contratuais por atrasos ao serviço que lhes tinha sido encomendado.

Em 2001, os dois foram condenados. Enrico Carella, dono da empresa, levou sete anos de prisão e Massimiliano Marcheti levou seis anos.

Voltou a ser inaugurado a 14 de dezembro de 2003, com um concerto dirigido por Ricardo Muti.
Ópera de Veneza

- Castelo de Windsor

Mandado construir pelo rei Guilherme I, no séc. XI. Foi uma das residências oficiais da realeza britânica, além de maior, é o castelo habitado mais antigo da Europa.

A 20 de novembro de 1992, toda a parte nordeste do castelo de Windsor, residência real no oeste de Londres, foi destruída por um incêndio.

As chamas, que por pouco não atingiram os apartamentos privados da Rainha Isabel II, começaram numa capela. Um projetor que foi deixado demasiado perto dos cortinados sobreaqueceu e incendiou o tecido de uma das cortinas.

Depois de cinco anos de obras de restauro, o castelo reabriu ao público em 1997.

Em 2018, este castelo foi palco do casamento do príncipe Harry com a atriz Meghan Markle.
Castelo de Windsor

- Biblioteca de Sarajevo

Em plena guerra da Bósnia, a 25 de agosto de 1992 os sérvios bósnios incendeiam a biblioteca nacional da Bósnia. Esta tinha sido construída em 1896.

Apenas 300 mil livros foram salvos, no total a biblioteca contava com meio milhão de obras.

As obras de restauro começaram em 1996, já depois dos acordos de Dayton, que puseram fim à guerra, tendo sido, e parte, financiada pela União Europeia.

Foi novamente inaugurada em 2014.
Biblioteca de Sarajevo

- Reichstag

Este é o edifício que abriga o parlamento alemão (Bundestag), é uma das atrações mais visitadas da capital alemã, Berlim.

Foi um projeto de Paul Wallot e inaugurado em 1894, com um estilo neo-renascentista.

Na madrugada do dia 27 para 28 de fevereiro de 1933, quatro semanas após Adolf Hitler ter sido nomeado chanceler, o prédio pegou fogo em circunstâncias misteriosas que nunca foram totalmente esclarecidas.

O fogo destruiu a sala do plenário e a cúpula do Reichstag. Este incêndio foi usado como pretexto pelos nazis para iniciar a perseguição aos seus opositores.

Extremamente danificado pelo incêndio e durante a Segunda Guerra Mundial, o prédio foi restaurado entre 1961 e 1971, mas o desenho foi simplificado. O prédio foi restaurado sem a cúpula, que foi destruída a 22 de novembro de 1954, para evitar danos maiores ao edifício.

Após a reunificação da Alemanha, com o regresso do Parlamento de Bona para Berlim deu-se uma nova restauração. Esta começou em 1995 e concluída em 1999.
Reichstag

Fonte: Diário de Notícias


MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

A Catedral de Notre Dame

Catedral Notre Dame
Ontem assistimos ao incêndio que destruiu grande parte da Catedral Notre Dame. Hoje, aqui, vamos conhecer um pouco mais deste edifício histórico que tanto simboliza, não só a França, mas também a Europa.

- O seu nome em português significa Catedral de Nossa Senhora de Paris

- Situa-se na capital da França, Paris, na pequena ilha Île de la Cité, rodeada pelas águas do Rio Sena

- É uma das mais antigas catedrais francesas do estilo gótico

- Começou a ser construída em 1163

- É dedicada a Maria, mãe de Jesus Cristo

- O local onde se encontra hoje a Catedral já, antes da sua construção, tinha um sólido historial relativo ao culto religioso. Os celtas teriam aqui celebrado as suas cerimónias onde, mais tarde, os romanos ergueram um templo de devoção ao Deus Júpiter

- Também neste local existiu uma das primeiras igrejas cristãs de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, por volta de 528 d.C. Em substituição a esta igreja surge uma igreja românica que permanece até 1163, quando se dá o impulso na construção da atual Catedral

