segunda-feira, 23 de abril de 2018

A Síria - A Intervenção de Outros Países

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje falarei de como os outros países, reagem à situação vivida na Síria.

A Intervenção de Outros Países


O governo da Turquia é o que fornece maior apoio aos refugiados sírios, sendo uma grande percentagem dos mais de dois milhões de refugiados a encontrarem-se em território turco.
Refugiados Sírios a fugir para a Turquia
Muitos opositores sírios usaram a cidade de Istambul (capital da Turquia) como centro para comandar a luta pela mudança de regime no seu país, e a Turquia também refugiou o líder do Exército Livre da Síria, o Coronel Riad al-Asaad.
Coronel Riad al-Asaad, Líder do Exército Livre da Síria
O principal apoio material e financeiro dispensado à oposição vem de Estados sunitas no Médio Oriente, principalmente o Qatar, Turquia e Arábia Saudita, que enviavam enormes quantidades de armas, munições e outros mantimentos aos rebeldes.

No ocidente, boa parte do apoio à oposição vem, principalmente, dos EUA, da França e do Reino Unido.

A 11 de novembro de 2012, em Doha, o chamado Conselho Nacional e outros grupos de oposição juntaram-se para formar a “Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias”, unificando assim a maioria dos grupos anti-Assad (Presidente Bashar al-Assad da Síria). Nos dias seguintes, muitos Estados árabes do golfo e várias potências ocidentais reconheceram a nova coalizão como legítimos representantes do povo sírio.

Entre os delegados que compõem este novo conselho, estão mulheres e representantes de minorias étnicas e religiosas, como os alauitas.

No fim de 2013, alguns países ocidentais, como EUA e Inglaterra, anunciaram cortes na ajuda à oposição síria. Acontecia que os grupos moderados tinham vindo a perder espaço no cenário político e militar no conflito, enquanto os extremistas e fundamentalistas crescem em poder e influência.

No entanto, em julho de 2015, os EUA começaram um projeto para armar e treinar membros de fações consideradas moderadas da oposição síria. O objetivo deste programa de apoio era preparar os rebeldes para enfrentar o avanço do autoproclamado Estado Islâmico em território sírio. A eficácia deste plano foi muito questionada.

A 19 de julho de 2017, foi reportado que o então presidente dos EUA, Donald Trump, tinham decidido interromper todos os programas de treino e apoio em termos de armas a grupos rebeldes anti governo na Síria, algo muito requisitado pela Rússia, uma importante aliada do regime Assad.
Donald Trump, Presidente dos EUA
O governo do presidente Bashar al-Assad recebe um vasto apoio vindo de países e organizações xiitas, como o Irão e o Hezbollah, respetivamente.

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, anunciou apoio ao governo sírio, abertamente. O jornal britânico The Guardian reportou que o Irão apoiava Assad com equipamentos, informações e treino.
Ali Khamenei, Líder Supremo Iraniano
A 25 de maio de 2013, num discurso, o líder da milícia Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou que a organização estava “comprometida em ajudar Assad a se manter no poder”. Segundo fontes ocidentais, mais de cinco mil combatentes do grupo estão atualmente na Síria a lutar ao lado das forças do governo.
Hassan Nasrallah, Líder da Milícia Hezbollah
A Rússia é a maior aliada do regime sírio no conflito. Em janeiro de 2012, a Human Rights Watch (é uma ONG que defende e realiza pesquisas sobre os direitos humanos) criticou o governo russo por “repetir os mesmos erros dos países ocidentais” ao apoiar “disfarçadamente” o lado que simpatiza.

Um dos principais interesses da Rússia no conflito é a manutenção da base naval no porto de Tartus, que Moscovo considera essencial para a manutenção da influência do país no Mediterrâneo.
Presidente da Síria, Bashar al-Assad e o Presidente Russo, Vladimir Putin
Em apoio ao regime sírio, o governo russo teria enviado enormes quantidades de armas pequenas e pesadas e até helicópteros de combate para reforçar as forças de Bashar al-Assad. Os russos também dariam apoio técnico, logístico e financeiro ao regime.

Em setembro de 2015, foi anunciado que as forças armadas russas estavam a montar uma base militar na Síria, com pessoal e equipamento, com o propósito de apoiar melhor e até lutar ao lado das forças do presidente Assad.

Esta foi a primeira vez que tinha sido confirmado a presença de militares da Rússia na frente de combate sírio. O objetivo desta tropa seria apoiar o governo sírio na luta contra os militantes do autoproclamado Estado Islâmico e da oposição, que tinham ganhado terreno até aquele momento. Apenas nos primeiros seis meses da campanha aérea e naval, mais de 4500 pessoas morreram, a maioria combatentes islamitas.

A Liga Árabe, a União Europeia, as Nações Unidas e vários governos ocidentais condenaram a violência no país e a repressão do regime sírio, apoiando o direito de liberdade de expressão do povo.

Vários governos ocidentais, em especial os EUA e membros da União Europeia, impuseram pesadas sanções económicas unilaterais contra a Síria num esforço para enfraquecer o governo da Síria. O efeito deste obstáculo financeiro das potências é inconclusivo, com países como o Irão a doar bilhões de dólares ao governo sírio.