- Foi mandada construir pelo bispo Maurice de Sully, que considerava a igreja românica pouco digna dos novos valores e manda-a demolir. Constrói-se então uma Catedral com um estilo gótico, cujas suas inovações técnicas permitem atingir formas até então impensáveis
Bispo Maurice de Sully
- Durante o reinado de Luís XIV, no final do séc. XVII, sofreu alterações substanciais principalmente na zona este, em que túmulos e vitrais foram destruídos para substituir por elementos mais ao gosto do estilo artístico da época, o Barroco

- Em 1793, com a Revolução Francesa e sob o Culto da Razão, mais elementos da catedral foram destruídos e muitos dos seus tesouros roubados, acabando o espaço em si por servir para armazenar os alimentos

- Dá-se na Catedral Notre Dame a coroação do Imperador Napoleão Bonaparte, em dezembro de 1804, que envolve alguns acontecimentos curiosos. Um deles foi que Napoleão não queria ser coroado pelo Papa, presente na cerimónia, pois ele queria deixar claro que o seu Governo representava o poder supremo na França e não a Igreja. Dizem que então Napoleão se levantou, se coroou  na sequência coroou a sua mulher Josephine. Testemunhas disseram que o Papa ficou surpreso, imóvel e se recusou a abençoar a cerimónia
Coroação de Napoleão Bonaparte
- Com a época romântica, outros olhares foram lançados sobre a Catedral e a filosofia vira-se para o passado, enaltecendo e mistificando numa aura poética e divina a história de outras épocas e a sua expressão artística. Então é iniciado um programa de restauro da Catedral em 1844

- Em 1831, durante o espírito do romantismo, Victor Hugo escreveu, o romance "Notre-Dame de Paris", o Corcunda de Notre-Dame. Situando os acontecimentos na catedral durante a Idade Média, a história trata de Quasimodo que se apaixona por uma uma cigana de nome Esmeralda.
Esmeralda e Quasimodo do romance "Corcunda de Notre-Dame"
- O que nem todo mundo sabe é que o autor do romance se inspirou num dos escultores da catedral para criar o personagem Quasímodo, um homem corcunda que trabalhou lá por volta de 1820 durante um projeto de restauração do monumento.

- Em 1871, com a curta ascensão da Comuna de Paris, a Catedral torna-se novamente cenário de turbulências sociais, durante as quais se crê ter sido quase incendiada.

- Em 1909, aqui acontece a beatificação de Joana d'Arc

- Em 1965, com a construção de um parque subterrâneo na praça da Catedral, foram descobertas catacumbas que revelaram ruínas romanas, da catedral merovíngia do séc. VI e de habitações medievais

- Ontem, 15 de abril de 2019, às 19 horas locais (18 horas em Portugal) a Catedral foi atingida por um violento incêndio, que destruiu uma grande parte do monumento
Incêndio na Catedral Notre Dame
- Existem várias lendas que envolvem este monumento. Uma das mais conhecidas é a lenda da "Porta do Diabo".
"Porta do Diabo" da Catedral Notre Dame
Durante as obras de construção do edifício como depois delas, começaram a aparecer lendas inquietantes onde o Diabo aparecia como o real feitor deste templo maravilhoso saído dos esquissos cheios de pretensões macabras só conhecidas dos saberes secretos dos monges-construtores que realizaram a obra encomendada por Maurice de Sully.

Uma dessas lendas, talvez a mais inquietante, diz que as duas portas de ferro forjado da catedral foram feitas pelo Diabo em pessoa, inclusive deixando o seu retrato e o da sua corte infernal esculpido junto às mesmas.

Um jovem artesão parisiense, chamado Biscornet, foi encarregado pela fechadura e decoração em ferro forjado de uma das portas laterais da catedral, que recebeu o nome de Santa Ana.

Diz a lenda que diante da dificuldade que estava encontrando na realização desse trabalho, Biscornet invocou o Diabo e pediu sua ajuda em troca de sua alma. Quando ele finalizou o trabalho, foi muito elogiado e promovido a mestre no ramo. Porém, logo em seguida foi encontrado morto na sua cama em estranhas condições.

Até hoje os especialistas não conseguem explicar como Biscornet conseguiu fazer um trabalho tão primoroso!

- O Tesouro da Catedral guarda (ou guardava) verdadeiras relíquias, entre elas manuscritos medievais, objetos e relíquias religiosas, como a Coroa de Espinhos de Cristo e um pedaço da cruz na qual foi crucificado
Coroa de espinhos de Cristo, guardada na Catedral Notre Dame
- Outra jóia da Catedral é a sua grande Rosácea, localizada na fachada norte. Mede 13 metros de diâmetro e contém 80 imagens do Antigo Testamento, dispostas em torno da imagem central da Virgem. No extremo oposto, há uma Rosácea com a imagem do Cristo do Apocalipse, que foi acrescentada durante a restauração por Viollet-le-Duc
Rosácea da fachada norte da Catedral Notre Dame
- Na parte central da Catedral, foi instalada uma enorme torre adornada na ponta por um galo, símbolo do país. Infelizmente esta torre foi ontem destruída pelo incêndio
Torre adornada na ponta por um galo
- A nave principal da Catedral foi erguida com 33 metros de altura e com capacidade para 9 mil pessoas
Interior da Catedral Notre Dame
- O telhado em madeira (o que também facilitou a rápida propagação das chamas) foi feito com mais de 1300 madeiras de castanheiros, ou seja, cerca de 24 hectares de floresta
Interior do telhado da Catedral Notre Dame
- Emmanuel é o nome do grande sino da Notre Dame. Pesa 13 toneladas e foi restaurado no séc. XVII
Sino Emmanuel
- Na praça Parvis, em frente à Catedral, situa-se o marco zero da cidade, marco geográfico que determina o Km 0 de todas as estradas que saem da cidade, servindo de referência para calcular as distâncias entre Paris e as outras cidades francesas
Marco zero da cidade

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Está a arder A Catedral

Catedral Notre Dame em chamas
Decorre neste momento um forte incêndio que já destruiu significativamente um dos maiores símbolos da França e da Europa.

A Catedral Notre Dame está em chamas, possivelmente devido a um acidente decorrido nas obras de restauro do monumento.

A torre central sucumbiu totalmente às chamas, que se estão a alastrar para a torre norte. E, segundo a Reuters, o teto da catedral de Notre-Dame de Paris “entrou em colapso total”.
Catedral Notre Dame em chamas

A UNESCO já prometeu ajudar nas obras de reconstrução do edifício.

Já tive o prazer de visitar este monumento monstruoso que tanto simboliza a arte gótica, certamente um duro golpe no orgulho francês e também no europeu.

Vamos aguardar por saber o verdadeiro significado da perda, mas certamente o mínimo que seja já será muito!

Existem vários vídeos a circularem na Internet onde se podem ver o incêndio e até a queda do pináculo da Catedral.
Catedral Notre Dame em chamas


MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

Doces Tradicionais Portugueses


No post de hoje vou referir alguns pratos tradicionais portugueses doces.

Já publiquei outro post com os pratos tradicionais portugueses salgados: https://imagenschistoria.blogspot.com/2019/04/pratos-tradicionais-portugueses-salgados.html

Areias de Sintra
São tradicionais de Sintra.
São uns bolinhos simples, relativamente húmido polvilhados com muito açúcar. Na massa dos bolinhos usa-se farinha, manteiga, açúcar e sal.
Areias de Sintra

Bolo de Sertã
É uma receita tradicional dos Açores e o seu nome vem do recipiente onde é cozinhado. A sertã é uma espécie de frigideira de barro não vidrado que pode aquecer em qualquer superfície.
É feito à base de farinha de milho e de trigo.
Bolo de Sertã

Bolo Micaelense
É um bolo oriundo do receituário do Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada, São Miguel, nos Açores.
O bolo tem uma massa simples, de farinha, ovos, açúcar e baunilha, que depois de cozido é retirado o miolo e recheado com açúcar, gemas e amêndoas, depois é coberto com chocolate e amêndoas.
Bolo Micaelense