A China e a Rússia também demonstram apoio financeiro ao governo de Assad e se posicionam oficialmente contra qualquer tipo de imposição de sanções internacionais ao país.

Em meados de agosto de 2016, o governo da Turquia anunciou que, em resposta, a uma série de atentados contra o seu território, lançaria operações militares para livrar a região de fronteira síria-turca da presença de militantes do Estado Islâmico.

A 24 de agosto, apoiados por aviões dos EUA e rebeldes sírios, as forças armadas turcas lançaram uma grande operação na área da cidade de Jarablos, no norte da província de Alepo. Dezenas de veículos blindados e meios aéreos atacaram posições de terroristas islâmicos na região, segundo autoridades da Turquia. Vários militandes do Estado Islâmico foram mortos. Isto marcou a primeira ação militar turca direta na Síria desde novembro de 2015.

No começo de 2017, os EUA intensificaram os seus bombardeamentos na Síria. Foi reportado também um aumento do número de civis mortos. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou uma mudança de estratégia e disse ter pedido ao Pentágono que apresentasse, em 30 dias, um novo plano de batalha para derrotar o Estado Islâmico mais rápido.

A 4 de abril de 2017, um grande ataque com armas químicas aconteceu na cidade de Khan Shaykhun, no sul da província de Idlib. Entre 70 a 100 pessoas terão morrido, e outras 500 ficaram feridas. Uma investigação feita sugeriu que, provavelmente, o gás Sarin tenha sido utilizado, principalmente devido aos sintomas apresentados pelas vítimas. A Comunidade Internacional e a oposição síria culparam o regime de Bashar al-Assad pelo incidente.

O governo sírio, por sua vez, apoiado pela Rússia, acusou a oposição pelo mesmo crime. Três dias depois, seguindo ordens do presidente dos EUA, dois navios da marinha dos EUA, estacionados na costa do Mediterrâneo, dispararam entre 50 a 60 mísseis BGM-190 Tomahawl contra uma base da força aérea síria na cidade de Shayrat, na província de Homs.

O objetivo do bombardeamento teria sido atingir alvos de importância militar do regime sírio, principalmente plataformas de defesa aérea, hangares e depósitos de combustível. Este foi o primeiro ataque intencional na guerra lançado pelos EUA contra o governo sírio.

A França e os EUA estão em sintonia quanto ao envolvimento militar na Síria, que só terminará “no dia em que a guerra contra o Daesh for concluída”, declarou o presidente francês, Emmanuel Macron.
Emmanuel Macron, Presidente da França
“Temos um único objetivo militar: a guerra contra o ISIS (Estado Islâmico)”, afirmou Macron.

“Tenho motivos para dizr que os EUA, porque decidiram connosco essa intervenção, perceberam inteiramente que a nossa responsabilidade ia além da luta contra o Daesh e que também era uma responsabilidade humanitária e uma responsabilidade de longo prazo para construir a paz”, acrescentou Macron.

A Casa Branca anunciou, em abril de 2018, num comunicado, que as tropas norte-americanas na Síria deveriam regressar o “mais rápido possível”, algumas horas depois do presidente francês afirmar que tinha convencido o homólogo dos EUA “a permanecer” na Síria, na sequência dos ataques dos EUA, da França e do Reino Unido na madrugada de sábado (14 de abril).

Em comunicado, a Casa Branca disse estar “determinada a esmagar completamente” o grupo extremista Estado Islâmico e a criar condições que “impeçam o seu regresso”.

Os EUA, a França e o Reino Unido, realizaram a 14 de abril de 2018, uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo sírio.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.


O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à “ação monstruosa” realizada pelo regime de Damasco contra a oposição, numa referência ao alegado ataque com armas químicas contra a cidade rebelde de Douma, ocorrido no dia 7 de abril e que terá provocado 40 mortos e afetado outras 500 pessoas.


Outros post's relacionados com a Síria:
- A Síria - Enquanto País: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-enquanto-pais.html
- A Síria - O Presidente: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-o-presidente.html
- A Síria - A Primeira-Dama: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-primeira-dama.html
- A Síria - A Guerra Civil: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-guerra-civil.html
- A Síria - Os Refugiados: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/siria-os-refugiados.html


MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

domingo, 22 de abril de 2018

A Síria - Os Refugiados

(Contem imagens podem ser chocantes para algumas pessoas)

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje falarei dos refugiados, sobre aqueles que arriscaram em vir para a Europa ou para outros países, para fugirem do perigo iminente de morte.

Os Refugiados

Refugiados sírios
Os refugiados sírios fugiram do seu país de origem devido aos conflitos e consequente destruição ocorrida perante uma guerra civil, que desde 2011 assusta a população da Síria.

Muitos procuraram um local seguro noutro país para se manterem longe destes problemas que apresentam perigo iminente de morte para a população.

Para chegarem a outros países, fazem longas caminhadas, encarando o calor do deserto, matas e marés.

Muitos perderam a vida a tentar cruzar o mar mediterrâneo em embarcações ilegais e precárias, que não suportam o grande número de refugiados levando ao naufrágio e a inúmeras mortes.
Refugiados sírios que enfrentam o Mar Mediterrâneo para fugir à guerra, alguns acabam por perder a vida
Em 2016, a ONU identificou 13,5 milhões de sírios que precisavam de ajuda humanitária, dos quais mais de seis milhões são deslocados internos na Síria e mais de 4,8 milhões são refugiados fora da Síria.

Em 2017, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) contava com 4.863.684 refugiados registados.

A Turquia é o maior país que recebe refugiados, com registos de mais de 2,7 milhões de refugiados sírios.

O Líbano acolhe aproximadamente 1,1 milhões de refugiados da Síria, o que equivale a cerca de uma em cada cinco pessoas da população do país.

A Jordânia acolhe mais de 600 mil refugiados registados da Síria, o que se traduz em 10% da população.

O Iraque, onde 3,9 milhões de pessoas já são deslocadas internas, acolhe mais de 200 mil refugiados sírios.

O Egito acolhe mais de 115 mil refugiados registados da Síria.
Refugiados sírios
Foram feitos pedidos de financiamento humanitário para os refugiados pelas Nações Unidas em 2015, os quais foram cumpridos apenas 61% até ao final do ano seguinte.

A falta de fundos significa que os refugiados sírios mais vulneráveis no Líbano recebem apenas 21,60 dólares (19,31€) por pessoa e por mês, são cerca de 0,70$ (0,63€) por dia em ajuda alimentar, muito abaixo da linha de pobreza identificada pelas Nações Unidas, de 1,90$ (1,70€).

"Quando o número de homens, mulheres e crianças que fogem da guerra na Síria no seu sexto ano já é superior aos cinco milhões, a comunidade internacional tem que fazer mais para os ajudar", disse Filippo Grandi, o Alto-Comissário da ONU para os Refugiados.

Num comunicado, o responsável disse existir ainda "um longo caminho a percorrer" para ajudar os refugiados, mas, considerou, a comunidade internacional deve em primeiro lugar "acelerar a aplicação dos compromissos já assumidos", como é o caso do realojamento dos 500 mil sírios.

"O realojamento é um instrumento crucial para proteger os refugiados. (...) ACNUR continuará a trabalhar com os países para aumentar o número de locais para acolhimento e o número e alcance de vias de proteção complementares", disse Filippo Grandi.

O alto-comissário sustento que a deslocalização "não dá apenas aos refugiados a oportunidade de refazerem as suas vidas, mas também enriquece as comunidades que os recebem".

No total foram oferecidas 162.151 (informações de 2016) vagas de reinstalação a nível global desde o início da crise na Síria, o que equivale a uns meros 3,6% do total da população de refugiados que se encontram no Líbano, Jordânia, Iraque, Egito e Turquia.

Pelo menos 450 mil pessoas nestes cinco países de acolhimento estão em situações de carência urgente de reinstalação, de acordo com o ACNUR.

A Amnistia Internacional procurou convencer que pelo menos 10% dos mais vulneráveis refugiados sírios sejam reinstalados noutros países ou admitidos através de outros mecanismos até ao final de 2016.

A Alemanha comprometeu-se a receber 39.987 de refugiados sírios através do seu programa nacional humanitário de acolhimento e de patrocínios individuais. O que equivale a 54% do que foi feito em toda a União Europeia.
Refugiados sírios na Alemanha
A Alemanha e a Sérvia receberam, juntos, 57% dos requerimentos de asilo de sírios no espaço da União Europeia entre abril de 2011 e julho de 2015.

Excluindo a Alemanha e a Suécia, os restantes 26 países-membros da União Europeia comprometeram-se com cerca de 30 mil vagas para a reinstalação, ou seja, aproximadamente 0,7% da população de refugiados sírios que se encontram nos principais países de acolhimento na região.

Mas existem países que não querem ajudar:
- Os países do Golfo Pérsico, incluindo Qatar, os Emirados Árabes Unidas, a Arábia Saudita, o Kuwait e o Bahrein não disponibilizaram nenhuma vaga para reinstalação para os refugiados sírios.

- Outros países de elevados rendimentos, como a Rússia, Japão, Singapura e Coreia do Sul, também não ofereceram nenhuma vaga para a reinstalação de refugiados sírios.

Outros post's relacionados com a Síria:
- A Síria - Enquanto País: https://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-enquanto-pais.html
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MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

sábado, 21 de abril de 2018

A Síria - A Guerra Civil

(Contem imagens podem ser chocantes para algumas pessoas)

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje falarei da Guerra Civil que acontece ainda hoje, desde 2011.

A Guerra Civil

Protestos Sírios
Antes do início do conflito, muitos sírios queixavam-se de um alto nível de desemprego, corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão por parte do governo de Bashar al-Assad.
Bashar al-Assad, atual presidente da Síria
Em março de 2011, adolescentes pintaram mensagens revolucionárias no muro de uma escola na cidade de Deraa, no sul do país, foram presos e torturados pelas forças de segurança. Este acontecimento provocou protestos por mais liberdade no país, inspirados na Primavera Árabe.

A Guerra Civil Síria é um conflito interno que acontece atualmente na Síria, que começou com uma série de grandes protestos populares a 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada a 15 de março do mesmo ano, influenciados por outros protestos simultâneos no mundo árabe.

Enquanto a oposição alega estar a lutar para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas a combater “terroristas armados que visam desestabilizar o país”.