Brisa de Lis
É um doce conventual típico de Leiria, remonta ao antigo Convento de Santana.
É um doce feito à base de ovos, açúcar e amêndoa.
Brisa de Lis

Camafeus
O nome deste doce tem a sua origem nos antigos acessórios femininos que se usavam ao peito, ovalados e com a representação de um rosto feminino, originários da Ilha Terceira.
É um doce feito a partir de calda de açúcar, nozes raladas e ovos, engrossado ao fogo para ser, posteriormente, moldado no tamanho de uma noz, coberto com glace e enfeitado com metade de uma noz.
Camafeus

Clarinhas de Fão
São oriundos de Esposende, mais propriamente do Convento do Menino de Jesus de Barcelos.
São pastéis recheados com abóbora chila batida com gemas de ovos.
Clarinhas de Fão

Cornucópias
A origem deste doce conventual vem da cornucópia, um vaso que possui uma forma de corno e no seu interior está repleto de frutos e flores, o que, antigamente, queria simbolizar a fartura, a abundância. É um doce de origem nos Açores que foram criadas por mãos de freiras.
A massa é feita com pão ralado, amêndoa ralada, banha, ovos, farinha, manteiga e açúcar e tem um recheio de ovos-moles.
Cornucópias

Frutos de Amêndoa
Estes frutos são vendidos em todo o Algarve, a sua história e fama estão muito ligadas a uma antiga pastelaria algarvia, e muito especialmente aos seus proprietários. Assim, embora a pastelaria só tenha aberto portas ao público há cerca de 70 anos, a primitiva proprietária já era conhecida como doceira famosa muito antes desta data. Em 1918, os doces já são referidos.
É uma massa de amêndoa recheada com fios de ovos.
Frutos de Amêndoa

Ovos Moles de Aveiro
A história dos Ovos Moles terá tido origem no Convento de Jesus de Aveiro. Enquanto as claras dos ovos eram usadas para tarefas domésticas, como engomar a roupa, as gemas não tinham uso até que lhes juntaram açúcar. As freiras do convento rapidamente criaram um doce de ovos que, mais tarde, resultaria nos Ovos Moles de Aveiro.
O doce de ovos moles é o recheio de uma hóstia (obreia), em formas que remetem para a cidade de Aveiro e à sua tradição piscatória e proximidade com o mar. Também se vende apenas o recheio em barricas pintadas à mão.
Ovos Moles de Aveiro

Pão de Ló 
Existem várias versões em Portugal, que são:

- De Alfeizerão: Esta localidade é conhecida pelo seu pão de ló. Em 1932, o jornal "Ecos do Alcoa" dava-lhe o nome de "Pão de Ló da Tia Amália". Diz-se que a receita pertencia às freiras do Convento de Coz e que tinha sido transmitido a senhoras da terra que o confeccionavam em dias de festa. Um dia o Rei D. Carlos fez uma visita a Alfeizerão sendo presenteado com esta iguaria. Mas tamanho era o desejo de o bem servir que a cozedura do pão de ló ficou incompleta. Ao contrário do esperado, o resultado foi um enorme sucesso que mereceu a preferência do Rei e o aplauso dos presentes, foi assim que nasceu o Pão de Ló de Alfeizerão.
Pão de ló de Alfeizerão
- De Arouca: Mais propriamente da freguesia de Burgo é vendido desde 1840. Pensa-se que tenha surgido no Convento de Arouca. Mas descendentes da família Teixeira Pinto, que em 1840 começaram a comercializar o pão de ló, afirmam que esta receita não tem raiz conventual. É facilmente distinguido de outros pães de ló pela sua forma retangular, comercializado às fatias e envolvido numa calda de açúcar.
Pão de ló de Arouca
- De Ovar: Tem a forma de uma broa e é feito de uma massa leve e fofa. Na parte superior a côdea é muito fina e húmida com uma cor acastanhada. À sua volta tem uma orla de massa cremosa com a cor amarela. Tradicionalmente é envolvido em papel de linho branco. Pouco se sabe sobre as suas origens, sabendo-se apenas que tem origem conventual.
Pão de ló de Ovar
A receita base do pão de ló é farinha, açúcar e ovos, podendo levar essência de baunilha ou raspas e/ou de algum citrino.