Com o tempo, a guerra deixou de ser uma simples “luta pelo poder” e passou a abranger aspetos de natureza sectária e religiosa, com diversas fações que formam a oposição combatendo tanto o governo quanto umas com as outras.

Foi, então, iniciada uma mobilização social e mediática, exigindo maior liberdade de imprensa, direitos humanos e uma nova legislação – A Síria tem estado em estado de emergência desde 1962, o que suspendeu as proteções constitucionais para a maioria dos cidadãos.

Na época o presidente era Hafez al-Assad, que esteve no poder durante 30 anos, e é o pai do atual presidente que tem mantido o poder com mão firme desde 2000.
Hafez al-Assad
Quando começaram haver os protestos, o governo sírio enviou as suas tropas para as cidades em que aconteciam as revoltas com o objetivo de terminar com a rebelião. O resultado deste confronto foi centenas de mortes, a grande maioria de civis.

No final de 2011, soldados desertores e civis armados da oposição formaram o chamado Exército Livre Sírio para iniciar uma luta convencional contra o Estado.

A 15 de julho de 2012, com grandes combates acontecendo por todo o país, a Cruz Vermelha Internacional decidiu classificar o conflito como guerra civil, abrindo caminho para a aplicação do Direito Humanitário Internacional ao abrigo das convenções de Genebra e à investigação de crimes de guerra.
Estado de uma cidade Síria em consequência da Guerra Civil Síria
A partir de 2013, aproveitando-se do caos da guerra civil na Síria e no Iraque, um grupo autoproclamado Estado Islâmico começou a reivindicar territórios na região. Lutando inicialmente ao lado da oposição síria, as forças desta organização passaram a atacar qualquer uma das fações envolvidas no conflito.
Imagem referente ao Estado Islâmico
Em junho de 2014, militantes do Estado Islâmico proclamaram um Califado na região, com o seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, como califa. Rapidamente iniciaram uma grande expansão militar, subjugando rivais e impondo a sharia (lei islâmica), nos territórios que controlavam.
Abu Bakr al-Baghdali, Califa do Autoproclamado Estado Islâmico
Nações ocidentais, como EUA, as nações da OTAN na Europa e países do mundo árabe começaram a temer o fortalecimento do Estado Islâmico e que este representasse uma ameaça à sua própria segurança e estabilidade da região, iniciaram uma intervenção armada contra os extremistas.

Outras nações, como a Rússia e o Irão, também intervêm militarmente no conflito, mas ao lado do regime de Assad.

Segundo informações de ativistas de direitos humanos dentro e fora da Síria, o número de mortos no conflito passa das 450 mil pessoas, sendo mais de metade civis. Outras 130 mil pessoas teriam sido detidas pelas forças de segurança do governo.

Feridos em consequência da Guerra Civil Síria

Mais de cinco milhões de sírios procuraram refúgio no exterior para fugir dos combates, com a maioria destes a procurar abrigo no país vizinho Líbano.
Refugiados em consequência da Guerra Civil Síria
O conflito também gerou uma enorme onda migratória de sírios e árabes em direção à Europa, sem antecedentes desde a Segunda Guerra Mundial.
Refugiados em consequência da Guerra Civil Síria
Cerca de 70% da população não tem acesso a água potável, uma em cada três pessoas não conseguem suprir as necessidades alimentares básicas, mais de dois milhões de crianças não vão à escola e um e cada cinco indivíduos vive na pobreza.
Refugiados em consequência da Guerra Civil Síria
As partes do conflito têm complicado ainda mais a situação ao recusar o acesso das agências humanitárias aos necessitados


Segundo a ONU e outras organizações internacionais, tem acontecido crimes de guerra e contra a humanidade por todo o país e por todos os lados.
Feridos em consequência da Guerra Civil Síria

Na fase inicial da guerra, as forças leais ao governo foram os principais alvos das denúncias, sendo condenadas internacionalmente por incontáveis massacres de civis. Milícias leais ao presidente Assad e integrantes do exército sírio foram acusadas de vários assassinatos e cometerem inúmeros abusos contra a população.

Feridos em consequência da Guerra Civil Síria

No entanto, no decorrer da guerra, as forças opositoras também passaram a ser acusadas, por organizações de direitos humanos, de crimes de guerra.
Estado de uma cidade Síria em consequência da Guerra Civil Síria

O Estado Islâmico, desde 2013, passou então a chamar a atenção pelos requintes de violência e crueldade nas inúmeras atrocidades que cometiam pelo país.

Autoproclamado Estado Islâmico na Síria


O fim desta terrível guerra parece estar longe porque um dos grandes fatores é intervenção de potências regionais e internacionais (falarei num próximo post). O apoio militar, financeiro e político tanto para o governo quanto para a oposição tem contribuído diretamente para a continuidade e intensificação dos confrontos, e transformou a Síria num campo para uma guerra indireta.
Imagens da Guerra Civil Síria

Outros post's relacionados com a Síria:
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MZ

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sexta-feira, 20 de abril de 2018

A Síria - A Primeira-Dama

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje, falarei da Primeira-Dama da Síria.

Primeira-Dama da Síria

Asma al-Assad nasceu em Londres, na Inglaterra, a 11 de agosto de 1975. A sua família vinha de Homs, na Síria, que tinha imigrado para o Reino Unido.
Asma al-Assad, a Primeira-Dama da Síria
O pai de Asma, Fawaz Akhras é cardiologista e a sua mãe, Sahar Otri al-Akhras, é uma diplomata reformada.
Fawaz Akhras, pai de Asma al-Assad
Asma frequentou uma escola da Igreja Anglicana, em Acton. Terminou os seus estudos no Queen's College, em Londres. O seu ensino superior foi concluído no King's College de Londres e formou-se em 1996 com uma licenciatura em Ciência da Informática e um diploma em literatura francesa.

Depois da faculdade, começou a trabalhar para a Deutsche Bank na divisão de gestão de fundos com clientes na Europa e no Extremo Oriente.

Em 1998, juntou-se à divisão do banco de investimentos da J. P. Morgan, especializada em fusões e aquisições de empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Durante o tempo que trabalhou na J. P. Morgan, trabalhou principalmente no escritório de Nova Iorque, onde realizou quatro grandes fusões para clientes americanos e europeus.

Asma regressou à Síria em novembro de 2000 e no mês seguinte casou-se com o presidente, Bashar al-Assad. Estes conheceram-se na faculdade, em Londres.
Asma e o marido Bashar al-Assad
O casal tem três filhos, Hafez, Karim e Zein.
Asma e o marido com os filhos na neve
Na época do seu casamento, havia esperança de que o jovem casal trouxesse uma maior abertura, após quase 30 anos de ditadura do pai de Bashar.

A imagem sofisticada de Asma transformou-se no cartão-de-visita do país. O seu elegante corte de cabelo e looks perfeitos - compostos por roupas de alta-costura, sapatos Louboutin e carteiras Chanel ou Dior -, eram elogiados pela imprensa internacional. Asma inaugurava exposições em Damasco, ia à ópera e jantava com o marido nos restaurantes exclusivos da capital.
Alguns dos looks de Asma al-Assad
Os sírios alinhados com o regime tinham orgulho numa primeira-dama que personificava a mulher perfeita, que falava de democracia e tinha uma ONG de apoio aos necessitados.

Em 2008, a revista Elle elegeu Asma como "a primeira-dama mais bem vestida do mundo".

Também em 2008, Asma ganhou a Medalha da Presidência da República Italiana pelo seu trabalho humanitário e um doutorado honorário em arqueologia na Universidade de Roma "La Sapienza".

No início da Guerra Civil da Síria, em 2011, em que as forças da oposição lutavam para tentar derrubar o seu marido do poder, a sua popularidade caiu vertiginosamente, com denúncias de que, alheia ao que acontecia no país, Asma mantinha o seu estilo de vida "extravagante", com enormes despesas pessoais.

As suas aparições públicas durante o conflito tornaram-se raras, o que levou a imprensa a especular que Asma teria deixado a Síria, o que era negado pelo governo. Então, em março de 2013, fez uma aparição pública, a primeira em quase um ano, na Casa de Ópera de Damasco, num evento chamado "Encontro de Mães".

Fez outra aparição em outubro de 2013, num encontro com cidadãos que perderam familiares na guerra. No evento, ela negou que tivesse intenções de deixar a Síria.

Após anos de silêncio, em 2017 Asma, mostrou-se numa entrevista a uma estação de televisão russa. Apareceu como a face humana de um regime condenado pelas suas práticas brutais, a falar da "dor e tristeza" causadas pela sangrenta guerra civil. Na verdade, ninguém acredita que ela seja alheia à ditadura do marido.
Asma al-Assad durante a sua entrevista na TV russa, em 2017
Asma diz: "Ofereceram-me a oportunidade de deixar a Síria, ou melhor, de fugir da Síria. Essas ofertas davam-me garantias de segurança e de proteção para os meus filhos, e até de segurança financeira". Durante a entrevista de 30 minutos, Asma não revelou de quem partiram essas ofertas e assegurou que jamais lhe passou pela cabeça sair de Damasco.

Na entrevista, Asma apresentou-se vestida de preto, com uma maquilhagem sóbria e o cabelo cuidadosamente descuidado, apresentou-se como mais uma mulher síria que resiste aos grupos armados da oposição e ao isolamento internacional, lamentando a grave crise humanitária.
Asma al-Assad durante a sua entrevista na TV russa, em 2017
As acusações de que a entrevista não passou de mais uma manobra de propaganda do regime não tardaram. Até porque Asma, com então 41 anos, sempre foi utilizada para esse fim. Já em fevereiro de 2011, dias antes de rebentar o conflito, a Vogue fez-lhe um perfil bajulador com o poético título "Uma rosa no deserto".
Asma al-Assad na produção da revista Vogue
O artigo da Vogue a descrevia como uma "primeira-dama fascinante, elegante e magnética" e elogiava a família Assad, como um casal "democrático" e focado na família. Quando o The New York Times revelou que tinha sido uma encomenda do governo sírio, através de uma agência de comunicação, o texto foi retirado.

A popularidade de Asma caiu em 2012, com a revelação de e-mails que denunciavam o seu estilo de vida extravagante. Gastava fortunas em roupas de marca em Paris, e em móveis e lustres importados de Londres e de Praga.