Pastel de Feijão
É um doce confecionado em Torres Vedras desde os finais do séc. XIX.
A receita pode variar consoante o fabricante, mas tem como ingredientes base a amêndoa e o feijão branco cozido.
Pastel de Feijão

Pastel de Nata ou Pastel de Belém
Em 1837, em Belém, próximo do Mosteiro dos Jerónimos, numa tentativa de subsistência, os clérigos do mosteiro puseram à venda uns pastéis de nata. Nessa época, Belém e Lisboa eram duas localidades diferentes com acesso assegurado por barcos a vapor. Na sequência da revolução liberal de 1820, em 1834, o mosteiro fechou. O pasteleiro do convento decidiu vender a receita ao empresário português vindo do Brasil, Domingos Rafael Alves, continuando até hoje na posse dos seus descendentes.
A receita original é da Fábrica dos Pastéis de Belém, em Lisboa. Aí, tradicionalmente, os pasteís de Belém comem-se ainda quentes, polvilhados com canela e açúcar em pó.
Pastel de Nata ou Pastel de Belém

Pudim Abade de Priscos
É uma receita típica de Braga, sendo uma das poucas receitas que o abade de Priscos transmitiu para o público. O pudim ficou conhecido quando Pereira Júnior, diretor do Magistério Primário feminino de Braga no antigo Convento dos Congregados, pediu ao Abade de Priscos receitas para ensinar no magistério.
O pudim é confecionado num tacho de latão ou cobre onde é colocada a água, depois coloca-se o açúcar, casca de limão, pau de canela e toucinho (de preferência de Chaves ou de Melgaço). Depois acrescenta-se gemas e um cálice de vinho do Porto (de preferência Tawny).
Pudim de Abade de Priscos

Pudim de Coalhada
É uma receita da Ilha Graciosa, nos Açores.
Leva leite, coalho em pó, farinha de rolão, açúcar, manteiga, ovos, canela, pão ralado e caramelo.
Pudim de Coalhada

Pudim de Maracujá
É uma receita originária da Ilha da Madeira por ser uma das frutas mais conhecidas da ilha.
A receita leva leite, natas, leite condensado, polpa de maracujá e folhas de gelatina.
Pudim de Maracujá

Pudim de Queijo da Ilha
O Queijo da Ilha é produzido na Ilha de São Jorge, nos Açores. Trata-se de um queijo curado, de tonalidade amarela e consistência dura.
O pudim é feito à base do Queijo da Ilha, ovos e açúcar, sobressaindo o sabor intenso a queijo. Leva ainda farinha de trigo, iogurtes naturais e manteiga.
Pudim de Queijo da Ilha

Queijadas da Graciosa
São um doce tradicional da Ilha Graciosa, nos Açores. Há 25 anos, as Queijadas da Graciosa recebiam o nome de "Covilhete de Leite" ou "Queijada da Praia", sendo um produto exclusivo da Graciosa, pois era um doce de especialidade exclusiva das donas de casa e admirado por todos da localidade. No entanto, o doce teve maior referência após Maria de Jesus Félix abrir uma fábrica específica de queijadas, que teve um crescimento ao longo dos anos e tornou-se um símbolo da ilha.
Têm uma forma de estrela, possuem um sabor delicado, com uma massa exterior fina e estaladiça e o seu recheio é de ovos e leite, podendo encontrar também o sabor de canela.
Queijadas da Graciosa

Queijadas de Évora
A receita vem da doçaria conventual e o recheio leva uma quantidade considerável de gemas, sem incluir claras.
Para a massa usa-se sal, água tépida, farinha de trigo e manteiga. Para o recheio leva farinha de trigo, cerca de 14 gemas, queijos frescos de ovelha, açúcar e manteiga
Queijadas de Évora