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- A Síria - A Guerra Civil: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-guerra-civil.html
- A Síria - Os Refugiados: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/siria-os-refugiados.html
- A Síria - A Intervenção de Outros Países: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-intervencao-de-outros-paises.html

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A Síria - O Presidente

(Contem imagens podem ser chocantes para algumas pessoas)

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje, falarei do atual presidente da Síria.

O Presidente Bashar al-Assad

Nome: Bashar Hafez al-Assad
Nascimento: 11 de setembro de 1965, em Damasco na Síria.
Pais: Hafez al-Assad e Anisa Makhlouf
Religião: Islamismo - Alauísmo
Profissão: Médico
Profissão que exerce: Presidente da Síria e Secretário Geral do Partido Baath, desde 17 de julho de 2000.
Bashar al-Assad, Presidente da Síria
A família de Bashar era muito envolvida com a política, tendo o seu pai sido Presidente da Síria, ao qual Bashar sucedeu.
Pai de Bashar al-Assad, Hafez al-Assad
Bashar estudou oftalmologia em Damasco e depois foi para Londres concluir os estudos.

Bashar não tinha aspirações políticas, pois era o seu irmão mais velho, Bassel al-Assad que deveria suceder o seu pai. No entanto, o seu irmão morreu num acidente de automóvel o que mudou a situação, tornando Bashar no herdeiro político do seu pai.
Bassel al-Assad, irmão de Bashar al-Assad
Sucedeu o seu pai, após a morte deste a 10 de junho de 2000. Tornando-se então General do Estado Maior e Chefe Supremo das Forças Armadas Sírias. Nomeado candidato único pelo Partido Árabe Socialista Baath para a Presidência da República, foi eleito mediante referendo a 10 de julho de 2000, tomando posse a 17 de julho.

Em dezembro de 2000, casou-se com Asma al-Assad. O casal tem três filhos: Zein, Karim e Hafez al-Assad.
Asma e Bashar al-Assad
Bashar al-Assad com a mulher, Asma e os filhos no aniversário de um deles
O início do seu mandato foi marcado por uma esperança de mudanças democráticas, que foi terminada com a continuidade da política do seu antecessor.

Perante a ameaça da ideia de guerra preventiva levada a cabo pela administração norte-americana, a instabilidade do Líbano, na qual a Síria mantinha uma forte presença militar e as constantes tensões com Israel, Bashar procurou manter um discurso reformista que poderia satisfazer os anseios da União Europeia e dos EUA, mas na prática não produziu nenhuma concessão ao movimento de oposição do país.

Bashar al-Assad foi reeleito num referendo convocado no dia 27 de maio de 2007 onde conseguiu 97% de aprovação, mas Bashar concorreu sozinho.

No dia 25 de junho de 2010, iniciou uma série de viagens pela América Latina, passando por Cuba, Venezuela, Brasil e Argentina.
Ex-presidente do Brasil, Lula da Silva e Bashar al-Assad durante a visita deste ao Brasil
Em 2011, frente a vários protestos no mundo árabe por reformas democráticas, o seu governo prometeu abrir mais a política do país ao povo. No entanto, frente à lentidão dessas mudanças, ou do não cumprimento da promessa, opositores ao regime começaram uma série de protestos pedido a demissão do Presidente, que respondeu aos manifestantes com o envio de tropas do exército para as áreas de protesto.

A violência da repressão do governo fez com que vários países, como os EUA, Canadá e a União Europeia adotassem sanções contra a Síria. Com as manifestações a transformarem-se numa revolta armada contra o seu governo, os exércitos foram acusados, repetidas vezes, de crimes contra a humanidade, e a comunidade internacional e a oposição interna do seu país começaram a pedir a sua renúncia imediata da presidência, mas Bashar recusou-se e afirmou que continuaria na luta para se manter no poder.

Por diversas vezes, Bashar afirmou que o seu país é vítima de uma "conspiração estrangeira", envolvendo terrorismo, com o objetivo de desestabilizar a Síria.

Em 2012, o conflito entre os simpatizantes dos rebeldes e os defensores do presidente tomaram a capital Damasco e a cidade Aleppo. Bashar intensificou a luta quando esta ganhou contornos religiosos, opondo a maioria sunita contra os xiitas alauítas, ala do islamismo ao qual ele pertence.

No começo, o conflito era exclusivamente entre a oposição moderada contra o exército oficial de Bashar al-Assad. No entanto, a fragilidade do país deu espaço para a solidificação de radicais e jihadistas, mais especificamente, o Estado Islâmico e a Frente Nusra, filiada à Al-Qaeda.

Em 2014, mesmo no meio de uma enorme guerra civil, com cerca de 191 mil mortos entre março de 2011 e abril de 2014, com quase metade da nação deslocada das suas casas e um-terço do país nas mãos da oposição, o governo Assad levou a cabo as eleições gerais para presidente. Com 88,7% dos votos, o líder sírio foi declarado vitorioso da eleição, cujo resultado foi considerado duvidoso por grupos opositores anti-Assad e criticada por observadores internacionais do Ocidente.
Imagens da Guerra Civil da Síria

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- A Síria - A Intervenção de Outros Países: http://imagenschistoria.blogspot.pt/2018/04/a-siria-intervencao-de-outros-paises.html

MZ

A(s) imagem(ns) podem ser encontradas em vários sites da Internet, o texto é baseado em várias pesquisas feitas por mim.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Síria - Enquanto País

Nos últimos anos temos ouvido falar em terrorismo, guerra, Síria, refugiados, ataques, ataques químicos, bombas, mortes, mortes de inocentes e nestes últimos dias falou-se que civis sofreram um ataque químico ao qual EUA, França e Reino Unido reagiram atacando a Síria, esta apoiada pela Rússia.

Como a História também é feita de atualidade nos próximos post's falarei apenas da questão da Síria, seja local, seja depois de maneira que afeta os outros países, nomeadamente Portugal.

De relembrar que não só a Síria sofre com problemas de cariz bélico mas tendo em conta que é assunto sistematicamente, falarei também aqui.

Hoje para começar, falarei da Síria como país, como se nada lá passasse, simplesmente o que é a Síria. 

Síria

O nome oficial é República Árabe da Síria.
Bandeira da Síria
Localiza-se na Ásia Ocidental.

Faz fronteira com o Líbano, Mar Mediterrâneo, Turquia, Iraque, Jordânia e Israel.
Localização da Síria no Mundo
No país existem vários grupos étnicos, como árabes, gregos, arménios, assírios, curdos, circassianos, mandeus e turcos. E grupos religiosos, como sunitas, cristãos, alauitas, drusos, mandeus e iazidis.

A capital da Síria é Damasco, mas a sua cidade mais populosa é Alepo.
Capital Damasco (em cima) e cidade de Aleppo (em baixo) - Imagens antes da Guerra Civil começada em 2011
Tem como língua oficial o árabe. A moeda na Síria é a Libra Síria.
Exemplos da Libra Síria
A Síria tem uma área de 185.180 km². Com uma população, estimada em 2014, de 17.951.639 pessoas.

A maioria da população vive no vale do rio Eufrates e ao longo da planície costeira, uma faixa fértil entre as montanhas e o deserto.

Cerca de 9,5 milhões de sírios, ou metade da população do país, saíram do território desde o começo da Guerra Civil Síria, começada em março de 2011, o que a ONU classificou como "a maior emergência humanitária da nossa era", 4 milhões de sírios estão fora do país como refugiados.

A educação, na Síria, é gratuita e obrigatória a partir dos 6 aos 12 anos de idade. O sistema de ensino é composto por seis anos de escolaridade primária, seguido por um período de treinamento geral ou vocacional de três anos e um programa académico ou profissional de três anos.

O total de matrículas em escolas pós-secundário é superior a 150 mil. A taxa de alfabetização dos sírios com 15 anos ou mais é de 90,7% para o sexo masculino e de 82,2% para o sexo feminino.

Existem seis universidades públicas e 15 privadas no país. As duas principais universidades públicas são a Universidade de Damasco e a Universidade de Aleppo.

A Síria tem quatro aeroportos internacionais - Damasco, Aleppo, Latakia e Al-Qamishli - que servem para a Syrian Arab Airlines e também são servidos para uma variedade de companhias estrangeiras.

A Síria tem uma história muito antiga, desde os arameus e assírios, marcada fortemente pela influência e rivalidade da Mesopotâmia e Egito.

Durante o período helenístico passou a ser o centro do reino dos selêucidas e converteu-se numa província romana no séc. I a.C.

Com a ascensão do Islamismo, a Síria foi um dos focos mais importantes da Civilização Árabe, sobretudo na época do califado omíada, centrado em Damasco, e da dinastia hamdanida, centrada em Aleppo.

Pela sua situação, a Síria foi objeto de ambição estrangeira o que conduziu à divisão do seu território. Os cruzados estabeleceram-se na Síria durante algum tempo e construíram importantes fortificações.

Em 1516, a Síria passou a fazer parte do Império Otomano. O sistema otomano não era rígido com os sírios, porque os turcos respeitavam a língua árabe como o idioma do Alcorão e aceitavam o manto de defensores da fé.

A administração otomana seguia um sistema que levou à coexistência pacífica. Cada minoria étnico-religiosa constituía um millet (uma corte jurídica distinta pertencente à "lei pessoal" sob a qual uma comunidade confessional era autorizada a autogovernar-se). Cada líder religioso administrava a sua comunidade e também realizavam algumas funções civis.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano entrou no conflito no lado do Império Alemão e da Áustria-Hungria, mas foi derrotado e perdeu o controlo de todo o Oriente Próximo para o Império Britânico e o Império Francês.

Durante o conflito, um processo de genocídio contra os povos cristãos nativos aconteceu pelas mãos dos otomanos e os seus aliados na forma do Genocídio Arménio e do Genocídio Assírio, dos quais Deir ez-Zor, na Síria otomana, era o destino final dessas marchas da morte.

No meio da Primeira Guerra Mundial, dois diplomatas aliados - o francês François Georges-Picot e o britânico Mark Sykes - secretamente concordaram com a divisão pós-guerra do Império Otomano nas respetivas zonas de influência determinadas pelo Acordo Sykes-Picot, de 1916. Inicialmente, os dois territórios foram separados por uma fronteira que corria uma linha praticamente reta da Jordãnia ao Irão.
O francês Fraçois Georges-Picot (esquerda) e o britânico Mark Sykes (direita)
No entanto, a descoberta de petróleo na região de Mosul, no atual Iraque, pouco antes do fim da guerra, levou a mais uma negociação com a França em 1918 para ceder esta região para a "Zona B", ou a zona de influência britânica.