Queijadas de Sintra
As primeiras referências ás queijadas datam do séc. XIII e, segundo os arquivos da Torre do Tombo, na época serviam como pagamento de foros. Sintra possuía excelentes pastagens e excesso de queijo fresco, sendo este usado no fabrico deste doce. A receita terá sido criada no Convento da Penha Longa, em Linhó. No entanto, a receita de então é diferente da atual, pois naquela época não se conhecia o açúcar e a canela. Em meados do séc. XVIII, uma senhora de Ranholas, de nome Maria Sapa, industrializou o fabrico caseiro deste doce tradicional, dando-lhe grande projeção.
São feitas com um recheio à base de queijo fresco, açúcar, ovos, farinha e canela, envolvido numa massa crocante e estaladiça.
Queijadas de Sintra

Salame de Chocolate
É um doce tradicional da culinária portuguesa, mas também da cozinha italiana.
É confecionado com chocolate, bolachas, manteiga, ovos e por vezes vinho do Porto.
Salame de Chocolate

Sericaia ou Sericá
Há quem diga que esta receita é oriunda da Índia ou do Brasil, o que se sabe ao certo é que esta receita foi implementada no Alentejo pelas mãos habilidosas das freiras do convento de Elvas e de Vila Viçosa, reclamando ambos para si os direitos da sua importação. Umas deram-lhe o nome de Sericaia e outras de Sericá, sendo que a tradição está mais ligada a Elvas, onde o doce é decorado com as famosas ameixas da região.
Para a confeção desta receita usa-se limão, leite, canela, sal, ovos, farinha de trigo e açúcar.
Sericaia ou Sericá

Tarte de Amêndoa
A Tarde de Amêndoa tem origem no Algarve.
Para a massa usa-se farinha, manteiga, açúcar e ovos. Para o recheio usa-se açúcar, manteiga, amêndoas e leite.
Tarte de Amêndoa

Toucinho do Céu
A receita original terá sido criada pelas mojas beneditinas de Murça e, daí, ter-se-á difundido pelos diversos conventos femininos, sofrendo sempre alguma adaptação conforme a região e os ingredientes ali disponíveis. O nome da receita vem dos tempos em que a receita era feita com banha de porco.
A receita de Toucinho do Céu de Amarante é uma das mais simples, mas a base a receita é sempre a mesma: ovos, açúcar e amêndoa.
Toucinho do Céu

Torta de Azeitão
São umas tortas típicas de localidade de Azeitão, em Setúbal. A origem da torta remonta ao final do séc. XIX e começa pelas mãos de Manuel Rodrigues, mais conhecido como "o Cego". Casado com uma fada da cozinha e pai de uma talentosa doceira. A pastelaria O Cego, em Azeitão, comercializa as originais tortas desde 1901.
Para a massa usa-se ovos, açúcar, maisena e canela em pó e para o recheio água, açúcar e gemas.
Torta de Azeitão

Travesseiro de Sintra
Os Travesseiros de Sintra podem ser encontrados numa antiga padaria de Sintra que, mais tarde, viria a ser conhecida por Piriquita. Esta pequena fábrica foi fundada em 1862, lá trabalhavam Amaro dos Santos, padeiro de profissão e a sua mulher Constância Gomes. Foi o Rei D. Carlos que encorajou o casal a confecionarem as famosas Queijadas de Sintra. O nome Piriquita vem da alcunha que o Rei deu a Constância Gomes, pela sua baixa estatura.
Os travesseiros surgiram na década de 40, quando a filha dos fundadores, Constância Luísa Cunha, desenvolveu um pastel recheado com doce de ocos e com um toque amendoado, mas com o segredo tão bem guardado que apenas a família direta tem acesso à receita do recheio.
É um bolo à base de massa folhada, creme de ovo e amêndoas e tem um ingrediente secreto que o torna apetecível.
Travesseiro de Sintra

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.