Esta fronteira foi mais tarde reconhecida internacionalmente quando a Síria tornou-se um mandato da Liga das Nações em 1920 e não mudou até hoje.

Em 1920, foi estabelecido um reino sírio independente de curta duração, sob o governo de Faisal I, da família hachemita. O seu domínio terminou meses depois, após a Batalha de Maysalun.

As forças francesas ocuparam o país no final daquele ano, após a Conferência de San Remo propôs que a Liga das Nações colocassem a Síria sob o mandato francês.

A Síria e a França negociaram um tratado de independência em setembro de 1936 e Hashim al-Atassi foi o primeiro presidente a ser eleito na primeira república moderna da Síria. No entanto, o tratado nunca entrou em vigor porque o legislador francês recusou-se a ratificá-lo.
Hashim al-Atassi
Com a queda da França em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, a Síria ficou sob o controlo da França de Vichy, que era um Estado fantoche da Alemanha Nazi, até que os franceses livres e britânicos ocuparam o país na Campanha da Síria, em julho de 1941.

A contínua pressão de nacionalistas sírios e de britânicos forçou o governo francês a evacuar as suas tropas em abril de 1946, deixando o país nas mãos de um governo republicano que tinha sido formado durante o mandato.

O país conseguiu a independência em 1946. Em 1948, entrou em guerra com Israel, perdendo. Sofreu vários golpes militares, e em 1958, uniu-se ao Egito para formar a República Árabe Unida, da qual se separou depois do levantamento militar de 28 de setembro de 1961, convertendo-se em República Síria.

Em 1964, depois da tomada do poder, no ano anterior, pelo Partido Baath, socialista e nacionalista, que empreendeu uma série de profundas reformas sociais e económicas, ficou constituída como República Popular da Síria.

Em 1966, a Síria aliou-se novamente ao Egito e, em 1967, viu-se envolvida na Guerra dos Seis Dias. Mais tarde, em 1973, atacou Israel, na chamada Guerra do Yom Kippur.

O conjunto de comunidades étnicas e religiosas que constituem o país, criaram difíceis situações ao  então presidente Hafez al-Assad, de orientação laica e socialista. Hafez foi reeleito em 1980 como secretário-geral do Baath, o que reforçou o seu poder. No mesmo ano, um tratado de cooperação com a União Soviética deu, a Hafez, o papel de representante dos interesses soviéticos na região e lhe permitiu contar com o sofisticado armamento de origem soviética.
Presidente Hafez al-Assad
A Síria e o Irão passaram a ter uma relação nos anos 1980, quando a Síria foi o único país árabe a apoiar o Irão na sua guerra de oito anos contra o Iraque. Simultaneamente à crescente deterioração das relações com Israel, a Síria passou a controlar militarmente o norte do Líbano, onde sustentou encontros com as forças de Israel e se opôs à presença dos EUA. 

A Síria é governada pelo partido nacionalista pan-árabe Ba'ath foi fundado em 1947 como um movimento de retomada do socialismo sob o lema "Unidade, liberdade e socialismo". Desde 1963, os seus afiliados controlam o poder na Síria.

Mas a supremacia Ba'ath no país foi consolidada durante o governo do presidente Hafez al-Assad (1971-2001), pai de Bashar al-Assad (Atual presidente). Hafez trouxe mais estabilidade para o país, mas o custo não foi barato: a Síria é conhecida por seus mecanismos de repressão e por ter o serviço secreto mais temido do Oriente Médio. Outros líderes simbólicos da região fizeram parte do Ba'ath, como é o caso do ditador iraquiano Saddam Hussein.
Atual presidente da Síria, Bashar al-Assad
A Síria é formalmente uma república unitária. A constituição adotada em 2012 efetivamente transformou a Síria numa república semipresidencial devido ao direito constitucional dos indivíduos que não fazem parte da Frente Progressista Nacional de serem eleitos.

O poder legislativo é representado pelo Conselho dos Povos, o órgão responsável pela aprovação de leis, pelas dotações do governo e pelo debate político.

Como resultado da guerra civil, vários governos alternativos foram formados, incluindo o Governo Provisório da Síria, o Partido de União Democrática e regiões legislativas pela lei islâmica.

A Síria conserva atividades artesanais, como o trabalho em metal, tafetá e trabalhos em seda. Ainda se pode encontrar em Damasco, Hama e Aleppo tecedores de seda a trabalhar nos seus teares de madeira, como faziam os seus ancestrais em Ebla. 

Durante todo o ano há acontecimentos culturais interessantes, na Síria. Exposições, leituras e seminários são propostos nas Universidades, museus e centros culturais. A pintura e a escultura dos artistas locais são expostas em galerias privadas em todo o país.

A repressão política manteve a produção literária quase morta. Com exceção da autodidata Zakariya Tamir, que viveu em exílio em Londres desde 1978. A sua obra gira em torno da vida diária na cidade, marcada pela frustração e desespero nascidos da opressão social.

Um grande número de festivais de música ocorre regularmente na Síria. Destaca-se o Festival de Música de Câmara de Palmira.

A televisão conta com dois canais, um em árabe e outro em inglês e francês.

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